Os dias de Seguro



Eleito pelo povo contra os media, António José Seguro tem pela frente o maior dos desafios: promover diálogo e consensos, num mundo apaixonado pela gritaria e pelo fait-divers disruptivo. 


O mundo em guerra e à deriva e o país adiado, afogado, a cair aos bocados exigem - há muito que o País espera - respostas estruturais e com um consenso político e social mínimo, que seja garantia da sua continuidade.


Ao invés, o País está refém entre um Governo que tem como programa a sua mera sobrevivência e o espectro de uma radicalização sem projeto que não seja desmantelar o estado social que ainda persiste e pôr portugueses contra portugueses.


Nesse país politicamente tripartido, não compete ao Presidente ser apenas garante constitucional abstrato, mas antes o verdadeiro intérprete dos princípios fundadores do estado democrático e, dessa forma, garantir a sua concretização e sobrevivência.


Isso exigirá coragem e, acima de tudo, o risco de pensar e agir à margem do barulho das luzes e da concepção da política como mera gestão da vidinha.


Na relação com o Povo, não podemos continuar na festa dos afectos, pura aspirina em doses suaves para problemas profundos que nunca se resolvem.


Há o Interior, que em boa parte do País se estende até ao litoral, que está mais, muito mais, abandonado do que (a)parece nas televisões. E há, em todo o País, a expectativa legítima, e agora renovada, de que é possível, tem que ser possível, fazer mais pela vida das pessoas.


Colocar essa expectativa do Povo no coração do Poder e exigir deste as respostas, eis um belo Programa. Muitas vezes anunciado, tantas vezes frustrado. Pelo seu trajeto político e pelas condições em que foi eleito é mais que razoável esperar que com Seguro não seja assim.

Sem comentários :

Enviar um comentário