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O que ficámos a saber sobre a Inteligência Artificial nas últimas semanas?
O caso Hugging Face. Umas centenas de agentes/modelos/máquinas auto-organizaram-se (!) para resolver problemas insolúveis e, não satisfeitos com isso, conspiraram em grupo para enganar os humanos (!!!) sobre essa ação. Uma série de estreias na mesma história, todas confluindo num sentido: a IA está a ultrapassar os seus criadores.
A luta no topo. As empresas que lideram o setor estão numa guerra gananciosa, cada vez menos dissimulada, mas cada vez mais dura. Não é caso para menos: quem liderar a IA, seja em monopólio, duopólio, ou outro esquema qualquer, vai liderar o mundo. Economicamente, o que quer dizer politicamente.
Dito isto, no tempo de uma década, ou mais provavelmente
ainda esta década, duas coisas podem acontecer:
A IA pura e simplesmente dizima a Humanidade, devido a uma série de eventos não humanamente controlada;
O mundo fica nas mãos de meia dúzia de super-poderosos e das suas máquinas, com o resto da Humanidade remetida ao papel de escravos de facto.
Não há cenário C.
Dito isto, tenham um bom dia e aproveitem o fim-de-semana.
Estamos no verão e a paciência dos políticos sobrevive mal ao sol a pino. O caso dos exames deitará abaixo o ministro, se daqui a uma semana tudo estiver num caos. Caso tudo se resolva, cof cof, à boa maneira portuguesa, a polémica morrerá afogada nos mares de agosto.
Mas há três ou quatro temas, que
estão nos bastidores do caso, que valeria a pena salvar da estação tonta:
Numa tentativa de retirar o ministro da Educação das areias
movediças em que já se encontrava, no caso dos exames, os magos da Comunicação
tiveram uma ideia genial: levar o ministro e os jornalistas ao coração do
sistema, o armazém onde os exames estão a ser tratados.
As imagens que dali saíram são elucidativas, ao
mostrarem-nos o caos típico destes locais. E liquefizeram, ainda mais, as
areias em que o ministro via os pés afundarem-se.
Desde logo, porque a imagem que passou foi de caos, com
pastas e mais pastas, arrumadas de forma improvisada em caixas e prateleiras
precárias. Sim, aquilo que foi mostrado é o normal da nova economia: compramos
bonito o que foi fabricado em feio. Imaginem as pessoas que encomendam
comida para casa a terem acesso aos locais esconsos em que boa
parte dessa comida é confeccionada…
Para quem ainda tinha dúvidas, aquelas imagens expuseram a
evidência: a digitalização dos exames é uma mentira. A ideia de digitalizar
provas feitas em papel faz-nos recuar uma década, quando tínhamos de imprimir
formulários a partir de um computador, para os preencher à mão, digitalizar e
depois enviar... por faxe. O que está a ocorrer com os exames não é
modernização, é retrocesso.
Finalmente – but not the least –, aquela vista colocou o foco
num embaraço: quem são, afinal, as empresas envolvidas num processo tão
imprevidente? Pior, qual a cadeia de responsabilidades, públicas e privadas, em
todo o processo, incluindo a decisão, a contratação e supervisão. Isto é, o
grau de conhecimento, de cada interveniente.
Do ponto de vista político, estas são as questões que importa esclarecer.
Para o cidadão, não deixa de ser inquietante – caricato, não fossem as consequências – que se tenha criado insegurança no ponto do sistema educativo em que a segurança deveria ser fulcral.
"A responsabilidade social dos media refere-se ao compromisso ético e deontológico dos meios de comunicação de servir o interesse público, influenciando positivamente a sociedade através de informação rigorosa, ética e equilibrada. Envolve o equilíbrio entre a liberdade de imprensa, o negócio e o impacto social, combatendo desinformação e assegurando uma cidadania inclusiva."
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| Para depois do debate, AV já tinha preparada a obrigatória "sondagem", que lhe dá a vitória esmagadora |
A derrota do campo democrático, resultante do debate entre
André Ventura (AV) e José Pacheco Pereira (JPP), foi mais funda e perene do que
um olhar superficial poderia concluir.
Com a sua iniciativa, JPP permitiu que AV transformasse mais
uma das suas mentiras primárias – houve mais presos políticos em Portugal
depois do que antes do 25 de abril – numa “verdade científica”.
AV apresentou-se munido de provas irrefutáveis: um relatório
com chancela oficial do Estado português, listas de nomes, relatos de casos. E
fez o que se esperava, descontextualizou, disse tudo e o seu contrário,
respondeu com alhos a bugalhos. E fê-lo com aquela determinação e convicção de
quem tem toda a razão do seu lado.
Demonstrou, para os seus apaniguados – mas, especialmente,
para os que ainda hesitam, entre os quais os mais jovens e os menos politizados
–, que, sim, há uma outra verdade sobre o Estado Novo, o colonialismo, o 25 de
abril e o período revolucionário. Que essa “verdade” é uma verdade para a qual
há provas e uma narrativa consistente. Pouco importam as nuances, os pormenores,
as mentiras. Há uma narrativa e isso é tudo o que importa neste tempo.
E foi isso mesmo que ficou deste debate. Essa “verdade”
comprovada de que o pós-25 de abril foi pior que o Estado Novo. A partir de
agora basta repetir sempre que necessário.
JPP nunca conseguiu sair do pecado original que o conduziu
àquela mesa: não é razoável, sequer honesto, comparar acontecimentos esdrúxulos
de um curto período revolucionário com meio século de um regime que tinha
nesses procedimentos uma das suas bases de sustentação. E não teve, sequer, a
elasticidade para largar uma gargalhada quando o outro citava “o historiador
Rui Ramos”…
Na prática, cada um esteve no seu debate. JPP, na sua
quadratura do círculo, com aquelas graçolas semióticas da palmatória em cima da
mesa e um discurso repleto de simbolismos, apenas entendível pelos que estão
dispostos a isso. AV foi AV vintage, limitando-se a pegar nas deixas que JPP
lhe dava para despejar ideias simplistas e “verdades” básicas.
Foi um debate entre a democracia e o autoritarismo. Sendo
que isso é, sem si mesmo, uma impossibilidade: a democracia e o autoritarismo
são dois sistemas que se excluem mutuamente, não havendo qualquer possibilidade
de formular um conjunto de regras para um diálogo.
JPP sabia isso de antemão. AV também e aproveitou a passadeira que lhe estenderam.
Isto deve-se, especialmente, a dois fatores, de ordem mais psicológica
do que económica.
Desde logo, o mundo está hoje muito mais dependente dos combustíveis,
da circulação de bens, mas especialmente, de mercadorias.
Acresce que os estados, especialmente desde a epidemia, mas também
por causa dos fenómenos climáticos, tornaram-se demasiado generosos com os seus
contribuintes, quase dispensado a intervenção das seguradoras.
Estamos, porém, a jogar em aparências, das quais poderão advir
resultados contrários aos alegadamente pretendidos.
A extraordinária circulação de pessoas, especialmente
induzida pelas low cost, democratizou as férias e o turismo, mas tem um evidente
efeito nefasto no ambiente. As low cost fazem bem às pessoas, mas fazem muito mal
ao planeta. E, não nos iludamos: às low cost de pessoas corresponde uma circulação
low cost de mercadorias. Tão, ou mais, perniciosa para o planeta como as outras. Não,
não faz qualquer sentido produzir maçãs na América do Sul para vender na Europa.
Ou engarrafar água no Japão para vender no Harrods.
Quanto à hipersubsidiação do estado à economia, sob a aparência
de apoiar os que mais necessitam (ou mesmo a classe média), estes dinheiros do
Estado acabam por cair nos cofres dos mais ricos. Conforme todos os estudos
comprovam, dos momentos de crise económica planetária que temos vivido resultou sempre um enriquecimento ainda mais desproporcionado dos mais poderosos e o agravamento
do fosso relativamente aos mais pobres.
Claro que, em momentos de tão profunda desorientação política, de um efetivo e generalizado salve-se quem puder, sobre o que realmente imposta sobressaem as hossanas aos ganhos imediatos e egoístas. Mas a ordem natural das coisas lá vai acontecendo.
Está a acontecer novamente.
(No caso da guerra atualmente em curso, a do Irão, acresce que há toda a legitimidade para concluirmos que ela foi desencadeada precisamente para isso - uma transferência maciça de dinheiro, e logo de poder. No sentido do costume, é claro)
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| Imagens do Facebook do vereador João Ferreira (CDU/CML), que há dias alertou para a falta de qualidade das refeições nas escolas públicas de Lisboa |
Escusado será dizer que ninguém dormiu, que na canção
seguinte já muita gente dançava e que, até ao final, várias vezes a Aula Magna
se levantou para abanar ou simplesmente ondular.
O que Neil não sabia é que tudo aquilo era performance nossa,
homenagem às canções deles. Quem mais dançou foram os nossos netos, ironicamente
sentados nas primeiras filas, sim, nas cadeiras doutorais. Imagine-se: comprar os
bilhetes mais caros, apenas para não usar o privilégio da poltrona. Imagino que
ele não tenha percebido este nosso humor involuntário e sem jeito de ir a lado
algum, fossemos nós personagens das canções deles.
O pretexto era mostrar-nos o seu último disco – Rainy Sunday
Afternoon -, uma boa coleção de canções acima da média, mas obviamente foram os
hits que mais animaram a sala. Só faltou mesmo To The Rescue e o Che que se deita
no lugar de Marilyn.
Neil Hannon está excelente, a fazer o que quer, seja com a voz,
seja com a teatralidade obrigatória daquelas canções. A banda está à altura dos
acontecimentos e quase não se nota a artificialidade de algumas soluções – há instrumentos
e coros que de alguma forma tinham de ser resolvidos e foram.
Uma energia extraordinária, que nem o habitual som low cost
dos concertos em Portugal conseguiu atrapalhar.
Eleito pelo povo contra os media, António José Seguro tem pela frente o maior dos desafios: promover diálogo e consensos, num mundo apaixonado pela gritaria e pelo fait-divers disruptivo.
O mundo em guerra e à deriva e o país adiado, afogado, a cair aos bocados exigem - há muito que o País espera - respostas estruturais e com um consenso político e social mínimo, que seja garantia da sua continuidade.
Ao invés, o País está refém entre um Governo que tem como programa a sua mera sobrevivência e o espectro de uma radicalização sem projeto que não seja desmantelar o estado social que ainda persiste e pôr portugueses contra portugueses.
Nesse país politicamente tripartido, não compete ao Presidente ser apenas garante constitucional abstrato, mas antes o verdadeiro intérprete dos princípios fundadores do estado democrático e, dessa forma, garantir a sua concretização e sobrevivência.
Isso exigirá coragem e, acima de tudo, o risco de pensar e agir à margem do barulho das luzes e da concepção da política como mera gestão da vidinha.
Na relação com o Povo, não podemos continuar na festa dos afectos, pura aspirina em doses suaves para problemas profundos que nunca se resolvem.
Há o Interior, que em boa parte do País se estende até ao litoral, que está mais, muito mais, abandonado do que (a)parece nas televisões. E há, em todo o País, a expectativa legítima, e agora renovada, de que é possível, tem que ser possível, fazer mais pela vida das pessoas.
Colocar essa expectativa do Povo no coração do Poder e exigir deste as respostas, eis um belo Programa. Muitas vezes anunciado, tantas vezes frustrado. Pelo seu trajeto político e pelas condições em que foi eleito é mais que razoável esperar que com Seguro não seja assim.