tropeças num nome, fixas-te no nome, toda a tua vida passa a ter um nome.

Canções para o resto da vida [desert island selection .14]

Moi je t'offrirai 
Des perles de pluie 
Venues de pays 
Où il ne pleut pas

Serão umas dezenas - não exagero - as canções de Brel de que gostaria de nunca me separar. Uma espécie de caixa de primeiros socorros para o coração... e a cabeça. Brel tem a justa medida de ternura e ironia de que tento construir os meus dias [conferir, por exemplo, aqui].
Ne Me Quitte Pas assume nessa lista o papel de cânone.

[Nota: esta interpretação, assombrosa, foi colocada no Youtube pelo instituto do audiovisual francês, um exemplo de como se protege a cultura.]


Jacques Brel
Ne Me Quitte Pas

prazeres da horta

O Fernando Alves contou hoje de manhã a história do avisador de marés, um fulano que se passeia pelas praias frias do norte de França, alertando os banhistas para os caprichos do mar. Pelo nome e pelo resto, tem potencial de romance.
Mas o que me prendeu mesmo foi uma história do bloco de economia, minutos antes na mesma TSF.
Um empresa portuguesa está a comercializar uma aplicação que dispensa a ida à horta. Confortavelmente, a partir do sofá, podemos determinar a plantação de alfaces ou a colheita de feijões, que alguém fará por nós. Com uma webcam, acompanhamos o processo.
Uma espécie de derivação de um famoso jogo do Facebook, em que milhões de pessoas têm consumido os poucos neurónios com que foram brindadas pela Natureza.
Na prática, esta empresa terá inventado a maneira de anular o único interesse das hortas urbanas - meter as mãos na terra.
Por essa translação do princípio do prazer, mas também pela similitude da ausência de enredo (assistir ao crescimento dos nabos.... buah), estamos verdadeiramente em terrenos da pornografia.
uma espécie de natação. incapaz de compreender gestos tão simples como respirar à superfície, o corpo condena-me a um risível destino. uma espécie de música, da qual não consegues sair para respirar o mundo. e morre-se disso? sei lá, testo os limites.

mini

Desilusão de fim-de-semana - afinal, nem todas as miúdas que conduzem minis são giras. Constato a partir de dois casos, mas estatisticamente basto-me com leves impressões. Agora vai ser necessária uma grande excepção para repor a normalidade.

epifania

hoje percebi que o compal de pêra faz parte do meu acervo afectivo.
ten days of perfect tunes
the colors red and blue
we had a promise made
we were in love

1900 caracteres

na time out de hoje dou cinco estrelas ao novo dos you can´t win, charlie brown. exagero, provavelmente. penso, porém, que eles também me dariam cinco estrelas se me conhecessem.
na capa, uma singela homenagem à famosa foto de simone de beauvoir, a surpreendente amante do presidente hollandês.


Canções para o resto da vida [desert island selection .13]

Não, não fuja não 
Finja que agora eu era o seu brinquedo 

Escolher uma canção de Chico... Hum... isto não vai correr bem. Chico Buarque é um dos nomes maiores das canções em língua portuguesa de todos os tempos. Não lhe conheço canção que não seja perfeita e não há canção dele que não me toque.
Nas canções políticas, por exemplo, comparo-o muito a Dylan, pela forma interventiva como, não apenas descreve as situações, mas aponta linhas de acção, sem no entanto se comprometer em excesso. O modo como se compromete de forma não alinhada.
E depois há as canções de amor, de uma sensibilidade e emotividade únicas, significativamente muitas delas escritas para serem cantadas por mulheres.
Escolho uma canção que, de certa forma, até pode ser considerada menor. Aliás, apenas a letra é de Chico, a música, uma simples valsa, é de Sivuca. Esta é a versão original, com Nara Leão.
Gosto do amor descrito, assim, como brincadeira de crianças. Mesmo que, como de costume, os adultos estraguem a estória.


Chico Buarque e Nara Leão 
João e Maria

can´t remember to forget you ;)