O ministro no estaleiro dos exames


Numa tentativa de retirar o ministro da Educação das areias movediças em que já se encontrava, no caso dos exames, os magos da Comunicação tiveram uma ideia genial: levar o ministro e os jornalistas ao coração do sistema, o armazém onde os exames estão a ser tratados.

As imagens que dali saíram são elucidativas, ao mostrarem-nos o caos típico destes locais. E liquefizeram, ainda mais, as areias em que o ministro via os seus pés afundarem-se.

Desde logo, porque a imagem que passou foi de caos, com pastas e mais pastas, arrumadas de forma improvisada em caixas e prateleiras precárias. Sim, aquilo que foi mostrado é o normal da nova economia: compramos bonito o que foi fabricado em feio. Imaginem que as pessoas que encomendam comida para casa tinham, de repente, acesso aos locais esconsos em que boa parte dessa comida é confecionada…

Para quem ainda tinha dúvidas, aquelas imagens expuseram a evidência: a digitalização dos exames é uma mentira. A ideia de digitalizar provas feitas em papel faz-nos recuar uma década, quando tínhamos de imprimir formulários a partir de um computador, para os preencher à mão, digitalizar e depois enviar... por faxe. O que está a ocorrer com os exames não é modernização, é retrocesso.

Finalmente – but not the least –, aquela vista colocou o foco num embaraço: quem são, afinal, as empresas envolvidas num processo tão imprevidente? Pior, qual a cadeia de responsabilidades, públicas e privadas, em todo o processo, incluindo a decisão, a contratação e supervisão. Isto é, o grau de conhecimento, de cada interveniente.

Do ponto de vista político, estas são as questões que importa esclarecer. Para o cidadão, não deixa de ser inquietante – caricato, não fossem as consequências – que se tenha criado insegurança no ponto do sistema educativo em que a segurança deveria ser fulcral.

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