Canções para o resto da vida [12]

Há canções, às vezes só fragmentos, outras vezes discos inteiros, os objectos até, que nos remetem sem apelo para momentos precisos das nossas vidas. Locais, tempos, pessoas. Fotografias, na verdade.
É assim com o vinil, que nem sequer tenho actualmente, de LC, o segundo disco dos Durutti Column, que as enciclopédias gostam de catalogar como pós-punk, o que não quer dizer rigorosamente nada, nem consegue transmitir a enorme influência que esta música teve naquela altura (apesar de nunca ninguém ter feito nada exactamente assim).



The Durutti Column - Never Know (1981)

Never known
I cry in my sleep
Sometimes you stay
e o que pretendes fazer com isso? 
parece-me que é isso.

The Magnetic Fields - Let's Pretend We're Bunny Rabbits [1999]

miúda gira 2


publico.pt 15.04.15: Trabalhadores do Metro suspendem greve de sexta-feira

miúda gira...

/ it's strange, it never feels the same
a lover estranged from a lover
by now i should know how to recover
is time the enemy a stranger

here we go again
i believe your truth in that i'm useless
but what you think be not my business
now you're the enemy, just a friend
here we go again /


http://timeoutjmf.blogspot.pt/2015/04/scott-matthew-this-here-defeat.html


faz-me bem e nunca vos fez mal

a time out (declaração de interesses: sou amigo dos gajos) criou um paradigma. uma lisboa onde tudo está a acontecer. não foi a time out que transformou lisboa, mas a time out ajuda a mudar a imagem de lisboa.
a capa desta semana é sobre tudo 'o que está a ferver' na cidade. ou seja, é um guia de fuga para os lisboetas que gostam de lisboa, mas também gostam de sossego. sinceramente, começa a não haver paciência para passeios em rebanho à beira tejo, restaurantes caríssimos em que só se consegue jantar por turnos, esplanadas sem lugares para sentar, espaços verdes e jardins tipo metro em hora de ponta...
a edição desta semana da time out é, pois, um desafio a todos os que gostam mesmo de lisboa: descubram, ou inventem, a vossa própria cidade. na vossa rua, no bairro do vizinho, ou numa lisboa sempre por descobrir que ainda há.
(isto nada tem a ver com o debate sobre o alegado excesso de turistas em lisboa. gosto de turistas.)

Canções para o resto da vida [11]

Certo. O amor que não está dá sempre boas canções. E quando está?

Algumas das melhores canções dos Beach Boys não são tão Beach Boys quanto esta.


REM - At Your Most Beautiful (1998)

I've found a way to make it
I've found a way
A way to make you smile

I read bad poetry
Into your machine
I save your messages
Just to hear your voice
You always listen carefully
To awkwards rhymes
You always say your name
Like I wouldn't know it's you
At your most beautiful.

At my most beautiful
I count your eyelashes secretly
With every one, whisper I love you
I let you sleep
I know you're closed eye watching me
Listening
I thought I saw a smile.

what are you looking at?


Esta, e não aquelas ideias profundas sobre política e media, é a minha frase preferida de House of Cards. Sim, para onde estamos a olhar? não era suposto vermos tudo aquilo.

Canções para o resto da vida [10]

Paulinho da Viola é autor de algumas das mais belas canções brasileiras. Algumas delas pensamos, aliás, que são de Chico Buarque e de outros cantores que as tornaram famosas.
Este samba, muito popularizado por Marisa Monte, é uma dessas. Por mais que se ouça, não se entende se é uma canção de alegria ou tristeza. E depois há aqueles segundos de suspensão antes do verso da "pausa de mil compassos"... Fabuloso.


Paulinho da Viola e Marisa Monte - Para Ver as Meninas (1971-2000)

Silêncio por favor
Enquanto esqueço um pouco
a dor no peito
Não diga nada
sobre meus defeitos
Eu não me lembro mais
quem me deixou assim

uma série de tv que gosta de livros. uma biblioteca pública que gosta de séries de tv.


uma série de tv que gosta de música: A (Nearly) Comprehensive Guide To The Music Of 'Mad Men'

Villagers - Hot Scary Summer [2015]

(audio fabuloso)

Canções para o resto da vida [9]

'69 Love Songs' é um empreendimento avassalador, criado por um pequeno génio chamado Stephin Merritt, que umas vezes se esconde atrás dos Magnetic Fields e outras vezes não.
O disco não tenta sistematizar o tema, muito menos esgotá-lo. Talvez por ser tão despretensioso, ouve-se e reouve-se sem cansar.

um site, não oficial (como este vídeo), que funciona como um guia de audição. E quem quiser interpretar as canções (são relativamente simples, de raiz folk) as letras e as cifras estão aqui.



The Magnetic Fields
 - All My Little Words (1999)

Now that you've made me want to die
you tell me that you're unboyfriendable
and I could make you pay and pay
but I could never make you stay
It's like we want to imagine that our minds are just these perfectly translucent windows and we just gaze out of them and describe the world as it unfolds. And we want everybody else to gaze out of the same window and see the exact same thing. That is not true, and if it were, life would be incredibly boring. The miracle of your mind isn't that you can see the world as it is. It's that you can see the world as it isn't. We can remember the past, and we can think about the future, and we can imagine what it's like to be some other person in some other place. And we all do this a little differently, which is why we can all look up at the same night sky and see this and also this and also this.