Junho
Marcus Mumford - When I Get My Hands On You [2014]
When I set my eyes on you
Gonna keep you outta town at night
When I set my eyes on you
Not gonna be outta my sight
When I get my hands on you
Gonna make you carry me
When I get my hands on you
Gonna make you marry me
When I come home to you
Gonna take you down to the riverside
When I come home to you
Hold you in my arms all night
And now you know
Everywhere on Earth you go
You’re gonna have me as your man
lyrics by Bob Dylan / The New Basement Tapes
Gonna keep you outta town at night
When I set my eyes on you
Not gonna be outta my sight
When I get my hands on you
Gonna make you carry me
When I get my hands on you
Gonna make you marry me
When I come home to you
Gonna take you down to the riverside
When I come home to you
Hold you in my arms all night
And now you know
Everywhere on Earth you go
You’re gonna have me as your man
lyrics by Bob Dylan / The New Basement Tapes
2014 (5)
Março
De acordo com o professor Schianberg (op. cit.), não é possível determinar o momento exato em que uma pessoa se apaixona. Se fosse, ele afirma, bastaria um termômetro para comprovar sua teoria de que, nesse momento, a temperatura corporal se eleva vários graus. Uma febre, nossa única seqüela divina.
Marçal Aquino
Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios
[youtube] dylan is the new sinatra
playlist das canções cantadas por sinatra que dylan vai cantar no disco de fevereiro
playlist das canções cantadas por sinatra que dylan vai cantar no disco de fevereiro
Mark Lanegan - Torn Red Heart [2014]
you don't love
what's to love anyway?
http://timeoutjmf.blogspot.pt/2014/12/mark-lanegan-phantom-radio.html
what's to love anyway?
http://timeoutjmf.blogspot.pt/2014/12/mark-lanegan-phantom-radio.html
a Jigsaw - Have Yourself a Merry Little Christmas [1943-2014]
imagens do filme 'Meet Me In St. Louis', (1944), de Vincente Minnelli
um deputado da maioria foi a três sessões da comissão de inquérito ao caso bes e renegou toda uma vida: já não sou liberal.
dessa luz nasceu o debate. com muito ignorância à mistura - liberalismo económico vs político, europeu vs americano, neoliberalismo vs liberalismo -, mas a ignorância é atrevida e, helas!, o melhor álibi para um debate enviesado, como convém.
a crise económica e financeira, que começou em 2008, deixou claro:
- a ganância desmedida de alguns, especialmente das elites;
- o falhanço total do papel regulatório do Estado.
ambas as asserções corroem, à vez, as bases das teorias liberais.
a luz que o tal deputado diz ter visto será, então, verdadeira.
no entanto, este tipo de declarações tem de ser visto, necessariamente, à luz do ciclo eleitoral em que mergulhámos há meses.
o que o deputado está a dizer é que, também ele, quer mais estado, simplesmente porque acha que é isso que os eleitores querem. e é só isto que o deputado está a dizer.
muito por culpa da esquerda, os portugueses habituaram-se à ideia de que quanto mais estado melhor, em vez de defenderem um melhor estado social. exemplo disso são as tomadas de posição completamente incongruentes acerca, por exemplo, da pt e da tap (nada justifica a manutenção, ou regresso, dessas empresas ao sector empresarial do estado; haverá, isso sim, vantagem num sistema concorrencial com cadernos de encargos claros e exigentes e uma forte presença regulatória).
em suma. o deputado trabalha por objectivos (eleitorais); a imprensa e os intelectuais da sua área política fazem o seu papel, de centrar o debate na teoria do liberalismo e passar ao lado do essencial. a esquerda... ups, sei lá da esquerda.
dessa luz nasceu o debate. com muito ignorância à mistura - liberalismo económico vs político, europeu vs americano, neoliberalismo vs liberalismo -, mas a ignorância é atrevida e, helas!, o melhor álibi para um debate enviesado, como convém.
a crise económica e financeira, que começou em 2008, deixou claro:
- a ganância desmedida de alguns, especialmente das elites;
- o falhanço total do papel regulatório do Estado.
ambas as asserções corroem, à vez, as bases das teorias liberais.
a luz que o tal deputado diz ter visto será, então, verdadeira.
no entanto, este tipo de declarações tem de ser visto, necessariamente, à luz do ciclo eleitoral em que mergulhámos há meses.
o que o deputado está a dizer é que, também ele, quer mais estado, simplesmente porque acha que é isso que os eleitores querem. e é só isto que o deputado está a dizer.
muito por culpa da esquerda, os portugueses habituaram-se à ideia de que quanto mais estado melhor, em vez de defenderem um melhor estado social. exemplo disso são as tomadas de posição completamente incongruentes acerca, por exemplo, da pt e da tap (nada justifica a manutenção, ou regresso, dessas empresas ao sector empresarial do estado; haverá, isso sim, vantagem num sistema concorrencial com cadernos de encargos claros e exigentes e uma forte presença regulatória).
em suma. o deputado trabalha por objectivos (eleitorais); a imprensa e os intelectuais da sua área política fazem o seu papel, de centrar o debate na teoria do liberalismo e passar ao lado do essencial. a esquerda... ups, sei lá da esquerda.
Blur - The Universal [1995-2012]
it really, really, really could happen
yes, it really, really, really could happen
when the days they seem to fall through you, well just let them go
just let them go
just let them go
just let them go
just let them go
just let them go
just let them go
just let them go
just let them go
yes, it really, really, really could happen
when the days they seem to fall through you, well just let them go
just let them go
just let them go
just let them go
just let them go
just let them go
just let them go
just let them go
just let them go
Editorial do Avante! da próxima semana:
Após terem comemorado a não queda do Muro de Berlim, os proletários de todo o mundo vergaram o capitalismo americano e seus lacaios. Cuba Livre, Obama não passará. Isto já para não falar da grande vitória do colectivo norte-coreano, que, liderado pelo camarada Bernardino Soares, calou a boca suja da multinacional Sony. Os amanhãs já cá cantam!
Françoise Hardy - Il Est Trop Loin [1967]
um dos problemas das canções é que já ouvimos tudo. estas guitarras, por exemplo, tão antigas.
a revolução está, afinal, na televisão
este é um dia histórico, não tanto pela evidente derrota do comunismo (onde é que isso já vai...), mas antes pela vitória de uma concepção de democracia activa e inclusiva. obama rules.
os alicerces do mito
Estava à procura de uma ilustração para a recensão que escrevi há um mês para a Time Out sobre as Basement Tapes - e que é publicada na edição de hoje - e tropecei em duas peças que, na prática, copiam um ou dois parágrafos do meu texto. Malandros dos americanos... têm a mania que mandam nisto tudo!
http://timeoutjmf.blogspot.pt/2014/12/bob-dylan-band-tte-bootleg-series-vol.html
Frank Sinatra - I'm a Fool to Want You [1951-1957]
Esta canção foi escrita em 1951 por Frank Sinatra, no auge (!) do seu declínio musical (haveria de recuperar para a glória poucos anos depois - A década Sinatra) e também da longa e conturbada relação com Ava Gardner (da qual nunca recuperou...).
A letra é... heartbreaking, obviamente.
Esta versão é já de 1957, no período de ouro da Capitol, e bem mais interessante (voz e orquestração) que a primeira. Há dezenas de versões, mas a de Billie Holiday talvez seja a mais conseguida... após Sinatra, claro.
Este é também o primeiro tema do novo disco de Bob Dylan, a editar em 2015, integralmente preenchido com canções de Sinatra. Talvez escreva algures sobre cada uma dessas 10 canções. Logo se verá.
A letra é... heartbreaking, obviamente.
Esta versão é já de 1957, no período de ouro da Capitol, e bem mais interessante (voz e orquestração) que a primeira. Há dezenas de versões, mas a de Billie Holiday talvez seja a mais conseguida... após Sinatra, claro.
Este é também o primeiro tema do novo disco de Bob Dylan, a editar em 2015, integralmente preenchido com canções de Sinatra. Talvez escreva algures sobre cada uma dessas 10 canções. Logo se verá.
Laura Marling - Kathy's Song [2013 - Simon & Garfunkel 1966]
My mind's distracted and diffused
My thoughts are many miles away
They lie with you when you're asleep
Kiss you when you start your day
And so you see I have come to doubt
All that I once held as true
I stand alone without beliefs
The only truth I know is you
My thoughts are many miles away
They lie with you when you're asleep
Kiss you when you start your day
And so you see I have come to doubt
All that I once held as true
I stand alone without beliefs
The only truth I know is you
a edição do 85.º aniversário da Bloomberg Businessweek é talvez a melhor 'food for thought' dos últimos tempos.
a revista decidiu escolher as 85 ideias mais inovadoras ('disruptive', a bem dizer) destes 85 anos.
o resultado é, simultaneamente, desconcertante e acertado.
há coisas tão simples, como a areia para os gatos (73), que nunca nos passaria pela cabeça que tivessem esta importância, mas que, pensando bem, têm um impacto extraordinário nas nossas vidas... e na indústria dos animais domésticos.
ou, por exemplo, a inovação que foram os primeiros video-gravadores (74), que revolucionaram o modo como vemos tv - tudo o que veio a seguir (hd, dvd, box) foi apenas o aperfeiçoamento do conceito revolucionário inicial.
os smartphones, que todos hoje idolatramos, ficam-se por um modesto lugar (78), mas a simples água engarrafada está em 56, o irritante powerpoint (!) em 53 e a segurança social (yes!) em 28.
portugal tem uma referência directa (legalização do casamento gay - 35) e uma indirecta (a criação do euro - 49).
é claro que a lista é americana. algumas daquelas coisas nem conhecemos (wal mart, por exemplo, embora valha pelo conceito). mesmo o vencedor (o avião a jacto) talvez só o seja porque veio mesmo revolucionar a américa (ex: em 2014, havia 12.050 aviões destes registados nos eua, enquanto que o país que se segue na lista é o brasil, com... 764).
e o que se aprende? logo no 85.º - haverá melhor maneira de explicar o que é o PIB?
a edição em papel é uma pequena preciosidade de design, mas a versão digital não lhe fica atrás (saudade daquele som da polaroid, já para não falar do do modem...).
estava com a varinha mágica na sopa, enquanto o homem do bigode (pires?) falava.
acabei por lhe prestar mais atenção que ao ex-DDT e ao primo bacardi, dos quais apenas vi os resumos nos telejornais.
pois que concluí dos 5 minutos do pires (depois da sopa, a varinha mágica, com o respectivo acessório acoplado, tratou de um puré de batata classic style)?
basicamente, que também não sabia de nada, não falava com os outros e nem sequer sabia o que faziam os que lhe respondiam hierarquicamente. era CFO, mas não fazia nada do que é suposto um CFO fazer. e depois - que chatice! - havia umas questões interessantes que ele até poderia esclarecer, não fosse o segredo de justiça, esse danado.
não sei se foi do bigode, mas naqueles 5 minutos fiquei com a ideia de que o homem estava a gozar com os deputados, que estes estavam a perceber, mas que não se importavam muito.
(parênteses: voto no livre se sacar a mortágua ao be).
do que vi e não vi nestes extraordinários dias, concluo sem grande esforço que o bes foi um milagre de décadas e que só não foi a nobel por manifesta má vontade da academia. um banco - qual banco? um império... - gerido por pessoas que não falavam umas com as outras, que não sabiam o que os outros andavam a fazer, que nem sabem o que fizeram (o pires, com muita graça, explicou a um obediente deputado comunista que não fazia ideia do que era um documento que ele próprio assinara há dois anos...). pessoas, enfim, tão ocupadas nas suas tarefas (mas quais, senhores?) que nem se davam ao trabalho de tentar perceber o que se passava à sua volta... enfim, um milagre, o banco ter aguentado tanto tempo.
na verdade, esta é apenas mais uma história de ganância, incompetência e parolice, dessas que tanto caracterizam o patronato português. alguns distraídos pensavam que isso só se passava com os patos-bravos, as cooperativas de taxistas e os angariadores de sucatas. não, este é o nosso patronato em todo o seu esplendor. podemos continuar a culpar os funcionários públicos, a classe média, a falta de qualificação, o gajo que sai a meio da manhã para tomar café, os sindicalistas dinossáuricos... mas enquanto a riqueza da nação, a sua economia, for gerida (!?) por gente assim não sairemos disto.
acabei por lhe prestar mais atenção que ao ex-DDT e ao primo bacardi, dos quais apenas vi os resumos nos telejornais.
pois que concluí dos 5 minutos do pires (depois da sopa, a varinha mágica, com o respectivo acessório acoplado, tratou de um puré de batata classic style)?
basicamente, que também não sabia de nada, não falava com os outros e nem sequer sabia o que faziam os que lhe respondiam hierarquicamente. era CFO, mas não fazia nada do que é suposto um CFO fazer. e depois - que chatice! - havia umas questões interessantes que ele até poderia esclarecer, não fosse o segredo de justiça, esse danado.
não sei se foi do bigode, mas naqueles 5 minutos fiquei com a ideia de que o homem estava a gozar com os deputados, que estes estavam a perceber, mas que não se importavam muito.
(parênteses: voto no livre se sacar a mortágua ao be).
do que vi e não vi nestes extraordinários dias, concluo sem grande esforço que o bes foi um milagre de décadas e que só não foi a nobel por manifesta má vontade da academia. um banco - qual banco? um império... - gerido por pessoas que não falavam umas com as outras, que não sabiam o que os outros andavam a fazer, que nem sabem o que fizeram (o pires, com muita graça, explicou a um obediente deputado comunista que não fazia ideia do que era um documento que ele próprio assinara há dois anos...). pessoas, enfim, tão ocupadas nas suas tarefas (mas quais, senhores?) que nem se davam ao trabalho de tentar perceber o que se passava à sua volta... enfim, um milagre, o banco ter aguentado tanto tempo.
na verdade, esta é apenas mais uma história de ganância, incompetência e parolice, dessas que tanto caracterizam o patronato português. alguns distraídos pensavam que isso só se passava com os patos-bravos, as cooperativas de taxistas e os angariadores de sucatas. não, este é o nosso patronato em todo o seu esplendor. podemos continuar a culpar os funcionários públicos, a classe média, a falta de qualificação, o gajo que sai a meio da manhã para tomar café, os sindicalistas dinossáuricos... mas enquanto a riqueza da nação, a sua economia, for gerida (!?) por gente assim não sairemos disto.
'pessoa do ano' é singular, nome próprio. o combate ao ébola poderia ser 'o acontecimento do ano'...
às vezes, estas 'inovações'/tentações dos media entediam-me.
sempre considerei que os media servem, entre outras coisas, para me arrumar o mundo, para me ajudarem a perceber/racionalizar o mundo. para o desarrumar, anarquizar, já há tanta gente, tanto mundo.
Scott Matthews - The Outsider [2014]
I’m strong and free but bending easy in the breeze
Its hard if you don’t weaken in this life
Still I hope, I pray for now.
I fool the lonely road
As we exchange our vows
I take the lawful road
To be my heaven bound
For better for worse.
Its hard if you don’t weaken in this life
Still I hope, I pray for now.
I fool the lonely road
As we exchange our vows
I take the lawful road
To be my heaven bound
For better for worse.
um dos temas actualmente mais debatidos entre os especialistas de media dos eua é o caso da reportagem-choque da rolling stone sobre uma violação numa universidade, que, afinal, não ocorreu exactamente como a rs contou, ou, pior, talvez não tenha sequer acontecido.
quer a reportagem inicial, quer o pedido de desculpa da rs e todo o o noticiário subsequente, estão a ter enorme repercussão e extravasam já os tais circuitos de debate sobre os media.
[enquanto isso, o despedimento de um pivô da televisão canadiana e o caso de bill cosby - sobre o qual se multiplicam as acusações de agressão sexual - têm igualmente sido notícia].e é neste cenário de fundo que o penúltimo episódio de newsroom trata do tema da cobertura jornalística de um caso de violação numa universidade, parecendo à primeira vista que os argumentistas se teriam inspirado no caso da rs. no entanto, o episódio foi escrito e gravado muito antes de a rs ter publicado a sua história.
once again... a realidade a imitar a ficção e não o contrário.
a empresa com que pedro j. ramirez - o famoso ex-director do el mundo - se vai relançar tem o revelador nome de no hace falta papel.
para já, a detentora da empresa é a filha, sinal de que pelo menos a sucessão dinástica, tão querida ao mundo analógico, mantém-se válida no digital. e, claro, continua a ser preciso muito "papel".
uma aventura a seguir com muita atenção.
vale a pena ouvir jeff bridges narrar a viagem que levou bob dylan às basement tapes.
(disponível apenas no facebook de dylan).
o trabalho jornalístico, especialmente o televisivo, visa hoje quase em exclusivo "intimidar alguém de modo a provocar-lhe um discurso impreciso e desconexo." joão lopes chama-lhe, com propriedade, "estupidez moral".
David Bowie - America [20.Out.2001 - Simon and Garfunkel 1968]
(da categoria: dos melhores primeiros versos de sempre)
(da categoria: uma das melhores versões de sempre de uma das melhores canções de sempre)
(da categoria: uma das melhores versões de sempre de uma das melhores canções de sempre)
jornalistas, justiça, imagens, directos
estou a ver o episódio 3 da série 3 de newsroom.
[ao contrário do que é habitual, a série está agora ainda melhor - e os três episódios já exibidos deveriam ser obrigatórios nas escolas e redacções, especialmente pelo modo como tratam o tema do relacionamento entre os jornalista e as fontes.]o fbi invade a redacção e vasculha apontamentos e computadores dos jornalistas, à procura de pistas sobre uma fonte acusada de espionagem.
[para quem não é entendido nestas coisas do jornalismo: as redacções, os apontamentos, os telefones e os computadores dos jornalistas são território sagrado/interdito, precisamente para proteger as fontes, um dos princípios basilares da profissão.]a reacção da redacção é espectacular: começam a fazer todos os preparativos para interromper a emissão e divulgar em directo as buscas de que estão a ser alvo.
percebendo a armadilha, o fbi recua e suspende a operação em curso. obviamente, seria impensável que uma operação judicial daquelas pudesse ser filmada, muito menos emitida em directo.
isto, mesmo em ficção, passa-se noutro planeta que não o nosso.
o episódio passou esta semana em portugal.
o arquitecto saraiva, cujo único e exclusivo contributo para o jornalismo português (quiçá, mundial - daí a candidatura expontânea ao Nobel) foi a invenção do saco de plástico, viu hoje reconhecido o seu mérito de forma derradeira e sem margem para dúvida: o saco Ricardo Costa, de papel e talvez amigo do ambiente, desfaz-se ao primeiro toque, deixando os leitores do expresso de cócoras a apanhar papel do chão. uma posição, no mínimo, deselegante para os frequentadores do jornalismo de maior peso a nível nacional, talvez mundial.
Kings of Convenience - Homesick [2004] Simon and Garfunkel - Homeward Bound [1966]
but i can't stop listening to the sound
of two soft voices blended in perfection
from the reels of this record that i found
Media portugueses [modo de usar]
1. O Prof. Marcelo lê uma carta idiota e demagógica de uma alegada criança de VF Xira que terá ido ao Parlamento e viu os deputados fixados em "mulheres avantajadas".
2. A coisa é notícia porque foi o Prof. Marcelo a ler a carta - todos os dias há palermices destas nas redes sociais e, obviamente, não são notícia - e porque em Portugal se criou a ideia espantosa e perversa de que os comentadores são (e dão) notícia.
4. A generalidade dos media reproduz a informação do estudante de economia. Nenhum dos media cumpre os serviços mínimos do jornalismo: confirmar a informação (ligar para a escola, tentar falar com profs., alunos, etc). Alguns dos media, mais espantosamente, incorporam toda a informação do estudante (que, não sendo jornalista, não tem deveres de confirmação), sem sequer citar a fonte.
5. Entretanto, alguns jornalistas ligam para a escola de VF Xira e recebem a informação do Conselho Executivo de que houve, de facto, uma visita ao Parlamento naquele dia e àquela hora. Não estava era agendada.
6. A esta hora [quinta-feira de manhã], esta informação apenas circula ainda nas redes sociais, mas é expectável que, nas próximas horas, salte para os media tradicionais.
2. A coisa é notícia porque foi o Prof. Marcelo a ler a carta - todos os dias há palermices destas nas redes sociais e, obviamente, não são notícia - e porque em Portugal se criou a ideia espantosa e perversa de que os comentadores são (e dão) notícia.
Nota 1: qualquer jornalista que tenha trabalhado no Parlamento sabe que a situação descrita na carta não é verosímil;
Nota 2: a primeira notícia (DN) utiliza como muleta uma reacção de um deputado (José Magalhães), que tem exposto nas redes sociais a sua actividade parlamentar, de uma forma, no mínimo, discutível;
Nota 3: utilizar afirmações de uma criança como fonte (como fez Marcelo e depois os media) é deontologicamente muitíssimo discutível (as crianças são fonte de notícia, e mesmo assim com mil cuidados, apenas para temas do seu interesse directo).3. Entretanto, um estudante de economia publica nas redes sociais uma espécie de desmentido - naquele dia e àquela hora, não houve qualquer visita de uma escola de VF Xira à AR, ao contrário do que dizia a carta lida por Marcelo. A informação baseava-se na agenda do Parlamento, que, aliás, está disponível no respectivo site.
4. A generalidade dos media reproduz a informação do estudante de economia. Nenhum dos media cumpre os serviços mínimos do jornalismo: confirmar a informação (ligar para a escola, tentar falar com profs., alunos, etc). Alguns dos media, mais espantosamente, incorporam toda a informação do estudante (que, não sendo jornalista, não tem deveres de confirmação), sem sequer citar a fonte.
5. Entretanto, alguns jornalistas ligam para a escola de VF Xira e recebem a informação do Conselho Executivo de que houve, de facto, uma visita ao Parlamento naquele dia e àquela hora. Não estava era agendada.
6. A esta hora [quinta-feira de manhã], esta informação apenas circula ainda nas redes sociais, mas é expectável que, nas próximas horas, salte para os media tradicionais.
Conclusão: há aqui muita matéria de reflexão sobre o relacionamento dos media com as redes sociais, mas esse não é o ponto fundamental. O ponto fundamental é que, em todos os momentos deste caso, foram os media, sempre os media e apenas os media, que falharam na sua missão. Isto, sim, é espantoso, significativo e muito preocupante.
o guardian está a remodelar o site e começou pela cultura.
interessante, nos bons media dos países que têm bons media, é que remodelar não significa fazer algo completamente diferente, mas sim desenvolver o que já era bom.
por isso, na nova cultura do guardian online, há tanta coisa boa e tantas pistas sobre o futuro próximo dos media, do online, e do jornalismo cultural.
gosto muito, por exemplo, da atenção muito especial que é dada à fotografia.
[Gathering Water Lilies, 1886, by Peter Henry Emerson]
interessante, nos bons media dos países que têm bons media, é que remodelar não significa fazer algo completamente diferente, mas sim desenvolver o que já era bom.
por isso, na nova cultura do guardian online, há tanta coisa boa e tantas pistas sobre o futuro próximo dos media, do online, e do jornalismo cultural.
gosto muito, por exemplo, da atenção muito especial que é dada à fotografia.
[Gathering Water Lilies, 1886, by Peter Henry Emerson]
estamos na época das listas. lembrei-me disso porque vi alguém (alguéns) por aí a protestar contra as listas. as pessoas protestam contra as listas da mesma forma e pelos mesmos motivos por que protestaram contra o calor no tempo do calor e contra a chuva no tempo dela. as pessoas habituaram-se a protestar e fazem disso um estilo de vida. fazem disso a vida e isso é uma coisa que me faz uma confusão do caraças. porque protestar por protestar é uma coisa que ocupa tempo e até espaço e as pessoas assim ficam com menos tempo e espaço para viver. mas eu apenas registo e não protesto. quero lá saber. é o protesto, perdão, a vida delas.
mas o que eu queria mesmo era protestar contra a lista da rolling stone dos melhores discos do ano. a rolling acha que ainda determina o cânone da indústria musical, mas já não determina. também não convém dizer-lhes isso, como naquela história do fulano que está morto e ainda ninguém o avisou. até porque a rolling stone não está morta - long live rolling stone - e ainda é uma revista bem jeitosa. é aliás frequentemente melhor que as congéneres (que bela palavra) até algumas similares, já para não falar das concorrentes.
mas onde é que íamos mesmo? ah, nos u2... melhor disco do ano? get a life rolling stone.
olha, antes música para encantar camelos!
Tinariwen - Toumast Tincha [Emmaar, 2014]
mas o que eu queria mesmo era protestar contra a lista da rolling stone dos melhores discos do ano. a rolling acha que ainda determina o cânone da indústria musical, mas já não determina. também não convém dizer-lhes isso, como naquela história do fulano que está morto e ainda ninguém o avisou. até porque a rolling stone não está morta - long live rolling stone - e ainda é uma revista bem jeitosa. é aliás frequentemente melhor que as congéneres (que bela palavra) até algumas similares, já para não falar das concorrentes.
mas onde é que íamos mesmo? ah, nos u2... melhor disco do ano? get a life rolling stone.
olha, antes música para encantar camelos!
Tinariwen - Toumast Tincha [Emmaar, 2014]
and it's a hard, it's a hard, it's a hard, and it's a hard, It's a hard rain's a-gonna fall
And what'll you do now, my blue-eyed son?
And what'll you do now my darling young one?
I'm a-goin' back out 'fore the rain starts a-fallin'
I'll walk to the depths of the deepest black forest
Where the people are a many and their hands are all empty
Where the pellets of poison are flooding their waters
Where the home in the valley meets the damp dirty prison
And the executioner's face is always well hidden
Where hunger is ugly, where souls are forgotten
Where black is the color, where none is the number
And I'll tell and speak it and think it and breathe it
And reflect from the mountain so all souls can see it
And I'll stand on the ocean until I start sinkin'
But I'll know my song well before I start singing
And it's a hard, it's a hard, it's a hard, and it's a hard It's a hard rain's a-gonna fall
[bob dylan 1962; bryan ferry 1973-2007]
And what'll you do now my darling young one?
I'm a-goin' back out 'fore the rain starts a-fallin'
I'll walk to the depths of the deepest black forest
Where the people are a many and their hands are all empty
Where the pellets of poison are flooding their waters
Where the home in the valley meets the damp dirty prison
And the executioner's face is always well hidden
Where hunger is ugly, where souls are forgotten
Where black is the color, where none is the number
And I'll tell and speak it and think it and breathe it
And reflect from the mountain so all souls can see it
And I'll stand on the ocean until I start sinkin'
But I'll know my song well before I start singing
And it's a hard, it's a hard, it's a hard, and it's a hard It's a hard rain's a-gonna fall
[bob dylan 1962; bryan ferry 1973-2007]
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