Resistir ao esquecimento


Há em Broken English, o filme sobre Marianne Faithfull que está nos cinemas, duas ou três ideias que vale a pena anotar.

A mais evidente: Marianne Faithfull tem direito a um lugar na História da Música que ainda não lhe foi reconhecido. Todos os títulos na hora da sua morte a trataram por namorada de Jagger, mero incidente numa vida cheia. Uma enorme injustiça perante uma intérprete e autora de canções de grande qualidade. A importância e a perenidade dessas canções, as versões, mas especialmente as originais, ficam cada vez mais evidentes com o passar do tempo.

Depois, Marianne enquanto mulher. Que força tranquila. Menosprezada e espezinhada, basicamente por ser mulher e ser bonita (e talvez estruturalmente boa pessoa), teimou em sobreviver e foi, de facto, uma sobrevivente.

Finalmente, a ideia mais subtil do filme, aquela que alimenta a sua arquitetura narrativa e estética: a ideia de que, no caso específico de MF, mas também eventualmente de outras personalidades [*], não basta recordar, é preciso não esquecer, não deixar esquecer. A vida de Marianne Faithfull é exemplar nessa atitude, de resistência e sobrevivência ao apagamento a que todos à sua volta a queriam condenar. 

[*] José Afonso, por exemplo


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