Rodrigo Amarante - Irene [2016]

discos para o resto da vida [17.4.]
(2000) lambchop, nixon

os lambchop são, na verdade, kurt wagner. as suas canções. e a sua voz, mesmo em canções que são (quase) instrumentais.



lambchop - grumpus

Minta & The Brook Trout - Sand [2016]

discos para o resto da vida [17.3.]
(2000) lambchop, nixon

cole porter é que deve estar deliciado, lá naquela suite celestial em que convivem todos os que deixaram o mundo um pouco mellhor com a sua passagem.



lambchop - the book i haven't read


estava aqui a ver o pacheco pereira [rtp3] a falar do brexit, da europa e de outras coisas. e dei comigo a pensar: toda a gente deveria ter um pacheco pereira em casa.

Neko Case, k.d. Lang and Laura Veirs - Atomic Number [2016]

discos para o resto da vida [17.2.]
(2000) lambchop, nixon

a música dos lambchop é difícil de definir.
por uma questão de comodidade, costumam ser arrumados na prateleira do alt-country, mas presumo que seja mais pelo alt. e pelo seu contexto no território musical americano.
o tema da classificação - e mesmo das prateleiras - é meramente teórico, já que o sucesso dos lambchop é equivalente ao jeito que tenho para preencher o boletim do euromilhões.
este disco teve sucesso - imagine-se! - em inglaterra, o que não será propriamente abonatório. e esta é a sua canção mais conhecida de sempre.



lambchop - up with people

as músicas sexo-pedagógicas de rita lee

discos para o resto da vida [16.5.]
(1969) gal costa, gal costa

tom zé, o autor desta canção, é um dos caras mais divertidos e talentosos da música brasileira, como o mundo soube, umas décadas depois, pela mão de david byrne.



gal costa - namorinho de portão

Portishead - SOS [2016]

/ a song for jo cox /

Band of Horses - Hag [2016]





a pergunta do costume - pode a música salvar?
música assim, talvez.
salvar, pelo menos, do entediante ofício de viver, no sentido paveseano da coisa.

discos para o resto da vida [16.4.]
(1969) gal costa, gal costa

este é dos temas - de caetano - que gal continuará a cantar ao longo dos anos.
aqui, vale a pena registar a exuberância da orquestração. e vale a pena lembrar que o brasil vivia então em plena ditadura militar - e que a letra fala disso mesmo, não falando, claro.


gal costa - baby

discos para o resto da vida [16.3.]
(1969) gal costa, gal costa

desde a primeiro disco, gal fez questão de cantar os melhores autores/compositores do brasil.
este tema, por exemplo, é de caetano veloso e gilberto gil.



gal costa - divino maravilhoso

Milton Nascimento - A Noite do Meu Bem

Françoise Hardy - True Love Ways [2016]

há uns meses, françoise hardy [paris, 1944] foi hospitalizada. pesava 39 quilos e houve quem encomendasse flores.
no início deste mês, para surpresa geral, a começar da própria - je suis une miraculée - ei-la a cantar de novo. uma canção de buddy holly, num disco colectivo do produtor dominique blanc-francard, justamente com o título de  it's a teenager dream.

discos para o resto da vida [16.2.]
(1969) gal costa, gal costa

para o disco 'gal', erasmo e roberto carlos escreveram o famoso 'o meu nome é gal'.
neste 'gal costa', a cantora interpreta 'se você pensa', numa versão bem mais pesada e ácida que a de roberto, mais a lembrar, por exemplo, o garra de janis joplin, embora num estilo vocal bem diferente.



gal costa - se você pensa


é deste tipo de imprensa que precisamos:
The Economist is convinced that a decision to leave would be bad for Britain, Europe and the world. But we also believe in the importance of objective analysis and reasoned argument. To help you get the facts on the vote, we’ve curated a collection of articles outlining why we believe it’s in Britain’s interests to remain, along with additional articles on Britain’s role in Europe. 

Tom Zé - O Amor É Um Rock



gaspachos há muitos. a saber:
- o da foto, que acompanha, por exemplo, umas belas petingas fritas;
- o que resulta das dicas de um dos melhores sites de culinária: el comidista;
- o tetra pak do pingo doce.

discos para o resto da vida [16.1.]
(1969) gal costa, gal costa

em 1969, gal costa gravou um disco chamado simplesmente 'gal', que ainda hoje maravilha pelo arrojo, ousadia, vanguardismo, etc.
mas não é desse disco que aqui se trata, antes do anterior, também de 69, que se chamava simplesmente 'gal costa' e que, na prática, é o seu primeiro disco em nome próprio.



gal costa - não identificado

Carlos Ramos - Eu Já Não Sei [1961]


O canal Fado Para Todos (onde este vídeo está alojado), criado pela Comunidade com o mesmo nome, animada por Aldina Duarte, e o Arquivo Sonoro, ambos do Museu do Fado, são daquelas iniciativas que fazem mais pela cultura e pela língua portuguesa no mundo do que [preencher com as coisas do costume].

M. Ward - Slow Driving Man [2016]

Solomon Burke - Let Me Wrap My Arms Around You [1975]

Hey, come on baby
Come on don't be, don’t be looking like that
I don’t want you to be depressed
Or hung up on anything
You see we’ve got something going for us
Between our signs
You know and like, I wanna be your everything
I want you to know that you’ve got me to depend on
And to lean on
To talk to and to walk with
And if you need somebody to love you baby
Well here I am baby
Come get what I’ve got for you

Naughty Boy ft. Beyoncé & Arrow Benjamin - Runnin' (Lose It All)



deve ser a minha costela hola!, em versão necessariamente intelectual. adoro textos sobre o pequeno mundo das grandes pessoas. o gossip de políticos, artistas (mas só os upa upa), gente de poder. não confundir, portanto, com a versão parola da hola!, o patético mundo das revistas cor-de-rosa portuguesas.
truman capote, por exemplo, escrevia de forma impiedosa sobre a high society de nova iorque. e aquilo até para nós tinha graça, porque alguma daquela gente entrava-nos em casa, pelo cinema, pela música, pela literatura.

vem a isto a propósito de

a historiadora coqueluche da direita-muito-conservadora-mas-que-quer-dar-ares-de-liberal, maria de fátima bonifácio, escreveu um livro sobre antónio barreto. tem dito a autora em entrevistas (e parece que também no livro), que se trata de uma biografia, mas não é um biografia; que não é autorizada, mas que o biografado leu e até nem discordou.

o texto que sobre esta obra diogo ramada curto escreveu há dias no público é particularmente divertido e demolidor, para a autora e para o biografado.
acho especialmente divertida a ideia de que o nascimento do observador constituiu um momento de ruptura na nossa vida colectiva recente. e também as peripécias à volta da obra definitiva de barreto.

discos para o resto da vida [15.5.]
(1973) al green, call me

pouco tempo depois de lançados estes três discos, uma antiga namorada atacou al green com papas de milho a escaldar (!), enquanto ele tomava banho.
o homem ficou com várias lesões e reflectiu sobre o sentido da vida. comprou uma igreja e tornou-se padre. grava discos de gospel, mas ainda regressou algumas vezes às antigas lides.



al green - you ought to be with me




Eis que a lua devagar te vai despindo
Atrevendo uma carícia em cada gesto,
De igual modo é que a nudez te vai vestindo 
E o teu corpo condescende sem protesto.
De igual modo é que a nudez te vai vestindo 
E o teu corpo condescende sem protesto.

Mal os ombros se desnudam, surge o peito
Logo o ventre no desenho da cintura 
Cada músculo detém o mais perfeito
Movimento, em sincronia com a ternura 
Cada músculo detém o mais perfeito
Movimento, em sincronia com a ternura 

Já as ancas se arredondam e projectam 
Sobre as coxas, sobre os vales, sobre os montes 
Onde as vidas, noutras vidas se completam 
Quando o tempo é um sorriso, ou uma fonte 
Onde as vidas, noutras vidas se completam 
Quando o tempo é um sorriso, ou uma fonte 

Fica a roupa amontoada junto aos pés 
Quer dos teus, quer dos da cama que sou eu
Estendo a mão, apago a lua, que a nudez
Do teu corpo, fica acesa, sobre o meu
Estendo a mão, apago a lua, que a nudez
Do teu corpo, fica acesa, sobre o meu


as pessoas acham que um político ir trabalhar para uma empresa é promiscuidade. promiscuidade não é isso. promiscuidade é um político trabalhar para empresas enquanto faz política. promiscuidade é um comentador de televisão fazer política e negócios enquanto comenta.

a não ser que queiramos criar uma classe sócio-profissional de políticos - uma espécie de depósito- casta, onde iríamos buscar os políticos para fazerem poder e oposição - teremos de aceitar que as pessoas que passam pela política têm todo o direito ter carreiras profissionais, como exigimos para cada um de nós.

as pessoas criticam as transações da política para as empresas porque, dizem, as empresas só estão interessadas nos conhecimentos dos políticos. hoje, a rede de conhecimentos é um factor tão ou mais importante em qualquer currículo quanto a formação académica e a experiência profissional. a apetência das empresas pelas redes de conhecimentos dos políticos não é, em si, má.

dito isto

devem existir regras de distanciamento sectorial e temporal entre a actividade política e a actividade empresarial. e é nesse campo que o tema pode e deve ser discutido.
porque, por exemplo, não é aceitável que, mercê da proximidade temporal entre as duas actividades, possa formra-se, sequer, a suspeita de que o político a) favoreceu a empresa que o acolhe quando era político; b) faz transitar para a empresa inside information relevante colhida na sua actividade recente de político. aí sim - e voltamos ao início da conversa - podemos estar perante um caso de promiscuidade.

Band of Horses - Dilly [2016]



com tudo o que se conhece (vendas, tiragens, resultados operacionais), o que espanta não é que todos os dias salte um director de jornal, é mesmo que os jornais continuem a sair todos os dias.

nas conversas que se vai tendo sobre a dança das direcções, o jornalismo pura e simplesmente deixou de estar presente. agora, para se ser director é mesmo preciso é estar alinhado com alguns interesses económicos de grande escala. o que é uma boa e uma má notícia: má, pelo que isso diz sobre a morte do jornalismo; boa, pelo que isso diz sobre a sobrevivência dos jornais.

discos para o resto da vida [15.3.]
(1973) al green, call me

algumas das particularidades da música de al green só se entendem nos discos, especialmente o cuidado colocado na construção da sonoridade.
mas naquela altura ele era mesmo uma máquina era ao vivo.



al green - here i am

Kilo Kish - Hello, Lakisha [2016]

discos para o resto da vida [15.2.]
(1973) al green, call me

a orquestração, com uma forte base rítmica, recorre com grande exuberância à guitarra, órgão e metais, resultando num dos sons com maior carga sexual da história da música.
al green fazia o resto.




al green - call me

Nina Simone - Lilac Wine (The Album Leaf Remix) [2005]

lilac wine is sweet and heady, like my love
lilac wine, i feel unsteady, like my love

Elis Regina + Milton Nascimento - Golden Slumbers, Carry That Weight, The End

discos para o resto da vida [14.5.]
(1966) the rolling stones, aftermath

e depois há aquelas coisas tão geniais que nem acreditamos que são dos stones...
(e, claro, lá está o maluco do brian jones na cítara. a sério, a sério, é fantástico imaginar o que teriam sido os stones se brian jones não se tivesse atirado à piscina encharcado em drogas).



the rolling stones - i am waiting


fiz uma actualização do sistema operativo e a secretária chama-se agora mesa.


um pequeno texto sobre o mais recente livro de patti smith (na foto, a nota tipográfica da edição original).

discos para o resto da vida [14.4.]
(1966) the rolling stones, aftermath

os stones - mais que outras bandas - são puro blues, r&b e suas derivadas. não é bem sempre a mesma canção, mas anda lá perto.
esta, por exemplo, poderia ser deles, ou de uma qualquer banda da primeira metade dos anos 60, ou mesmo da década anterior. e, na verdade, é deles e, ao longo de décadas, há dezenas de canções deles que, no fundo, não são mais que esta.



the rolling stones - take it or leave it

música do caraças? ah, pois é!

hey now
catch me quick before i walk away
tell me if there's something i should say
i'll find the quiet corners and the empty spaces



The Jayhawks - Quiet Corners & Empty Spaces [2016]

Tom Rush - The Panama Limited [1965]


Sean Riley and The Slowriders - Díli

discos para o resto da vida [14.3.]
(1966) the rolling stones, aftermath

uma das coisas mais engraçados dos stones foi a forma como eles, de forma voluntária ou acossados pela necessidade de se diferenciarem dos beatles, cultivaram a misoginia. quando os outros cantavam love e mais love a cada canção e quando o mundo embarcava no verão da paz e amor, eles dedicavam-se a canções em que, deliberadamente, as tratavam mal (neste disco, por exemplo, 'stupid girl', ou mesmo "out of time"). e elas parece que gostavam.
claro que nada disto seria hoje possível, embora esta versão de 'under my thumb' seja de 1981...



the rolling stones - under my thumb