Dança magna - os Divine Comedy na Reitoria


Ainda estávamos naquela fase de nos medirmos uns aos outros – será que eles estão em forma? será que eles vão ouvir-nos com atenção? – quando Neil Hannon segura o microfone: eh pá, noutros sítios onde temos tocado, há sempre uma zona de pé, para a malta poder dançar, mas aqui vocês estão todos refastelados, olhem que ainda vão adormecer.


Escusado será dizer que ninguém dormiu, que na canção seguinte já muita gente dançava e que, até ao final, várias vezes a Aula Magna se levantou para abanar ou simplesmente ondular.


O que Neil não sabia é que tudo aquilo era performance nossa, homenagem às canções deles. Quem mais dançou foram os nossos netos, ironicamente sentados nas primeiras filas, sim, nas cadeiras doutorais. Imagine-se: comprar os bilhetes mais caros, apenas para não usar o privilégio da poltrona. Imagino que ele não tenha percebido este nosso humor involuntário e sem jeito de ir a lado algum, fossemos nós personagens das canções deles.


O pretexto era mostrar-nos o seu último disco – Rainy Sunday Afternoon -, uma boa coleção de canções acima da média, mas obviamente foram os hits que mais animaram a sala. Só faltou mesmo To The Rescue e o Che que se deita no lugar de Marilyn.


Neil Hannon está excelente, a fazer o que quer, seja com a voz, seja com a teatralidade obrigatória daquelas canções. A banda está à altura dos acontecimentos e quase não se nota a artificialidade de algumas soluções – há instrumentos e coros que de alguma forma tinha que ser resolvidos e foram.


Uma energia extraordinária, que nem o habitual som low cost dos concertos em Portugal conseguiu atrapalhar.


Sem comentários :

Enviar um comentário