Tindersticks - Were We Once Lovers? [2016]

Julia Holter - Sea Calls Me Home [2016]



parece que é a última moda em londres: livrarias que fazem questão em não ter wi-fi, nem café.
compro a ideia e só tenho pena de que não inclua a rede telefónica. cada vez prezo mais a liberdade de não ter rede. de não ter o google sempre à mão, de não ter mails sempre a pingar, o messenger a fazer ti-lim. o livro em papel bem pode ser um desses paraísos net free. mas um dia essa nesga de civilização há-de chegar a alguns jardins e praias.
- liguei-te e não atendeste.
- estava na praia, ou na livraria (tão bom...)
(já sobre o café serei mais liberal, mas sempre se pode começar por perguntar ao pessoal da ler devagar quantas daquelas pessoas que lá tomam café levam um livro para casa)

Father John Misty - Real Love Baby [2016]

I'm a flower, you're my bee
It's much older than you and me



encontrámo-nos no supermercado. vais de férias, estás de férias, etc e tal.
e depois:
- isto está uma merda. e depois o costa preocupa-me. esta coisa de estar mais perto do tsipras do que do renzi. este radicalismo...
- mas porque dizes isso? - franzi a testa.
- vinha no jornal tal, era a manchete.
desatei-me a rir. ele sorriu, um pouco embaraçado.
- mas quando vais mesmo de férias?

Marissa Nadler - Dissolve [2016]

Father John Misty & Phosphorescent - I Would Love You

I would love a man, if my genes were just a little different
I would love a man, and not think twice at all
When I loved that man, like any woman loves her lover
I would love a man, now if I could just love you

I would wed a girl, if I was just a little less married
I would wed a girl, if I could ever be anywhere on time
I would wed a girl, but there’d be a mistress at the altar
I would wed a girl, now if I could just wed you

If everything I’ve sung ‘til now is false, please let this one be true
If everything I’ve sung ‘til now is false, you can tell ‘em “This one’s true.”

I would wed a horse, if I was just a little more lonely
I would love that horse, if I’d been exiled from mankind
I would love that horse, and I would take comfort in it’s presence
I would love a horse, now do you still love me?


gosto de escrever, embora o faça cada vez menos. até um dia, porque há sempre um dia.
e gosto de ler. leio muito, mas muito pouco do que gostaria verdadeiramente de ler.
em ambas as actividades, ler e escrever, gosto de o fazer bem. ou, pelo menos, tentar.
gosto do trabalho da língua, de a usar a toda a sua extensão, plenitude e, sim, limites (como esta frase, por exemplo).
gosto, portanto, de explorar as regras da língua. mas - e esse é o ponto - na língua, como no resto, explorar as regras, as potencialidades, implica, a meu ver, forçar os limites das regras e das potencialidades. simplificando, a língua é uma entidade viva e evolutiva.
daí que seja adverso, muito adverso, a pessoas que passam a vida a corrigir a língua dos outros e, por maioria de razão, a pessoas que chegam a dar-se ao trabalho de sistematizar a coisa, elevando-a à categoria de artigo de jornal, lista, ou até livro.
vem isto a propósito de uma lista publicada pela visão e que está a ser muito partilhada nas redes sociais. o autor está cheiinho de razão e até tem graça. o que, lá está, só faz aumentar a minha vontade de começar a dizer e a escrever tudo o que ele proíbe. não o fazer é, isso sim, deixar morrer a língua.