𝗔 𝘁𝗲𝗻𝘁𝗮𝗰̧𝗮̃𝗼 𝗱𝗲 𝗦𝗲𝗴𝘂𝗿𝗼 𝗲 𝗮 𝘃𝗶𝘁𝗼́𝗿𝗶𝗮 𝗱𝗲 𝗩𝗲𝗻𝘁𝘂𝗿a

A vitória de Seguro não poderia ser mais clara.

Uma vitória, antes de mais, pessoal. Partiu completamente sozinho. E, apesar do enorme e transversal apoio que granjeou, também ganhou completamente sozinho. Desde Eanes que não tínhamos um Presidente a chegar em Belém tão livre de compromissos.

Mas esta é também uma enorme vitória da democracia. Sim, por termos barrado o extremismo, mas também e principalmente pelo que Seguro representa de distanciamento em relação à forma hipermediatizada, polarizada e empobrecedora de fazer política, que dominou os últimos largos anos.

A hiper legitimidade de Seguro comporta uma tentação. Num cenário parlamentar extremamente fragmentado, e sem saída à vista, todas as pressões se viram para Belém. Sejam as mais comezinhas, relacionadas como qualquer lei, reforma ou bloqueio, sejam as mais institucionais, mesmo sistémicas. A começar pela mais evidente: a tentação de colocar em Belém o vértice de uma solução de regime que nos salve do extremismo.

Ventura é o outro vitorioso da noite. Conseguiu mais umas centenas de milhar de votos do que o CH em 2025, alastrou pelo país, e ficou claramente acima dos 31,79% da AD nas últimas eleições (por absurda que seja, esta comparação vai ser cavalgada). Ventura proclama-se, portanto, como o novo líder da direita. Esta noite, ficou mais perto de ser o próximo primeiro-ministro.

O grande – praticamente, único – derrotado da noite é Luís Montenegro. Ao colocar o PSD fora da segunda volta, ficou isolado no partido, não concentrou os votos da AD em seguro, o que facilitou o bom resultado de Ventura e terá a vida mais complicada no Parlamento.

José Luís Carneiro ganhou (mais) tempo.

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