Isto deve-se, especialmente, a dois fatores, de ordem mais psicológica
do que económica.
Desde logo, o mundo está hoje muito mais dependente dos combustíveis,
da circulação de bens, mas especialmente, de mercadorias.
Acresce que os estados, especialmente desde a epidemia, mas também
por causa dos fenómenos climáticos, tornaram-se demasiado generosos com os seus
contribuintes, quase dispensado a intervenção das seguradoras.
Estamos, porém, a jogar em aparências, das quais poderão advir
resultados contrários aos alegadamente pretendidos.
A extraordinária circulação de pessoas, especialmente
induzida pelas low cost, democratizou as férias e o turismo, mas tem um evidente
efeito nefasto no ambiente. As low cost fazem bem às pessoas, mas fazem muito mal
ao planeta. E, não nos iludamos: às low cost de pessoas corresponde uma circulação
low cost de mercadorias. Tão, ou mais, perniciosa para o planeta como as outras. Não,
não faz qualquer sentido produzir maçãs na América do Sul para vender na Europa.
Ou engarrafar água no Japão para vender no Harrods.
Quanto à hipersubsidiação do estado à economia, sob a aparência
de apoiar os que mais necessitam (ou mesmo a classe média), estes dinheiros do
Estado acabam por cair nos cofres dos mais ricos. Conforme todos os estudos
comprovam, dos momentos de crise económica planetária que temos vivido resultou sempre um enriquecimento ainda mais desproporcionado dos mais poderosos e o agravamento
do fosso relativamente aos mais pobres.
Vai acontecer novamente. Está a acontecer novamente.

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