discos para o resto da vida [8.2.]
(1997) the boatman's call, nick cave and the bad seeds

When I was making half that record I was furious because certain things had happened in my love life that seriously pissed me off. 
And some of those songs came straight out of that. 
I don't regret making it ... the songs are of a moment when you felt a certain way. When... you just think, 'Fuck - please!'



nick cave and the bad seeds - green eyes

discos para o resto da vida [8.1.]
(1997) the boatman's call, nick cave and the bad seeds

este é o disco preferido de todos os apaixonados que não acreditam num deus intervencionista...

the smell of you still on my hands
as i bring the cup up to my lips



nick cave and the bad seeds - brompton oratory

discos para o resto da vida [7.5.]
(1977) [les marquises], jacques brel

il est vrai que souvent
la mer se désenchante
je veux dire en cela
qu´elle chante
d´autres chants
que ceux que la mer chante

e depois há o brel profundamente lírico. autor de versos que nos fazem ver paisagens do 'plat pays', ou mares que nos lembram a infância, mesmo quando já não são os da nossa infância.

e o brel zangado - desencantado? - com as mulheres, que põe em causa o famoso verso de aragon sobre elas e o futuro.

uma nota ainda para o cuidado extremo na orquestração destas canções, de grande rigor e subtileza, com uma paleta bem mais ampla do que no resto da sua obra.


esta rapariga - da qual escolhi uma canção razoavelmente audível - está longe de figurar nas minhas preferências. talvez por isso - oh karma... -  escrevo sobre ela com uma regularidade suíça. volta a acontecer esta semana. na time out, puxaram a cena do soutien para a capa, os tarados.

discos para o resto da vida [7.4.]
(1977) [les marquises], jacques brel

uma ironia nem sempre fina, antes sarcástica, sobre a burguesia. flamenga, ou de qualquer outra parte. esse é um dos traços fundamentais da obra de brel e que esteve na origem de algumas das suas melhores canções.

'les remparts de varsovie' recupera precisamente esse espírito, mordaz e terno.



um dos heroísmos destes dias é resistir ao cinismo vigente, sem que essa resistência seja ele própria um acto de cinismo.

discos para o resto da vida [7.3.]
(1977) [les marquises], jacques brel

o aeroporto como metáfora da separação.
a canção faz referência a um dos maiores sucessos de gilbert bécaud ('dimanche à orly'), mas, em vez da aventura que os aeroportos representam nesse tema, a canção de brel é exactamente o inverso - os aeroportos como lugares de nó na garganta.

em conversa com um amigo, brel dá, porém, outra explicação: Il s'agit de deux amants qui se séparent, mais surtout d'une métaphore de la Vie et de la Mort. D'un être qui sent sa vie lui échapper; le jour où, par exemple, il décide de partir se faire soigner. Et l'avion se pose à Orly! Dernier aéroport, pour un dernier voyage...

(esta é uma das canções em que brel utiliza um dos seus recursos linguísticos preferidos - o advérbio de modo, no caso infiniment, que, aliás, viria a dar título a um disco de sucessos editado há uns anos)

Ricardo Arjona - El Amor [2011]

discos para o resto da vida [7.2.]
(1977) [les marquises], jacques brel

brel nunca escondeu a sua aversão pela hipocrisia dominante no mundo da religião, ele que nasceu e cresceu rodeado dela.

no último disco, perante a morte que já sabia perto, fez questão de acertar contas com o 'bom deus'.

toi, toi, si t'étais l' Bon Dieu
tu n'serais pas économe
de ciel bleu
mais tu n'es pas le Bon Dieu
toi, tu es beaucoup mieux
tu es un homme

discos para o resto da vida [7.1.]
(1977) [les marquises], jacques brel

em 1977, brel interrompeu um silêncio de dez anos para gravar, em paris, aquele que viria a ser o seu testamento musical. morreu passado um ano, aos 49, sendo sepultado nas ilhas marquesas, onde passara esses últimos tempos de vida.

as suas grandes - enormes - canções não estão aqui.
estas são quase todas canções de despedida, de quem gostou muito de viver.

le coeur est voyageur
l'avenir est au hasard







penso que nunca tinha visto um órgão/reunião tão representativo e diversificado como o Conselho de Estado que hoje está reunido.
não sendo perfeito (só tem uma mulher, por exemplo), é, porém, um excelente exemplo. quer para a política, quer, por exemplo, para a actividade mediática.

 *

ao fim de meia hora de reunião do Conselho de Estado, o BCE publicava no site a intervenção do seu presidente naquele órgão. temos muito que aprender.