Shadow Girl - Maria de Medeiros & The Legendary Tigerman


Tales from the Rolling Stone
há livros de ficção científica em que os erros dos humanos dão origem a um planeta ao qual o sol vira costas e todos os dias são dias de chuva e todos os dias são quase-noite. e a chuva é ácida, pois.

beyoncé, dizem os media [aqui, aqui], tinha uma mensagem para o concerto no meo arena: elevar o papel da mulher na sociedade.
ora isso só surpreende os desatentos. essa intenção já era bem visível, por exemplo, no vídeo de 'partition', do último disco:











fui alertado pelas redes sociais para um texto do el mundo acerca de 'ne me quitte pas', de jacques brel.
a 'notícia' - digamos assim - não tem uma vírgula de novidade, mas isso nem é o mais relevante.
choca-me, e meço as palavras, o timbre moralista, mesmo serôdio, do texto. e também aquele tom de revelação, do estilo, "a mais bela canção de amor de sempre é, afinal, baseada em factos reais e os factos reais nem sempre são bonitos de se ver".
bananas... todas, TODAS, as canções de brel são autobiográficas. e, obviamente, nenhuma autobiografia sincera é cor-de-rosa.
em suma, um texto lamentável (o facto de ter sido replicado pelas redes sociais é secundário - as redes sociais replicam tudo, de forma tão célere quanto acéfala).

céu até ao chão


há sentimentos, percepções, ideias, que vamos construindo ao longo de anos e que só acontecimentos fortuitos, um poema, um parágrafo de filosofia, um acaso conseguem materializar, dar sentido, trazer à luz do dia.
aconteceu-me agora com zuenir ventura, no livro 'inveja, mal secreto', da colecção da editora objectiva, já com alguns anos, dedicada aos sete pecados capitais.

"o verdadeiro amigo não é o que é solidário na desgraça, mas o que suporta o seu sucesso" - coloca o autor na boca de um dos personagens.
claro que falamos aqui da inveja e do modo, ou desmodo, como cada um lida com ela.
mas a ideia - é isso que há muitos anos pressentia sem conseguir verbalizar - pode ser aplicada a territórios bem mais vastos: é nos momentos bons, de alegria e felicidade, e não nos dias maus e de desgraça, que conhecemos os nossos amigos, os verdadeiros amores, o simples ser humano que connosco se cruza.
porque partilhar a tristeza, confortar a melancolia, chorar em colectivo é a coisa mais fácil do mundo. arranjar forças para enfrentar a dor - por mais paradoxal que possa parecer - é bem mais simples do que participar na construção da felicidade, partilhar o sucesso ou simplesmente ficar alegre com a alegria dos outros.




[já agora, alguns conceitos coligidos por zuenir ventura nesta investigação ficcionada: "ciúme é querer manter o que se tem; cobiça é querer o que não se tem; inveja é não querer que o outro tenha".]