discos para o resto da vida [24.2.]
(1977) death of a ladies' man, leonard cohen

cohen cedo percebeu que tinha um "problema" - que música serviria melhor a sua poesia?
os primeiros discos respiraram o ar dos anos 60 e bastaram-se com uns arranjos acústicos, guitarras, coros e pouco mais.
uma das melhores respostas haveria de chegar, já no final dos anos 80, com 'i'm you man'.
uma das tentativas mais fascinantes - pela ousadia e pelo falhanço estrondoso - foi este casamento com a 'parede de som' de phil spector. até podia ser que funcionasse - dois universos distantes que se encontram e tal... -, mas não funcionou.


leonard cohen - true love leaves no traces

Bob Dylan - Beyond Here Lies Nothin' [2009]

Neil Young - My Hometown [2014]

discos para o resto da vida [24.1.]
(1977) death of a ladies' man, leonard cohen

é também pelos erros nos conhecemos.
em meados nos anos 70, cohen estava à deriva e, como nas novelas de série b, não arranjou nada melhor que juntar-se a outro que também andava à deriva, phil spector.
um erro tremendo, do qual nasceu um dos mais absurdos discos que conheço.


leonard cohen - death of a ladies' man

One evening in December of 1974, Leonard Cohen went on WBAI FM in New York City


uma espécie de luto.
escrever como se nada tivesse acontecido, um texto deliberadamente banal, como se a morte fosse uma daquelas coisas que nos acontece e depois passa.

escolhe o teu caminho, steer your way.


She stands before you naked
you can see it, you can taste it,
and she comes to you light as the breeze.
Now you can drink it, or you can nurse it,
it don't matter how you worship
as long as you're
down on your knees.

So I knelt there at the delta,
at the alpha and the omega,
at the cradle of the river and the seas.
And like a blessing come from heaven
for something like a second
I was healed and my heart
was at ease.