há dias, numa conferência sobre gestão (!), o fulano tentava explicar a nossa resistência à mudança - um gesto de negatividade, já que a vida é movimento, logo mudança - com o nosso acto primordial de vontade: o momento em que, por gestos, acenando a cabeça ou empurrando com as mãos, rejeitamos o leite materno ('não quero mais'). mesmo antes, muito antes, da primeira palavra.
esse gesto de negação marca-nos para a vida e, por isso, dizer não é o que fazemos com mais facilidade e tomamos por natural.
ora, só o sim é criador. e isto não foi o conferencista que disse.
Canções para o resto da vida [41]
Elvis não é propriamente consensual. Ele encarna uma certa América deslumbrada e parola, é certo, mas, nos seus melhores momentos, regressa ao menino da mamã do seu primeiro disco e é simplesmente divertido, nos limites da ingenuidade.
Há um momento na sua carreira de que gosto especialmente - o programa de televisão que gravou, em 1968, e que ficou conhecido como Comeback Special. Tem alguns dos tais momentos grandiosos a roçar o foleiro, mas tem uns larguíssimos minutos do melhor que já vi/ouvi: a sessão acústica (talvez o primeiro unplugged da história).
One Night With You, que na versão original já é uma canção do caraças, surge aqui simplesmente fabulosa.
Elvis Presley - One Night With You [1968)
Há um momento na sua carreira de que gosto especialmente - o programa de televisão que gravou, em 1968, e que ficou conhecido como Comeback Special. Tem alguns dos tais momentos grandiosos a roçar o foleiro, mas tem uns larguíssimos minutos do melhor que já vi/ouvi: a sessão acústica (talvez o primeiro unplugged da história).
One Night With You, que na versão original já é uma canção do caraças, surge aqui simplesmente fabulosa.
Elvis Presley - One Night With You [1968)
Canções para o resto da vida [40]
Nunca se saberá se a canção é sobre Joan Baez, outra qualquer, ele próprio, ou coisa nenhuma.
Dylan estava no auge da sua criatividade e uma das suas preocupações subliminares era não se deixar fixar em qualquer instantâneo fotográfico. Ele era o perfeito herói anti-herói, as letras das canções permitiam todas as interpretações, o lirismo de um verso dobrava a esquina e já era cinismo no verso seguinte. Em meia dúzia de anos, Dylan fazia de si próprio um mito.
Esta é uma das suas canções que melhores versões gerou. Gosto particularmente das dos Animals (Eric Burdon), Bryan Ferry e Gal Costa.
E tem um dos meus versos preferidos de Dylan: 'crying like a fire in the sun'.
Bob Dylan - It's All Over Now, Baby Blue (1965)
Dylan estava no auge da sua criatividade e uma das suas preocupações subliminares era não se deixar fixar em qualquer instantâneo fotográfico. Ele era o perfeito herói anti-herói, as letras das canções permitiam todas as interpretações, o lirismo de um verso dobrava a esquina e já era cinismo no verso seguinte. Em meia dúzia de anos, Dylan fazia de si próprio um mito.
Esta é uma das suas canções que melhores versões gerou. Gosto particularmente das dos Animals (Eric Burdon), Bryan Ferry e Gal Costa.
E tem um dos meus versos preferidos de Dylan: 'crying like a fire in the sun'.
Bob Dylan - It's All Over Now, Baby Blue (1965)
| it rained last night, há uma semana, no instagram |
conhecia o david clifford 'apenas' das belíssimas fotografias que publicava, há uns anos, no público.
há um mês, a time out pediu-me (e a mais três ou quatro) um curto texto sobre a feira da livro e decidiu ilustrar essas micro reportagens com uns retratos bem dispostos dos autores.
em menos de 5 minutos, num estúdio improvisado, o david aviou as tais fotos divertidas.
nos textos que sobre ele escreveram os amigos, hoje, nas redes sociais, percebe-se que, além de excelente fotógrafo, era também um ser humano fora de série.
nos últimos anos, vivia de biscates, era apenas mais um dos que o 'sistema' usou e deitou fora. tinha 40 anos.
Canções para o resto da vida [39]
Há acidez da primeira à última palavra e a canção chega a ser pornográfica na forma como expõe a relação da cantora com Bob Dylan.
Joan Baez - Diamonds and Rust (1975)
now you're telling me
you're not nostalgic
then give me another word for it
you who are so good with words
and at keeping things vague
because I need some of that vagueness now
it's all come back too clearly
yes I loved you dearly
and if you're offering me diamonds and rust
I've already paid.
Joan Baez - Diamonds and Rust (1975)
now you're telling me
you're not nostalgic
then give me another word for it
you who are so good with words
and at keeping things vague
because I need some of that vagueness now
it's all come back too clearly
yes I loved you dearly
and if you're offering me diamonds and rust
I've already paid.
22
i was once like you are now
and i know that it's not easy
to be calm when you've found
something going on
but take your time, think a lot
why, think of everything you've got
for you will still be here tomorrow
but your dreams may not
and i know that it's not easy
to be calm when you've found
something going on
but take your time, think a lot
why, think of everything you've got
for you will still be here tomorrow
but your dreams may not
Canções para o resto da vida [38]
Apaixonei-me por esta canção há muito tempo, na versão de Neil Young [sobre a canção, ler aqui].
É uma canção para todas as estações, para a estação das despedidas, para a estação dos reencontros, para a estação dos encontros, e para a estação do 'movin' on'.
Às vezes, cheguei a pensar que tinha sido escrita a pensar em mim, o melhor que se pode pensar de uma canção.
Neil Young - Four Strong Winds
É uma canção para todas as estações, para a estação das despedidas, para a estação dos reencontros, para a estação dos encontros, e para a estação do 'movin' on'.
Às vezes, cheguei a pensar que tinha sido escrita a pensar em mim, o melhor que se pode pensar de uma canção.
Neil Young - Four Strong Winds
Canções para o resto da vida [37]
Gosto muito de Joni Mitchell, coisa muito menos consensual do que imaginava há uns anos [cf. aqui].
E, claro, gosto mesmo muito de A Case of You. A ideia de beber uma caixa de ti...
E gosto muito de River, uma canção de Natal para quem não gosta de Natal, ou para os casos em que não temos no sapatinho (na árvore, whatever) a prenda que julgávamos merecer. Ou, pior, quando a prenda já lá esteve e, subitamente, is gone.
É uma excelente canção para ouvir em Junho, o mês em que foi lançada, há 49 anos.
Joni Mitchell - River (1966)
E, claro, gosto mesmo muito de A Case of You. A ideia de beber uma caixa de ti...
E gosto muito de River, uma canção de Natal para quem não gosta de Natal, ou para os casos em que não temos no sapatinho (na árvore, whatever) a prenda que julgávamos merecer. Ou, pior, quando a prenda já lá esteve e, subitamente, is gone.
É uma excelente canção para ouvir em Junho, o mês em que foi lançada, há 49 anos.
Joni Mitchell - River (1966)
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