another pair of eyes to help us see the world with. We call that emotion by love, too, but perhaps it needs a better name, and a song or two of its own.
p de portugal, p de (santa) paciência
- ah, sobre isso quem sabe mesmo tudo é a dra. fulana.
vais falar com a dra. fulana e dizes à dra. fulana que só precisas mesmo de uma, apenas uma, informação. nem dizes sound bite, para não baralhar muito a dra. fulana.
mas a dra. fulana desata a falar, que não concorda com não sei o quê, e que não sei quem não fez coisa e tal. e ao fim de uns minutos percebes que a dra. fulana não te vai dizer nada que se aproveite.
é nessa altura que te passa pela cabeça a ideia do suicídio assistido. a dra. fulana suicidava-se e tu assistias.
vais falar com a dra. fulana e dizes à dra. fulana que só precisas mesmo de uma, apenas uma, informação. nem dizes sound bite, para não baralhar muito a dra. fulana.
mas a dra. fulana desata a falar, que não concorda com não sei o quê, e que não sei quem não fez coisa e tal. e ao fim de uns minutos percebes que a dra. fulana não te vai dizer nada que se aproveite.
é nessa altura que te passa pela cabeça a ideia do suicídio assistido. a dra. fulana suicidava-se e tu assistias.
Canções para o resto da vida [44]
Françoise Hardy, dizem-me as notícias, despede-se da vida na pior das circunstâncias, pressentindo a morte. No seu último livro (Avis Non Autorisés..., Março 2015), o tempo vai oscilando entre a memória dos homens públicos com quem se cruzou e a amargura dos últimos anos.
Não há uma canção de Françoise Hardy de que não goste; há canções quase banais de outros de que só gosto na voz de Françoise Hardy.
Sei exactamente (coisa rara) do que gosto em Françoise Hardy: aquela tristeza alegre, a alegria sempre um pouco triste.
Françoise Hardy - Tant de Belles Choses (2004)
Même s'il me faut aller plus loin
couper les ponts, changer de train
L'amour est plus fort que le chagrin
l'amour qui fait battre nos coeurs
va sublimer cette douleur
Transformer le plomb en or
Tu as tant de belles choses à vivre encore
Tu verras au bout du tunnel
se dessiner un arc-en-ciel
et refleurir les lilas
Tu as tant de belles choses devant toi
Não há uma canção de Françoise Hardy de que não goste; há canções quase banais de outros de que só gosto na voz de Françoise Hardy.
Sei exactamente (coisa rara) do que gosto em Françoise Hardy: aquela tristeza alegre, a alegria sempre um pouco triste.
Françoise Hardy - Tant de Belles Choses (2004)
Même s'il me faut aller plus loin
couper les ponts, changer de train
L'amour est plus fort que le chagrin
l'amour qui fait battre nos coeurs
va sublimer cette douleur
Transformer le plomb en or
Tu as tant de belles choses à vivre encore
Tu verras au bout du tunnel
se dessiner un arc-en-ciel
et refleurir les lilas
Tu as tant de belles choses devant toi
] tentar perceber
fazer sentido [
fascinante, no ofício de viver, como diria o italiano, é o trabalho constante de construção que fazemos sobre nós próprios e sobre os outros e o mundo.
como se cada dia - cada segundo... - comportasse em si uma infinidade de possibilidades, que escolhemos e combinamos incessantemente.
tentar perceber - o jogo da infância eterna. a curiosidade que nos move, literalmente, porque sem ela nada acontece.
fazer sentido - nada do que é, do que existe, nos é indiferente, mesmo aquilo a que nos julgamos indiferentes. que cada um de nós possa criar um sentido único para tudo é talvez a maior maravilha de viver.
fazer sentido [
fascinante, no ofício de viver, como diria o italiano, é o trabalho constante de construção que fazemos sobre nós próprios e sobre os outros e o mundo.
como se cada dia - cada segundo... - comportasse em si uma infinidade de possibilidades, que escolhemos e combinamos incessantemente.
tentar perceber - o jogo da infância eterna. a curiosidade que nos move, literalmente, porque sem ela nada acontece.
fazer sentido - nada do que é, do que existe, nos é indiferente, mesmo aquilo a que nos julgamos indiferentes. que cada um de nós possa criar um sentido único para tudo é talvez a maior maravilha de viver.
Canções para o resto da vida [43]
O Céu é um bar onde a nossa canção preferida toca toda a noite, noite após a noite.
Acho uma delícia, esta descrição do Inferno, perdão, do Céu, feita por David Byrne.
Há poucas bandas, como os Talking Heads, em que apenas o humor é uma ameaça à inteligência.
Talking Heads - Heaven [1979]
when this kiss is over it will start again
it will not be any different, it will be exactly the same
Acho uma delícia, esta descrição do Inferno, perdão, do Céu, feita por David Byrne.
Há poucas bandas, como os Talking Heads, em que apenas o humor é uma ameaça à inteligência.
Talking Heads - Heaven [1979]
when this kiss is over it will start again
it will not be any different, it will be exactly the same
fui duas vezes ao cinema nos últimos tempos. ou melhor, três... não, espera aí.
a primeira foi para ver um filme de que gostei muito.
mas, já que estava ali, decidi comprar bilhete para a sessão a seguir, a da meia noite.
primeiro erro: comprar o segundo bilhete; bastava não ter saído da zona das salas.
mas houve um segundo erro: a entrada na sala.
entrei. fiquei sozinho e, estrategicamente, sentei-me rigorosamente ao centro.
começa o filme e, à parte a língua (o francês), tudo me parecia estranho.
ao fim de uns dez minutos, rola o genérico e, zás, percebo que estou na sala errada.
só que, decorridos todos aqueles minutos, já não valia a pena mudar-me para a 9, onde iria perder o início. fiquei por ali.
ao fim de meia hora, o meu dilema era moral: o filme era uma enorme estopada, mas eu estava numa sessão privada, só para mim. se saísse, o projectista (ideia tonta, eu sei, já não há disso) iria ficar triste. afinal, perderia cem por cento da audiência.
aguentei, portanto, mais uns minutos, vinte talvez. mas aquilo era demais: saí suavemente, de forma a não perturbar o enorme vazio, na sala e na tela.
não virei as costas, mas adivinhei o ar desolado dos actores: 'e agora, continuamos?´. a pergunta, meus amigos - eles, não vocês - é retórica. vocês, na verdade, não estavam a fazer nada. tentavam, apenas, demonstrar o enorme vazio que pode ser o passar do tempo.
a outra ida ao cinema foi para um filme sueco de que os jornais falam hoje e que terá sido premiado em veneza.
fomos à ante-estreia, com bilhetes sacados num concurso do facebook.
a sala estava cheia, presumo que apenas com borlas. ao fim de vinte minutos, um casal levantou-se e logo a seguir outro. nas últimas filas, uns gandulos riam-se a despropósito. ao fim de uns 50 minutos, a sala estava meio vazia.
o que mais me espantava era a desfaçatez de quem saía, a forma ostensiva como o faziam. aquilo era quase um desafio para quem ficava.
comentámos: 'saímos?'. concordámos em ficar. confesso que o dilema voltava a ser moral: como rejeitar algo que me tinha sido dado? tivesse pago o bilhete e era capaz de ter saído.
quando trabalhava nos jornais, costumava comentar que qualquer merda impressa passava a ser notícia (sim, eu sei, está tudo muito pior...). mas a verdade é que não conheço outra actividade em que a merda tenha ganho tal estatuto de arte como o cinema.
a primeira foi para ver um filme de que gostei muito.
mas, já que estava ali, decidi comprar bilhete para a sessão a seguir, a da meia noite.
primeiro erro: comprar o segundo bilhete; bastava não ter saído da zona das salas.
mas houve um segundo erro: a entrada na sala.
entrei. fiquei sozinho e, estrategicamente, sentei-me rigorosamente ao centro.
começa o filme e, à parte a língua (o francês), tudo me parecia estranho.
ao fim de uns dez minutos, rola o genérico e, zás, percebo que estou na sala errada.
só que, decorridos todos aqueles minutos, já não valia a pena mudar-me para a 9, onde iria perder o início. fiquei por ali.
ao fim de meia hora, o meu dilema era moral: o filme era uma enorme estopada, mas eu estava numa sessão privada, só para mim. se saísse, o projectista (ideia tonta, eu sei, já não há disso) iria ficar triste. afinal, perderia cem por cento da audiência.
aguentei, portanto, mais uns minutos, vinte talvez. mas aquilo era demais: saí suavemente, de forma a não perturbar o enorme vazio, na sala e na tela.
não virei as costas, mas adivinhei o ar desolado dos actores: 'e agora, continuamos?´. a pergunta, meus amigos - eles, não vocês - é retórica. vocês, na verdade, não estavam a fazer nada. tentavam, apenas, demonstrar o enorme vazio que pode ser o passar do tempo.
a outra ida ao cinema foi para um filme sueco de que os jornais falam hoje e que terá sido premiado em veneza.
fomos à ante-estreia, com bilhetes sacados num concurso do facebook.
a sala estava cheia, presumo que apenas com borlas. ao fim de vinte minutos, um casal levantou-se e logo a seguir outro. nas últimas filas, uns gandulos riam-se a despropósito. ao fim de uns 50 minutos, a sala estava meio vazia.
o que mais me espantava era a desfaçatez de quem saía, a forma ostensiva como o faziam. aquilo era quase um desafio para quem ficava.
comentámos: 'saímos?'. concordámos em ficar. confesso que o dilema voltava a ser moral: como rejeitar algo que me tinha sido dado? tivesse pago o bilhete e era capaz de ter saído.
quando trabalhava nos jornais, costumava comentar que qualquer merda impressa passava a ser notícia (sim, eu sei, está tudo muito pior...). mas a verdade é que não conheço outra actividade em que a merda tenha ganho tal estatuto de arte como o cinema.
Canções para o resto da vida [42]
Em certas alturas da vida, o difícil é mantermo-nos indiferentes ao paleio da idade para onde (quase) todos nos querem empurrar. Ninguém acredita que nunca parámos um momento a pensar nessa coisa da idade e nem sabemos precisamente do que estão a falar. A idade, como o tempo e mais meia dúzia de temas, é apenas small talk para quem não tem mais talk algum.
Agora, que parei uns segundos para escrever sobre a coisa, dou comigo a pensar que idade deve uma coisa parecida com deus. Há quem acredite, quem não acredite e quem, entre os quais me incluo, que encara a coisa como uma possibilidade teórica da qual desconhece a realidade prática. Idade? Sim, é capaz de haver. Um dia, quem sabe?, pensarei nisso.
53 anos (belo número, by the way...) separam esta duas versões. Nota-se muito?
Frank Sinatra - Young at Heart (1953)
Tom Waits - Young at Heart (2006)
Agora, que parei uns segundos para escrever sobre a coisa, dou comigo a pensar que idade deve uma coisa parecida com deus. Há quem acredite, quem não acredite e quem, entre os quais me incluo, que encara a coisa como uma possibilidade teórica da qual desconhece a realidade prática. Idade? Sim, é capaz de haver. Um dia, quem sabe?, pensarei nisso.
53 anos (belo número, by the way...) separam esta duas versões. Nota-se muito?
Frank Sinatra - Young at Heart (1953)
Tom Waits - Young at Heart (2006)
The Tallest Man On Earth - Sagres [2015]
we were travellers, so blind
went to where the world did end
read of deaths in waves and out
so this is when we walked away
and the sadness i suppose
gonna hold me to the ground
where i'm forced to find the still
in a place you won't be 'round
went to where the world did end
read of deaths in waves and out
so this is when we walked away
and the sadness i suppose
gonna hold me to the ground
where i'm forced to find the still
in a place you won't be 'round
há dias, numa conferência sobre gestão (!), o fulano tentava explicar a nossa resistência à mudança - um gesto de negatividade, já que a vida é movimento, logo mudança - com o nosso acto primordial de vontade: o momento em que, por gestos, acenando a cabeça ou empurrando com as mãos, rejeitamos o leite materno ('não quero mais'). mesmo antes, muito antes, da primeira palavra.
esse gesto de negação marca-nos para a vida e, por isso, dizer não é o que fazemos com mais facilidade e tomamos por natural.
ora, só o sim é criador. e isto não foi o conferencista que disse.
esse gesto de negação marca-nos para a vida e, por isso, dizer não é o que fazemos com mais facilidade e tomamos por natural.
ora, só o sim é criador. e isto não foi o conferencista que disse.
Canções para o resto da vida [41]
Elvis não é propriamente consensual. Ele encarna uma certa América deslumbrada e parola, é certo, mas, nos seus melhores momentos, regressa ao menino da mamã do seu primeiro disco e é simplesmente divertido, nos limites da ingenuidade.
Há um momento na sua carreira de que gosto especialmente - o programa de televisão que gravou, em 1968, e que ficou conhecido como Comeback Special. Tem alguns dos tais momentos grandiosos a roçar o foleiro, mas tem uns larguíssimos minutos do melhor que já vi/ouvi: a sessão acústica (talvez o primeiro unplugged da história).
One Night With You, que na versão original já é uma canção do caraças, surge aqui simplesmente fabulosa.
Elvis Presley - One Night With You [1968)
Há um momento na sua carreira de que gosto especialmente - o programa de televisão que gravou, em 1968, e que ficou conhecido como Comeback Special. Tem alguns dos tais momentos grandiosos a roçar o foleiro, mas tem uns larguíssimos minutos do melhor que já vi/ouvi: a sessão acústica (talvez o primeiro unplugged da história).
One Night With You, que na versão original já é uma canção do caraças, surge aqui simplesmente fabulosa.
Elvis Presley - One Night With You [1968)
Canções para o resto da vida [40]
Nunca se saberá se a canção é sobre Joan Baez, outra qualquer, ele próprio, ou coisa nenhuma.
Dylan estava no auge da sua criatividade e uma das suas preocupações subliminares era não se deixar fixar em qualquer instantâneo fotográfico. Ele era o perfeito herói anti-herói, as letras das canções permitiam todas as interpretações, o lirismo de um verso dobrava a esquina e já era cinismo no verso seguinte. Em meia dúzia de anos, Dylan fazia de si próprio um mito.
Esta é uma das suas canções que melhores versões gerou. Gosto particularmente das dos Animals (Eric Burdon), Bryan Ferry e Gal Costa.
E tem um dos meus versos preferidos de Dylan: 'crying like a fire in the sun'.
Bob Dylan - It's All Over Now, Baby Blue (1965)
Dylan estava no auge da sua criatividade e uma das suas preocupações subliminares era não se deixar fixar em qualquer instantâneo fotográfico. Ele era o perfeito herói anti-herói, as letras das canções permitiam todas as interpretações, o lirismo de um verso dobrava a esquina e já era cinismo no verso seguinte. Em meia dúzia de anos, Dylan fazia de si próprio um mito.
Esta é uma das suas canções que melhores versões gerou. Gosto particularmente das dos Animals (Eric Burdon), Bryan Ferry e Gal Costa.
E tem um dos meus versos preferidos de Dylan: 'crying like a fire in the sun'.
Bob Dylan - It's All Over Now, Baby Blue (1965)
| it rained last night, há uma semana, no instagram |
conhecia o david clifford 'apenas' das belíssimas fotografias que publicava, há uns anos, no público.
há um mês, a time out pediu-me (e a mais três ou quatro) um curto texto sobre a feira da livro e decidiu ilustrar essas micro reportagens com uns retratos bem dispostos dos autores.
em menos de 5 minutos, num estúdio improvisado, o david aviou as tais fotos divertidas.
nos textos que sobre ele escreveram os amigos, hoje, nas redes sociais, percebe-se que, além de excelente fotógrafo, era também um ser humano fora de série.
nos últimos anos, vivia de biscates, era apenas mais um dos que o 'sistema' usou e deitou fora. tinha 40 anos.
Canções para o resto da vida [39]
Há acidez da primeira à última palavra e a canção chega a ser pornográfica na forma como expõe a relação da cantora com Bob Dylan.
Joan Baez - Diamonds and Rust (1975)
now you're telling me
you're not nostalgic
then give me another word for it
you who are so good with words
and at keeping things vague
because I need some of that vagueness now
it's all come back too clearly
yes I loved you dearly
and if you're offering me diamonds and rust
I've already paid.
Joan Baez - Diamonds and Rust (1975)
now you're telling me
you're not nostalgic
then give me another word for it
you who are so good with words
and at keeping things vague
because I need some of that vagueness now
it's all come back too clearly
yes I loved you dearly
and if you're offering me diamonds and rust
I've already paid.
22
i was once like you are now
and i know that it's not easy
to be calm when you've found
something going on
but take your time, think a lot
why, think of everything you've got
for you will still be here tomorrow
but your dreams may not
and i know that it's not easy
to be calm when you've found
something going on
but take your time, think a lot
why, think of everything you've got
for you will still be here tomorrow
but your dreams may not
Canções para o resto da vida [38]
Apaixonei-me por esta canção há muito tempo, na versão de Neil Young [sobre a canção, ler aqui].
É uma canção para todas as estações, para a estação das despedidas, para a estação dos reencontros, para a estação dos encontros, e para a estação do 'movin' on'.
Às vezes, cheguei a pensar que tinha sido escrita a pensar em mim, o melhor que se pode pensar de uma canção.
Neil Young - Four Strong Winds
É uma canção para todas as estações, para a estação das despedidas, para a estação dos reencontros, para a estação dos encontros, e para a estação do 'movin' on'.
Às vezes, cheguei a pensar que tinha sido escrita a pensar em mim, o melhor que se pode pensar de uma canção.
Neil Young - Four Strong Winds
Canções para o resto da vida [37]
Gosto muito de Joni Mitchell, coisa muito menos consensual do que imaginava há uns anos [cf. aqui].
E, claro, gosto mesmo muito de A Case of You. A ideia de beber uma caixa de ti...
E gosto muito de River, uma canção de Natal para quem não gosta de Natal, ou para os casos em que não temos no sapatinho (na árvore, whatever) a prenda que julgávamos merecer. Ou, pior, quando a prenda já lá esteve e, subitamente, is gone.
É uma excelente canção para ouvir em Junho, o mês em que foi lançada, há 49 anos.
Joni Mitchell - River (1966)
E, claro, gosto mesmo muito de A Case of You. A ideia de beber uma caixa de ti...
E gosto muito de River, uma canção de Natal para quem não gosta de Natal, ou para os casos em que não temos no sapatinho (na árvore, whatever) a prenda que julgávamos merecer. Ou, pior, quando a prenda já lá esteve e, subitamente, is gone.
É uma excelente canção para ouvir em Junho, o mês em que foi lançada, há 49 anos.
Joni Mitchell - River (1966)
no mais recente disco de leonard cohen [cf. aqui], há uma belíssima canção sobre sexo.
e uma história sobre os homens (e o 'olhar' das mulheres) e (a passagem d)o tempo.
You know, I was talking with some of the guys... some of the guys in the band are kind of over the hill.
And they were talking about the various stages that a man goes through in relation to his allure to the opposite sex.
It was not a scientific evaluation... just something that arose over a cup of coffee.
It went something like this:
You start off irresistible.
And, then you become resistible.
And then you become transparent – not exactly invisible but as if you are seen through old plastic.
Then you actually do become invisible.
And then — and this is the most amazing transformation — you become repulsive.
But that’s not the end of the story.
After repulsive then you become cute – and that’s where I am.
e uma história sobre os homens (e o 'olhar' das mulheres) e (a passagem d)o tempo.
You know, I was talking with some of the guys... some of the guys in the band are kind of over the hill.
And they were talking about the various stages that a man goes through in relation to his allure to the opposite sex.
It was not a scientific evaluation... just something that arose over a cup of coffee.
It went something like this:
You start off irresistible.
And, then you become resistible.
And then you become transparent – not exactly invisible but as if you are seen through old plastic.
Then you actually do become invisible.
And then — and this is the most amazing transformation — you become repulsive.
But that’s not the end of the story.
After repulsive then you become cute – and that’s where I am.
eh pá, o Trump ´tá coberto de razão: Mr. Trump is a huge fan of Neil Young and his music and will continue to be regardless of Neil’s political views. isto já para não recordar o apoio do Neilzinho ao maluco do Reagan. por mim, diga-se, até pode apoiar a nossa senhora de fátima mais os 13 pastorinhos, que não é por isso que deixarei de dar 5 estrelas a cada canção sua, mesmo sem ouvir e até, quando após ouvir, digo baixinho: eh... bah... o gajo escusava de ter gravado isto.
nas últimas semanas, é capaz de não ter havido uma dia em que não tenha surgido um estudo nos media portugueses sobre um qualquer aspecto da nossa realidade.
em todos esses estudos estão envolvidas universidades, investigadores e tudo o que os rodeia.
ora o que é preocupante, assustador mesmo, é a baixíssima - em alguns casos, nula - qualidade científica desses estudos.
há um evidente problema com as nossas elites.
a cortina que se formou nos últimos anos com a tagarelice mediática pode dar a entender o contrário, mas não, as nossas elites não melhoraram. só não tenho a certeza absoluta de que tenham piorado.
em todos esses estudos estão envolvidas universidades, investigadores e tudo o que os rodeia.
ora o que é preocupante, assustador mesmo, é a baixíssima - em alguns casos, nula - qualidade científica desses estudos.
há um evidente problema com as nossas elites.
a cortina que se formou nos últimos anos com a tagarelice mediática pode dar a entender o contrário, mas não, as nossas elites não melhoraram. só não tenho a certeza absoluta de que tenham piorado.
Canções para o resto da vida [36]
Há uns anos, uma jovem escritora espanhola que agora não vem ao caso tornou um dos personagens centrais de um seu livro num fã dos Kinks. A banda presta-se a esse tipo de referências - fez algum sucesso no seu tempo, em Inglaterra, e pouco mais. Ideal, portanto, para alguém que quer dar nas vistas como conhecedor: ah, os kinks, e tal.
A música que faziam derivava directamente do som Beatle e frequentemente abusava do humor. Não é bem o caso desta Waterloo Sunset, uma pequena pérola de composição e interpretação
The Kinks - Waterloo Sunset (1967)
A música que faziam derivava directamente do som Beatle e frequentemente abusava do humor. Não é bem o caso desta Waterloo Sunset, uma pequena pérola de composição e interpretação
The Kinks - Waterloo Sunset (1967)
um dia destes, trocámos o sunset cocktail on the beach por uma sessão de vinil no chiado. parecíamos putos.
eis que chega, então, o tempo dos grandes incêndios... bónus
i believe in love, i'll believe in anything
that's gonna get me what i want and get me off my knees
then we'll burn your house down, don't it feel so good?
there's a forest fire every time we get together
that's gonna get me what i want and get me off my knees
then we'll burn your house down, don't it feel so good?
there's a forest fire every time we get together
'it's always much safer to say no', philippe petit, num jantar na noite de st. antónio sem sardinha assada, mas que entra directamente para o top ten dos jantares da minha vida. há muito tempo que não fazia 600 quilómetros para isto. também não me recordo de alguma vez ter usado tantos copos em tão poucas horas, daí o primeiro plano.
e, claro, para o que verdadeiramente conta só contam mesmo os sins.
Canções para o resto da vida [35]
Nunca se saberá se Brian Wilson era genial por ser louco, ou se enlouqueceu por causa da genialidade.
Seguro será dizer que ouvia (ainda ouve, mas menos...) vozes e, felizmente, outros sons dentro da cabeça. Que os tenha conseguido materializar, esse é o milagre.
O disco 'Pet Sounds' (1966) será disso o melhor exemplo, uma extraordinária colecção de pocket symphonies aka canções.
'Wouldn't It Be Nice' é apenas uma das minhas preferidas, uma espécie de mito da eterna juventude in reverse.
The Beach Boys - Wouldn't It Be Nice (1966)
Maybe if we think, and wish, and hope, and pray, it might come true
O disco 'Pet Sounds' (1966) será disso o melhor exemplo, uma extraordinária colecção de pocket symphonies aka canções.
'Wouldn't It Be Nice' é apenas uma das minhas preferidas, uma espécie de mito da eterna juventude in reverse.
The Beach Boys - Wouldn't It Be Nice (1966)
Maybe if we think, and wish, and hope, and pray, it might come true
eis que chega, então, o tempo dos grandes incêndios... 3
late at night, i'm takin' you home
I say I want to stay, you say you want to be alone
You say you don't love me, girl you can't hide your desire
'Cause when we kiss, fire
I say I want to stay, you say you want to be alone
You say you don't love me, girl you can't hide your desire
'Cause when we kiss, fire
eis que chega, então, o tempo dos grandes incêndios... 2
at night i wake up with the sheets soaking wet
and a freight train running through the middle of my head
only you can cool my desire
i'm on fire
and a freight train running through the middle of my head
only you can cool my desire
i'm on fire
eis que chega, então, o tempo dos grandes incêndios...1
lord almighty
i feel my temperature rising
higher higher
it's burning through to my soul
girl, girl, girl, girl
you gonna set me on fire
my brain is flaming
i don't know which way to go
your kisses lift me higher
like the sweet song of a choir
you light my morning sky
with burning love
i feel my temperature rising
higher higher
it's burning through to my soul
girl, girl, girl, girl
you gonna set me on fire
my brain is flaming
i don't know which way to go
your kisses lift me higher
like the sweet song of a choir
you light my morning sky
with burning love
quando comecei a trabalhar nesta edição, escrevi no blogue:
Quel est le point commun entre un enfant qui marche pour la première fois, un amoureux qui déclare sa flamme et une entreprise qui innove? L’audace! C’est la prise de risque qui permet d’avancer.trata-se de uma frase do texto de apresentação de uma exposição que, na altura, estava em paris. escrevi-a em jeito de marca - esta edição começa aqui. com a revista a chegar às bancas, recordo-mo da frase e não posso deixar de notar que ela, a sua ideia, e a própria realização da revista mexeram muito mais comigo do que esperaria.
começámos a fazer este número estava eu a caminho do décimo mês de desemprego. jurei a mim próprio que nunca escreverei nada de substancial sobre esse período, porque talvez a principal lição desse tempo é que apenas quem passa por uma situação daquelas pode verdadeiramente compreender o carrossel de emoções associado. e não vale a pena perder muito tempo a explicar.
na exacta semana em que copiei aquela frase, tive o mais inesperado desafio profissional da minha vida. não percebo, nem quero perceber, nada de futebol. não gosto, nem quero gostar. e o que me propunham era dirigir a comunicação de um clube de futebol.
foram dois meses dos quais guardo a melhor das memórias, pelo desafio e pelas pessoas com quem trabalhei.
e já na fase final da revista - num dos seus picos de trabalho - comecei a trabalhar noutro sítio, da única forma que sei, com total empenho, e sabendo, por experiência, que o prazer de fazer é, nos dias que correm, a principal e muitas vezes a única recompensa.
a revista sempre foi um side project. extraordinário é que seja também aquele em que tive mais liberdade. que é total, aliás, sendo o orçamento o único limite.
a realização desta revista, deste número em particular, representou, ela própria, uma vasto conjunto de riscos e desafios, esse, afinal, o preço da liberdade.
mas o tema do risco desafiou-me, também. e esse foi, de um ponto de vista muito pessoal, o maior ganho destes seis meses. percebi que, afinal, arrisquei sempre muito mais do que imaginava. e percebi, também, talvez com mais clareza do que nunca, a importância do risco e do desafio para a minha vida. para estar vivo.
por uma (penso que) evidente opção de pudor, menciono aqui apenas os desafios profissionais, e logo públicos, com que me deparei. os outros ficam comigo.
a minha relação com o mundo, e com os outros, mudou muito nestes meses. ou talvez tenha apenas ficado mais clara, o que do ponto de vista prático é a mesma coisa.
e agora junho é um mês tão bom como outro qualquer para lançar novamente os dados:
Canções para o resto da vida [34]
A canção foi escrita em 1954, mas só na década seguinte, com a versão de Frank Sinatra, a cultura popular a associou à exploração da Lua que então atingia o auge.
Bobby Womack - Fly Me to the Moon (1969)
Fly me to the moon
Let me play among the stars
Let me see what spring is like
On Jupiter and Mars.
Na verdade, trata-se de um canção para namorar ao luar, como demonstra esta fabulosa versão de Bobby Womack, no seu disco de estreia.
Bobby Womack - Fly Me to the Moon (1969)
Fly me to the moon
Let me play among the stars
Let me see what spring is like
On Jupiter and Mars.
a melhor definição de amor que já encontrei. parece, aliás, mais que amor. mas o amor é mais que amor.
How we need another soul to cling to, another body to keep us warm. To rest and trust; to give your soul in confidence: I need this, I need someone to pour myself into. [Sylvia Plath]
do blogue da maria joão, que também gosta das melhores canções de amor.
How we need another soul to cling to, another body to keep us warm. To rest and trust; to give your soul in confidence: I need this, I need someone to pour myself into. [Sylvia Plath]
do blogue da maria joão, que também gosta das melhores canções de amor.
um belíssimo texto da fernanda câncio, no facebook:
patti smith é, com chrissie hynde e debbie harry, um dos vértices do triunvirato que elegi, aos 13/14 anos, como meus role models. três raparigas em que a única coisa enganadoramente dócil é o diminutivo e nas quais discerni a atitude que queria também ter, construir, exibir: desafiadora, rebelde, iconoclasta, fast and furious mas também melancólica e auto-irónica, cheia de alma e de guts.
da feminilidade agressiva, punk rock'n'roll meets playboy bunny meets dance floor diva de blondie à androgenia pós-hippie de patti, passando pelo streetwise londrino all in leather e o sexy swing de chrissie, pareciam-me congregar todo o glamour e energia e woman power possível. três mulheres entre homens, sempre entre homens, nas capas dos discos e no panorama pop e num mundo em que era raro, raríssimo, ter mulheres a dirigir bandas, e que diziam que querendo podíamos ser -- seríamos -- o front da nossa vida, do nosso gig.
em patti, chrissie e debbie encontrei a minha tribo antes de conhecer, em carne e osso, alguém remotamente dela. estas 3 certificavam-me de que algures no mundo havia mais pessoas assim, como eu queria ser, e portanto provavelmente haveria mais como eu -- as miúdas que queriam ter um perfecto encarnado e olhos esborratados a negro como na capa do primeiro álbum dos pretenders, vestir um fato de homem como patti em horses e empoleirar-se numas chinelas de pau, vestido de alças e mãos nas ancas, como debbie em parallel lines. as miúdas que sabiam, queriam, que tudo era/fosse possível, enquanto trauteavam 'it's eleven fifty nine/and i want to stay alive', decoravam because the night do primeiro ao último acorde (ainda hoje o sei de trás para a frente), saltavam sozinhas no quarto na fúria catártica de rock'n'roll nigger e criavam coreografias para heart of glass e brass in pocket. we were special -- oh so special.
obrigada, minhas queridas. (e sim, devia estar hoje no porto, mas como não estou escrevi isto: é a minha forma de estar lá.)
[dylan by patti ]
peace will come
with tranquillity and splendor on the wheels of fire
but will bring us no reward when her false idols fall
with tranquillity and splendor on the wheels of fire
but will bring us no reward when her false idols fall
[elvis by dylan ]
like a river flows surely to the sea
darling so it goes
some things are meant to be
take my hand, take my whole life too
tra la la, tra la la...
darling so it goes
some things are meant to be
take my hand, take my whole life too
tra la la, tra la la...
esta semana, andei pela feira do livro de tuk-tuk e conto a experiência na time out.
ouvi também o disco mais recente do sufjan stevens e perdi a cabeça *****
e pus-me a tentar adivinhar como será o concerto de gregory porter daqui a dias no coliseu.
esta semana, mercúrio está a andar para trás e a lua cheia está em sagitário. não sei o que pensar.
Vic Chesnutt - You Are Never Alone [2007]
it's okay, you can take a condom
it's okay, you can take a valtrex
and it's okay, you can get an abortion
and then keep on keepin' on
and then keep on keepin' on
it's okay, you can take a prilosec
and it's okay, you can take biaxin
it's okay, you can get a quadruple bypass
and then keep on keepin' on
and then keep on keepin' on
you are never alone
I will give up these cigarettes
Stay at home and watch you mend a tear in your dress
Have your name in a rose tattooed across my chest
And be your lover for all time
Maybe I will drink a little less
Come home early and not complain about the day
And give you flowers from the graveyard now and then
For your lover give some time
Richard Hawley - For Your Lover Give Some Time [2009]
Stay at home and watch you mend a tear in your dress
Have your name in a rose tattooed across my chest
And be your lover for all time
Maybe I will drink a little less
Come home early and not complain about the day
And give you flowers from the graveyard now and then
For your lover give some time
Richard Hawley - For Your Lover Give Some Time [2009]
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