[tempos modernos]

estou no meu local de trabalho e o telemóvel toca para me avisar que o meu carro está estacionado no local de trabalho e que demorarei cerca de 5 minutos para uma reunião que tenho agendada no meu local de trabalho. isto, claro, se seguir pela elias garcia.

Sufjan Stevens, Bryce Dessner, Nico Muhly, James McAlister - Saturn [2017]

Xutos & Pontapés - Chuva Dissolvente

já me lembrei, já me esqueci.



"que vivas tempos interessantes" parece ser uma maldição chinesa que os chineses não usam. que a cultura ocidental atribuiu, vá lá saber-se porquê, aos chineses.
nos "tempos interessantes" acontecem coisas, quebra-se a tranquilidade dos dias, é de esperar o inesperado.
talvez sejamos injustos com a História - porque, provavelmente, no longo prazo as coisas são sempre assim -, mas todos sentimos que os últimos anos têm sido desses: interessantes, especialmente interessantes.
veja-se: na última metade do século XX também aconteceram coisas. recuperou-se e bem de uma guerra, houve explosões de natalidade e criatividade, houve tiranias que soçobraram com simples quedas de muros. sim, aconteceram coisas, mas de alguma forma elas faziam sentido. era a eterna luta do bem contra o mal, com vitórias sucessivas de parte a parte, mas sempre com a grande vitória do bem lá no horizonte.
o que o novo milénio nos trouxe foi a desagregação desse sentido da História. nada parece fazer sentido e o inesperado passou a ser tudo o que podemos esperar.


dito de outra forma, e recorrendo a murakami - os escritores de best sellers são os autores dos provérbios dos tempos modernos e, bem vistas as coisas, continuamos ainda no eterno fascínio pela banalidade da sabedoria oriental - citado pela revista flow: seja o que for de que andes à procura, isso não te chegará da forma que esperas.

[a revista flow é mensal, defende o regresso à simplicidade da vida - ou seja, a que encaremos em estado zen os "tempos interessantes" - e chega a portugal ao preço de 16 euros. os "tempos interessantes" também são isto: a simplicidade, o despojamento, são, mais que uma forma de vida, um estatuto social e os estatutos sociais, normalmente, saem caro. a enorme maioria da população do planeta, atraver-me-ia a dizer, vive de forma muito simples e com poucos recursos. e nem sabe que há uma revista - na verdade, há uma data delas - que trata dessa coisa complicada que é viver simples.]

http://timeoutjmf.blogspot.pt/2017/03/elbow-little-fictions.html


"O que relato no livro são os factos rigorosos, tal como foram percepcionados por mim durante o mês de Agosto" - Cavaco Silva, em entrevista ao Público (sábado).
Uma frase extraordinária, que resulta, certamente, do estudo de grandes filósofos da modernidade, como Kant, Heidegger ou Fernando Lima.

Alexandra Savior - M.T.M.E. [2017]



o Público, mais precisamente o Ipsilon, tem críticos de literatura (ou será de música?), que acham que toda a música que não seja clássica são "espúrios simulacros da moderna indústria de 'conteúdos' produzidos e consumidos massiva, voluntariosa e nesciamente".
talvez mandá-los foder.

Middle Kids - Edge of Town [2017]

Kasabian - You're In Love With a Psycho [2017]


tanta coisa interessante para fazer e logo haveria de dedicar um par de horas do meu fds à leitura de jornais. é uma coisa que se deve fazer de vez em quando, para aferir se as coisas ainda estão todas no mesmo sítio, se o mundo continua a girar. uma rotina higiénica, ponhamos as coisas assim.
e, sim, confirma-se, está tudo na mesma.
diria que a tal leitura de fds poderá resumir-se a um texto de uma das estrelas ascendentes - cof, cof - do jornalismo de direita. sebastião bugalho - de sua graça - descobriu que há um discreto secretário de estado que defende as exportações, os novos mercados e a captação de investimento estrangeiro.
sim, tudo isso, isso mesmo que o primeiro-ministro defende desde o dia em que tomou posse - o que até pode ser constatado no google - e que esta estrela - cof, cof - do jornalismo de direita descobriu agora, com espanto e pavor. augura-se-lhe, portanto, um futuro brilhante.

Camané - Lume [2015]

Chuck Berrry - My Ding-a-Ling [1972]