O mundo mudou, mas a Economist não. É o que parece quando se lêem os artigos da revista que cruzam os interesses económicos com a actividade política. Se há lição muito evidente da crise que varre o mundo desde 2008 é que a economia foi longe de mais e que os Estados se demitiram frequentemente, a começar pela actividade regulatória.
É bom exemplo disso o artigo de capa desta semana, sobre uma iniciativa em discussão no Parlamento Europeu com vista a mitigar o poderio dos monopólios digitais (é, de facto, curioso que o mundo digital viva situações de monopólio em tantas áreas: Google, Facebook, Youtube, Spotify - é óbvio que há outras empresas, mas são anões ao pé de gigantes).
O texto da Economist tem pano para mangas, mas basta um exemplo para se perceber o tipo de falácia em que a revista cai.
Talvez o mais interessante seja a acusação de que o Parlamento Europeu está a legislar para... defender as empresas europeias. Esta tese, verdadeiramente espantosa, pretende ignorar que estamos, de facto, perante uma guerra geo-estratégica de carácter económico. Porque - entre outros factores - os tais monopólios só se instalaram porque foram enormemente fomentados e protegidos pelos vários poderes (político, económico, cultural...) americanos, perante a complacência dos poderes noutras áreas do Globo. Um parênteses para recordar que por detrás da aparente benevolência desses monopólios - que nos servem a todo instante tantos e tão bons serviços gratuitos -, há interesses que vão desde coisas tão práticas como a espionagem comercial e industrial a outras bem mais complexas, que podem envolver um controlo político à escala global.
Ou seja, a Economist acha que o Parlamento deveria defender a livre concorrência, quando as empresas europeias são descaradamente barradas nos EUA.
Enfim, este é apenas um exemplo dos múltiplos enviesamentos de que que padece o texto da revista. Verdade seja dita que eles até alertam para o facto de o presidente executivo da Google fazer também parte da administração da holding que detém a Economist...
Frank Sinatra - Too Marvelous For Words [1937-1957-1962]
Negativo com positivo dá positivo.
Negativo: a quebra continuada das vendas de música em suporte físico;
Positivo: a evolução tecnológica, mais especificamente a digitalização;
Resultado: a indústria discográfica apostou, especialmente na última década, na recuperação de velhas gravações, umas vezes disponibilizando documentos inéditos, outras dando nova vida a gravações de má qualidade.
O balanço é francamente positivo, para a indústria, mas especialmente para todos nós.
Um dos documentos mais extraordinários dessa odisseia é a edição integral das Basement Tapes, de Dylan, ocorrida este Outono. Aquelas semanas de pura magia, que mudaram para sempre a história da música, já tinham sido alvo de várias edições bootleg e até mesmo de uma oficial, que, curiosamente, é a que mais trai a verdade do que se passou naquele Verão de 67.
Noutra escala de importância, a edição em vídeo da famosa digressão europeia de Frank Sinatra com um sexteto de jazz. Aqui, Too Marvelous For Words, o tema de Johnny Mercer (1937) que Sinatra incluíra em Songs For Swingin' Lovers (1957).
A gravação é de 1 de Junho de 1962, em Londres. A uns milhares de quilómetros, aqueles também eram dias de alegria...
John Grant - You Don't Have To [2013-14]
Remember walking hand in hand side by side?
We walked the dogs and took long strolls to the park
Except we never had dogs
And never went to the park.
Remember how we used to fuck all night long?
Neither do I because I always passed out.
I needed lots of the booze
To handle the pain.
You don't have to pretend to care.
We walked the dogs and took long strolls to the park
Except we never had dogs
And never went to the park.
Remember how we used to fuck all night long?
Neither do I because I always passed out.
I needed lots of the booze
To handle the pain.
You don't have to pretend to care.
Ana Cláudia - João e o Pé de Feijão [2014]
no sítio do costume.
já agora, vale a pena comparar o original desta canção (Cícero, 2012) com outro original - you don't know me, de caetano veloso (1972).
um dos espantos que renovo, há uns bons anos, é o tempo, os neurónios e até o afecto que pessoas supostamente cultas e inteligentes gastam com a televisão, apenas para concluírem que não presta. ora a televisão nunca poderá ser nem culta nem inteligente, precisamente porque foi concebida para as massas.
Elton John - The New Fever Waltz [2013]
[é sobre a I Grande Guerra, mas poderia ser sobre outra coisa qualquer]
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