𝗔 𝘀𝗲𝗴𝘂𝗻𝗱𝗮 𝘃𝗼𝗹𝘁𝗮 𝗱𝗲 𝘂𝗺 𝗰𝗮𝗻𝗱𝗶𝗱𝗮𝘁𝗼 𝘀𝗼́


1. André Ventura não quer ser Presidente. Os ignorantes dos seus eleitores imaginam-no um Trump, um Bolsonaro, um Milei, uma Le Pen, mas Ventura sabe que o regime não é presidencialista e que é no Governo e no Parlamento que poderá “quebrar” o sistema, ou seja, pôr ao seu serviço o sistema corrupto que diz combater.


2. A sua candidatura serviu para aquilo que anunciou ontem: ser líder da direita, o que é o contrário de ser Presidente. Vai ser, por isso, interessante acompanhar uma campanha em que o candidato vai apelar ao voto, mas não quer ser eleito.


3. É, aliás, bem possível que alguns intelectuais/comentadores da direita venham apelar ao voto em Ventura, precisamente com o argumento de aniquilar na Presidência o troublemaker político. Divertido, no mínimo.


4. Seguro fez um discurso perfeito, e até respondeu aos jornalistas, coisa rara na noite eleitoral. Mostrou ter aquilo que falta na política atual: princípios e serenidade. Parte para a segunda volta com tudo contra: a aritmética da noite eleitoral (a soma da direita daria para ganhar à primeira volta), o calculismo e mesmo a cobardia dos candidatos e lideranças do centro-direita e, claro, as televisões. O excelente resultado de ontem mostra, porém, que os portugueses o percebem e sabem o que está em causa nesta eleição. A essência de democracia, afinal.


5. Nestas eleições, apenas 3 candidatos concorriam à Presidência: Seguro, o almirante, Mendes. Os restantes obedeciam a estratégicas partidárias, cujo day after vai ser interessante acompanhar.


6. O PSD, e por arrasto o Governo, foi o principal derrotado desta noite eleitoral. A declaração de Montenegro prolonga a derrota no tempo.

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