Quem quer calar Isabel Moreira?


Isabel Moreira, deputada do PS, veio denunciar que uma televisão assinou com ela um contrato de comentadora e que, durante meses, nunca a chamaram, o que, no entender dela, configura uma tentativa (bem conseguida) de silenciamento.
Caiu o Carmo e a Trindade. Sobre a estação de televisão? Não, sobre Isabel Moreira.
As pessoas preferem ignorar que todos os outros políticos no ativo que comentam regularmente na televisão têm este tipo de contrato, que implica exclusividade. Ainda há um mês, Carlos Moedas começou a comentar noutra televisão e… silêncio, siga que isto é tudo normal. Incluindo o resto que se soube sobre essa colaboração.
Argumenta-se: ah, mas políticos no ativo não deveriam ter espaços de comentário na televisão, muito menos pagos. Exato. Recordo o caso de Luís Marques Mendes que, durante anos, fez uma pré-campanha eleitoral paga para as Presidenciais, no prime time de uma televisão generalista, na sua qualidade, óbvia e evidente, de não político.
Que me lembre, e longe de mim assumir que há aqui um padrão, houve uma polémica similar, também com uma deputada, também de esquerda, e também, digamos, incómoda: Mariana Mortágua.
O caso (o silenciamento) e a reação (as hiper críticas) dizem-nos muito – quase tudo - sobre o nosso sistema político-mediático. Até porque, pelos vistos, não são apenas as televisões que querem calar Isabel Moreira.

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