A televisão que temos


A reação mais interessante a mais um caso Cristina Ferreira foi, sem dúvida, a de Catarina Furtado, no Instagram.

Na prática, trata-se de uma reação que apela à responsabilidade social dos media, uma das disciplinas dos cursos de Comunicação que a generalidade das pessoas que hoje têm cargos de direção nas televisões devem certamente conhecer.

Reproduzo a síntese programática de uma dessas disciplinas, numa universidade de Lisboa: 

"A responsabilidade social dos media refere-se ao compromisso ético e deontológico dos meios de comunicação de servir o interesse público, influenciando positivamente a sociedade através de informação rigorosa, ética e equilibrada. Envolve o equilíbrio entre a liberdade de imprensa, o negócio e o impacto social, combatendo desinformação e assegurando uma cidadania inclusiva."

Ora a televisão de que Cristina Ferreira constitui um símbolo tem sido exatamente o inverso disto.

Temos um sistema televisivo que promove a gritaria, a mediocridade, o machismo, a ideologia populista. O acesso ao ecrã parece estar crescentemente reservado ao brega e ao chalupa. As televisões têm sido, nas duas últimas décadas, factor de retrocesso, e não de progresso social e cultural. 

Que uma televisão destas seja desculpabilizadora de crimes sexuais ou promotora de crimes de xenofobia, trata-se da mera ordem natural das coisas.

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