Marvin Gaye - Sexual Healing
[Kygo Remix - 2015]

another pair of eyes to help us see the world with. We call that emotion by love, too, but perhaps it needs a better name, and a song or two of its own.

p de portugal, p de (santa) paciência

- ah, sobre isso quem sabe mesmo tudo é a dra. fulana.
vais falar com a dra. fulana e dizes à dra. fulana que só precisas mesmo de uma, apenas uma, informação. nem dizes sound bite, para não baralhar muito a dra. fulana.
mas a dra. fulana desata a falar, que não concorda com não sei o quê, e que não sei quem não fez coisa e tal. e ao fim de uns minutos percebes que a dra. fulana não te vai dizer nada que se aproveite.
é nessa altura que te passa pela cabeça a ideia do suicídio assistido. a dra. fulana suicidava-se e tu assistias.

about taking chances

Canções para o resto da vida [44]

Françoise Hardy, dizem-me as notícias, despede-se da vida na pior das circunstâncias, pressentindo a morte. No seu último livro (Avis Non Autorisés..., Março 2015), o tempo vai oscilando entre a memória dos homens públicos com quem se cruzou e a amargura dos últimos anos.
Não há uma canção de Françoise Hardy de que não goste; há canções quase banais de outros de que só gosto na voz de Françoise Hardy.
Sei exactamente (coisa rara) do que gosto em Françoise Hardy: aquela tristeza alegre, a alegria sempre um pouco triste.


Françoise Hardy - Tant de Belles Choses (2004)

Même s'il me faut aller plus loin
couper les ponts, changer de train
L'amour est plus fort que le chagrin
l'amour qui fait battre nos coeurs
va sublimer cette douleur
Transformer le plomb en or
Tu as tant de belles choses à vivre encore
Tu verras au bout du tunnel
se dessiner un arc-en-ciel
et refleurir les lilas
Tu as tant de belles choses devant toi

I Carry Your Heart [e.e. cummings]

Joy Williams - Sweet Love of Mine [2015]

] tentar perceber
fazer sentido [

fascinante, no ofício de viver, como diria o italiano, é o trabalho constante de construção que fazemos sobre nós próprios e sobre os outros e o mundo.
como se cada dia - cada segundo... - comportasse em si uma infinidade de possibilidades, que escolhemos e combinamos incessantemente.
tentar perceber - o jogo da infância eterna. a curiosidade que nos move, literalmente, porque sem ela nada acontece.
fazer sentido - nada do que é, do que existe, nos é indiferente, mesmo aquilo a que nos julgamos indiferentes. que cada um de nós possa criar um sentido único para tudo é talvez a maior maravilha de viver.

Canções para o resto da vida [43]

O Céu é um bar onde a nossa canção preferida toca toda a noite, noite após a noite.
Acho uma delícia, esta descrição do Inferno, perdão, do Céu, feita por David Byrne.
Há poucas bandas, como os Talking Heads, em que apenas o humor é uma ameaça à inteligência.


Talking Heads - Heaven [1979]

when this kiss is over it will start again
it will not be any different, it will be exactly the same
repeat absoluto. a quantidade de vezes que já ouvi esta canção nas últimas semanas - experimentem no carro, janelas abertas, entre os 180 e os 200... - suplanta largamente o número de eleitores nas primárias do livre, isto para não falar das horas que já leva o drama grego em bruxelas.

i'll be the ocean so deep and wide
and grab all the tears whenever you cry
i'll be the breeze after the storm is gone
to dry your eyes and love you all warm
                                                                      Otis Redding

Tape Junk - The Left Side of the Bed [2015]


[made in Alvito]
fui duas vezes ao cinema nos últimos tempos. ou melhor, três... não, espera aí.
a primeira foi para ver um filme de que gostei muito.
mas, já que estava ali, decidi comprar bilhete para a sessão a seguir, a da meia noite.
primeiro erro: comprar o segundo bilhete; bastava não ter saído da zona das salas.
mas houve um segundo erro: a entrada na sala.
entrei. fiquei sozinho e, estrategicamente, sentei-me rigorosamente ao centro.
começa o filme e, à parte a língua (o francês), tudo me parecia estranho.
ao fim de uns dez minutos, rola o genérico e, zás, percebo que estou na sala errada.
só que, decorridos todos aqueles minutos, já não valia a pena mudar-me para a 9, onde iria perder o início. fiquei por ali.
ao fim de meia hora, o meu dilema era moral: o filme era uma enorme estopada, mas eu estava numa sessão privada, só para mim. se saísse, o projectista (ideia tonta, eu sei, já não há disso) iria ficar triste. afinal, perderia cem por cento da audiência.
aguentei, portanto, mais uns minutos, vinte talvez. mas aquilo era demais: saí suavemente, de forma a não perturbar o enorme vazio, na sala e na tela.
não virei as costas, mas adivinhei o ar desolado dos actores: 'e agora, continuamos?´. a pergunta, meus amigos - eles, não vocês - é retórica. vocês, na verdade, não estavam a fazer nada. tentavam, apenas, demonstrar o enorme vazio que pode ser o passar do tempo.

a outra ida ao cinema foi para um filme sueco de que os jornais falam hoje e que terá sido premiado em veneza.
fomos à ante-estreia, com bilhetes sacados num concurso do facebook.
a sala estava cheia, presumo que apenas com borlas. ao fim de vinte minutos, um casal levantou-se e logo a seguir outro. nas últimas filas, uns gandulos riam-se a despropósito. ao fim de uns 50 minutos, a sala estava meio vazia.
o que mais me espantava era a desfaçatez de quem saía, a forma ostensiva como o faziam. aquilo era quase um desafio para quem ficava.
comentámos: 'saímos?'. concordámos em ficar. confesso que o dilema voltava a ser moral: como rejeitar algo que me tinha sido dado? tivesse pago o bilhete e era capaz de ter saído.

quando trabalhava nos jornais, costumava comentar que qualquer merda impressa passava a ser notícia (sim, eu sei, está tudo muito pior...). mas a verdade é que não conheço outra actividade em que a merda tenha ganho tal estatuto de arte como o cinema.

Les Surfs - In Un Fiore [1966]

Canções para o resto da vida [42]

Em certas alturas da vida, o difícil é mantermo-nos indiferentes ao paleio da idade para onde (quase) todos nos querem empurrar. Ninguém acredita que nunca parámos um momento a pensar nessa coisa da idade e nem sabemos precisamente do que estão a falar. A idade, como o tempo e mais meia dúzia de temas, é apenas small talk para quem não tem mais talk algum.
Agora, que parei uns segundos para escrever sobre a coisa, dou comigo a pensar que idade deve uma coisa parecida com deus. Há quem acredite, quem não acredite e quem, entre os quais me incluo, que encara a coisa como uma possibilidade teórica da qual desconhece a realidade prática. Idade? Sim, é capaz de haver. Um dia, quem sabe?, pensarei nisso.

53 anos (belo número, by the way...) separam esta duas versões. Nota-se muito?



Frank Sinatra
- Young at Heart (1953)




Tom Waits - Young at Heart (2006)

Blur feat. Françoise Hardy - To the End (La Comédie) [1995]

sim senhor, gostei das primárias do livre. 2 mil pessoas (!) elegeram caras novas (ideias novas, especialmente) para cabeças de lista em todo o país. a esquerda é um poema: pula e avança.

The Tallest Man On Earth - Sagres [2015]

we were travellers, so blind
went to where the world did end
read of deaths in waves and out
so this is when we walked away

and the sadness i suppose
gonna hold me to the ground
where i'm forced to find the still
in a place you won't be 'round