o meu 2015 não cabe num ano só.
que mais dizer de um ano absolutamente extraordinário?
Tudo o que Belmiro “perdeu” com o Público foi um contributo para a democracia.Para não acabar de vez com os jornais (e a democracia). O texto mais interessante (e útil) dos últimos tempos sobre a crise do jornalismo e as pistas para dela sair.
Tracey Thorn - Joy [2012]
When someone very dear
Calls you with the words everything's all clear
That's what you want to hear
But you know it might be different in the New Year
That's why, that's why we hang the lights so high
Joy, Joy, Joy, Joy.
Calls you with the words everything's all clear
That's what you want to hear
But you know it might be different in the New Year
That's why, that's why we hang the lights so high
Joy, Joy, Joy, Joy.
Maria Bethania e Chico Buarque - Sem Fantasia
Ah, eu quero te dizer
Que o instante de te ver
Custou tanto penar
Não vou me arrepender
Só vim te convencer
Que eu vim pra não morrer
De tanto te esperar
Eu quero te contar
Das chuvas que apanhei
Das noites que varei
No escuro a te buscar
Eu quero te mostrar
As marcas que ganhei
Nas lutas contra o rei
Nas discussões com Deus
E agora que cheguei
Eu quero a recompensa
Eu quero a prenda imensa
Dos carinhos teus.
Que o instante de te ver
Custou tanto penar
Não vou me arrepender
Só vim te convencer
Que eu vim pra não morrer
De tanto te esperar
Eu quero te contar
Das chuvas que apanhei
Das noites que varei
No escuro a te buscar
Eu quero te mostrar
As marcas que ganhei
Nas lutas contra o rei
Nas discussões com Deus
E agora que cheguei
Eu quero a recompensa
Eu quero a prenda imensa
Dos carinhos teus.
[música transgénica]
Everytime (Britney Spears)
cruzado com
banda sonora de Twin Peaks (Angelo Badalamenti)
cruzado com
banda sonora de Twin Peaks (Angelo Badalamenti)
The Dø - Trustful Hands [2015]
We were meant to make a thing or two
Meant to break the laws of gravity too
Meant to break the laws of gravity too
[bob dylan:
The world don’t need any more songs… As a matter of fact, if nobody wrote any songs from this day on, the world ain’t gonna suffer for it. Nobody cares. There’s enough songs for people to listen to, if they want to listen to songs. For every man, woman and child on earth, they could be sent, probably, each of them, a hundred songs, and never be repeated. There’s enough songs
três ou quatro coisas de que gosto em sinatra
a voz. o maior lugar comum dele. uma espécie de heterónimo. cantar como quem respira.
as canções. se fosse eterno, sinatra haveria de cantar todas as canções do mundo e todas as canções do mundo passariam a ser de sinatra. extraordinária, aquela capacidade de estabelecer o cânone.
as orquestrações. nothing but the best. um grande lema de vida. sinatra sempre se rodeou dos melhores orquestradores, e supostamente dos melhores músicos. cantava sobre uma enciclopédia de música.
o homem. a mafia, a ava gardner, as outras todas, o gajo que arrasou a pop/rock e meia dúzia de anos depois gravou um disco só de pop/rock. a snobeira. as contradições, pois. não era perfeito e isso é perfeito.
a longevidade. chegar aos 100 anos vivinho da costa não é para todos. que continues por cá e eu a ouvir-te, pá.
é verdade, já todas as campainhas soaram.
não me parece que quem ama a liberdade, o debate de ideias, a democracia possa ficar indiferente à devastação que atravessa o jornalismo (os media são outra coisa...), à escala global, mas especialmente em casa.
trata-se de um daqueles casos em que todas as palavras já foram gastas, os não fossem os protagonistas desta história artifices da palavra.
sim, é preciso reinventar o negócio, na certeza de que a ideia de negócio é, no caso, arcaica.
e é preciso salvar o essencial, que é a função pulmonar que o jornalismo representa para a democracia.
as soluções são, a esta hora, já de emergência e extravasam vastamente as capacidades instaladas no sector. terão de envolver outros agentes da sociedade, da economia, do poder político.
a enésima crise no público é tudo o que quem gosta de jornais e jornalismo não gostará de assistir. porque o público é, precisamente, um projecto que encaixa na estreita fresta de futuro pela qual terá de passar o jornalismo - um projecto envolvendo um (embora não totalmente assumido) mecenato, exercido em condições de liberdade e profissionalismo.
outra coisa, bem diversa, é a nebulosa de interesses inconfessáveis (até porque não assumidos) que nos últimos anos se instalou em portugal. em democracia não é tolerável que a propriedade dos media seja um jogo de sombras. como exercer o jornalismo com transparência e liberdade se não há transparência quanto a quem financia esse jornalismo?
outra coisa ainda é a total falta de auto-regulação que leva, por exemplo, a que os diversos media se citem continuamente, em loop, desvalorizando de forma implícita e implacável a matéria-prima de que são feitos. não há leis que conformem o problema, terão de ser os jornalistas a travar essa auto-fagia, que constitui uma das principais causas do declínio geral.
isto para começo de conversa. porque depois há que arregaçar as mangas e levar à prática meia dúzia de medidas corajosas (não sendo este o local ou emissor adequado para as explanar).
não me parece que quem ama a liberdade, o debate de ideias, a democracia possa ficar indiferente à devastação que atravessa o jornalismo (os media são outra coisa...), à escala global, mas especialmente em casa.
trata-se de um daqueles casos em que todas as palavras já foram gastas, os não fossem os protagonistas desta história artifices da palavra.
sim, é preciso reinventar o negócio, na certeza de que a ideia de negócio é, no caso, arcaica.
e é preciso salvar o essencial, que é a função pulmonar que o jornalismo representa para a democracia.
as soluções são, a esta hora, já de emergência e extravasam vastamente as capacidades instaladas no sector. terão de envolver outros agentes da sociedade, da economia, do poder político.
a enésima crise no público é tudo o que quem gosta de jornais e jornalismo não gostará de assistir. porque o público é, precisamente, um projecto que encaixa na estreita fresta de futuro pela qual terá de passar o jornalismo - um projecto envolvendo um (embora não totalmente assumido) mecenato, exercido em condições de liberdade e profissionalismo.
outra coisa, bem diversa, é a nebulosa de interesses inconfessáveis (até porque não assumidos) que nos últimos anos se instalou em portugal. em democracia não é tolerável que a propriedade dos media seja um jogo de sombras. como exercer o jornalismo com transparência e liberdade se não há transparência quanto a quem financia esse jornalismo?
outra coisa ainda é a total falta de auto-regulação que leva, por exemplo, a que os diversos media se citem continuamente, em loop, desvalorizando de forma implícita e implacável a matéria-prima de que são feitos. não há leis que conformem o problema, terão de ser os jornalistas a travar essa auto-fagia, que constitui uma das principais causas do declínio geral.
isto para começo de conversa. porque depois há que arregaçar as mangas e levar à prática meia dúzia de medidas corajosas (não sendo este o local ou emissor adequado para as explanar).
“At this, Eliza and Ezra rolled together into one giggling snowball of full-figured copulation, screaming and shouting as they playfully bit and pulled at each other in a dangerous and clamorous rollercoaster coil of sexually violent rotation with Eliza’s breasts barrel-rolled across Ezra’s howling mouth and the pained frenzy of his bulbous salutation extenuating his excitement as it whacked and smacked its way into every muscle of Eliza’s body except for the otherwise central zone.”por razões geracionais, talvez, mas também certamente estéticas, nunca fui à bola com os smiths. aquilo é uma música pastosa, sensaborona, irrelevante. na maioria das canções, a única coisa realmente interessante são os títulos.
agora, com este galardão de bad sex in fiction para Morrissey, sinto-me reconfortado em relação às minhas opções estéticas e um pouco mais compreensivo quanto à falta de graça daquela geração.
Johnny Cash, June Carter Cash - Help Me Make It Through the Night [1971-2015]
Take the ribbon from your hair
Shake it loose and let it fall
Shake it loose and let it fall
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