No final da década de Belém, justo será submetê-lo à mesma escala: um 14, a nota que dispensa a ida à Oral, mas que decepciona, quando aplicada a um aluno de 18.
Marcelo, na verdade, falhou em grande linha nos dois tabuleiros em que joga um Presidente: o constitucional e o simbólico.
Teve uma interpretação demasiado lata da Constituição, que o levou a ser mais fator de instabilidade do que garantia do bom funcionamento das instituições, sendo disso exemplos a histeria com que rodeou os debates orçamentais e a ligeireza com que deitou fora maiorias parlamentares. Nos seus mandatos, não houve um passo, sequer, para gerar consensos, quanto mais pactos de regime.
O populismo afetivo com que confessadamente se propôs combater o populismo extremista não foi além das selfies. Nunca conseguiu motivar a sociedade civil em torno de qualquer causa e, em algumas nas quais se meteu, o resultado terá sido o oposto do pretendido. Está por analisar com distanciamento o seu papel nos incêndios de 2017, em que claramente contribuiu mais para a análise e resolução superficial dos problemas, do que para as reformas estruturais que se exigiam.
Os tempos foram extremamente adversos, mas de alguém tremendamente experiente na política, no Direito e na gestão do espaço público, esperava-se mais.
O retrato que o honrará em Belém, de Vhils, regista um sorriso estilhaçado por notícias de jornais, num terrível simbolismo. As coisas como elas são, evidentemente.
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