VPV no DN


De Vasco Pulido Valente, uma pequena história, que certamente não fará parte de qualquer biografia autorizada. Início dos anos 90, Diário de Notícias, acabado de regressar ao setor privado, a definhar face ao jovem azougado e acutilante Público, de Vicente Jorge Silva, e ao inevitável e crescente CM.
No redesenho total (redação, grafismo, estilo, tudo) que Mário Bettencourt Resendes empreendeu - e que levaria o jornal à liderança na segunda metade da década -, havia um suplemento de Cultura, assim, com C maiúsculo. Que tinha editores e redação residentes, mas que na prática, em várias das suas edições (não todas...), era "editado" por VPV.
 Acontecia assim: o Mário ia almoçar com VPV, discutiam umas coisas, e depois, com aquelas artes diplomáticas que lhe eram características, lá arranjava maneira de a redação acreditar que estava a editar, ou seja, a gerar e gerir ideias, quando na realidade quem editava era o VPV. Lembro-me, por exemplo, de uma célebre edição em que VPV ajustou contas com outros que, como ele, ocuparam a pasta governamental da Cultura.

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Na década seguinte, VPV ocupou uma coluna da última página, em alguns dias da semana, e eram épicos (até porque atrasavam o jornal...) os debates entre VPV e alguns revisores acerca de uma vírgula, ou a exatidão de uma expressão. Foi nessa altura que fizemos uma manchete de página inteira com o título "Sopram ventos de loucura", retirado da tal crónica de VPV, e que usámos para encabeçar uma lista de maluqueiras de alto calibre que assolavam o planeta. Ainda lembro os olhos de miúdo traquina e divertido do Mário, a explicar a ideia, e a alegria do José Maria Ribeirinho, por ter a oportunidade de brincar com mais uma primeira. Uma manchete feita a partir de uma crónica...

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 Há também uma ou outra coisita em que VPV fez muito mal ao DN. Mas isso não vão ler hoje aqui.

A minha despedida de José Mário Branco



Eu sei que hoje é o dia de partilhar a Queixa, a Inquietação, ou mesmo o FMI.
Partilho o início da Canção dos Despedidos:
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Somos explorados no trabalho, e não só
Também somos o lixo
Lixo na tê-vê, quem lá está e quem vê
Lixo no jornal, voz do seu capital
Estamos entregues aos bichos
E o lixo produz mais lixo
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A canção, de 2004, integra o disco Canções Escolhidas, de 2018, que - parece-me - José Mário Branco quis que fosse o seu testamento. Estão lá as mais conhecidas e uns dois ou três murros no estômago, como este. Para as novas e para as futuras gerações.
Só há um José Mário Branco, Que vai dos fabulosos discos do Zeca ao renascimento do fado com Camané. E que queria um mundo novo e bom a cada canção. Um José Mário Branco inteiro, único, radical.
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Lembro aquele fim de tarde de 6 de junho de 2018, na Fnac do Chiado, para apresentar Inéditos 1967-1999, em conversa com Nuno Pacheco.
Uma hora e tal de uma tremenda lição de música e política e vida. Um nó na garganta pela sensação de que aquela era apenas mais uma peça de uma tournée de despedida - a reedição integral dos discos, o disco de inéditos, a colectânea das Canções Escolhidas, entrevistas de vida, como de costume, sem rodeios, com a sinceridade toda do mundo. Partir em paz, missão cumprida. Não desistam, porra.
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Guardo apertados os abraços em letra linda, linda, desse 6 de junho.




How Do You Keep The Music Playing - não é uma canção sobre a música, mas sobre o amor. Como (quase) todas as de Sinatra. Sobre o amor e a vida, enfim.
Escolhi 3 mãos cheias das canções de que mais gosto dele. E essa é, não a minha prenda de Natal, mas a companhia que vos ofereço para 2019.

I've been told and I believe
That life is meant for livin'
And even when my chips are low
There's still some left for givin'

I've been many places
Maybe not as far as you
So I think I'll stay awhile
And see if some dreams come true



croire aux cieux croire aux dieux
même quand tout nous semble odieux
que notre cœur est mis à sang et à feu


tivesse eu juízo, ter-me-ia estreado este ano em paredes de coura. pelo menos, por marlon williams, se outras coisas não houvesse.
não será, também não sou a rolling stone para o dizer, o futuro do rock. mas é o tipo de música que me faz parar tudo e repetir até mais não.
faz-me lembrar - a atitude, a voz, o tema - outro herói muito privado, íntimo até - richard hawley, ao qual não tenho dedicado ultimamente a atenção devida.
marlon, neozelandês a fazer música absolutamente americana. ao segundo disco, uma digressão em sangue por uma paixão perdida. lindo, claro.




era sábado e havia uma manif da inter.

Joan Baez - Whistle Down The Wind [2018, Tom Waits]


pedro mexia, ao observador
a vida explica-se a ela própria. às vezes, na tentativa de explicação da vida, e nisso estão juntos poetas e filósofos, perde-se a vida. a vida explica-se a ela própria, às vezes é uma questão de tempo. e às vezes não há nada para explicar. siga.

tracey thorn, a girl dos everything but the girl, tem vindo a construir uma discreta, mas muito interessante, carreira a solo