O que seria de mim, aqui em Marte, sem notícias da terra?

Ligo a televisão. Dizem-me que está calor. Mostram pessoas na praia. E dão bons conselhos: beba água e procure as sombras.

Balanço provisório

É cedo para contas de mercearia. Vai demorar muito até que percebamos que protagonistas perderam ou ganharam.
Para já, apenas uma certeza: mais um capítulo - e que capítulo! - no descrédito da política.


Pós-quê?

Uma das expressões mais intrigantes dos dias que correm é "pós-troika". Quererá dizer que a próxima pipa de massa será emprestada por um quarteto?

Um título





Este título, na edição de hoje do Diário Económico, no esplendor dos seus múltiplos segundos sentidos, é um dos retratos mais cruéis dos tempos que vivemos.

Espiar é espiar é espiar

Os europeus, tadinhos, pensavam que aqueles adidos das embaixadas americanas em Londres e Bruxelas faziam recortes do Le Monde e do Frankfurter Allgemeine. Afinal, parece que faziam (fazem) o seu trabalho: espiam. Pretender que, na era do digital e das redes sociais, esses meios estão imunes à devassa, é uma infantilidade. Os serviços de espionagem 'passeiam' agora por ai com o mesmo àvontade que antes liam cartas privadas ou ouviam conversas em cafés. Do que é que estavam à espera?

Google Reader



Às vezes, esquecemo-nos: as redes sociais são baseadas em tecnologia e 'know how' alheios, dos quais usufruímos quase sempre à borla. É claro que se estabelece um contrato não escrito, em que nos tornamos tacitamente dependentes uns dos outros. Exemplo, os detentores desses instrumentos vendem publicidade à nossa custa. Mas os laços existentes são, na verdadeira acepção da palavra, virtuais.
Hoje, o Google Reader acabou, já tínhamos sido avisados. Nos últimos anos, foi o meu mais fiel companheiro na Net - era com ele que lia jornais e blogues, que me mantinha informado. Com as novidades que todos os dias surgem nas redes sociais, o Reader mantinha-se firme e dava-me uma sensação de segurança. Acabou.
É claro que há umas semanas que já estou no Feedly. É uma das vantagens das redes sociais: até a mais profunda das relações pode ser instantaneamente trocada, sem dor, por outra relação igualmente profunda e prometedora. Ainda bem que 'cá fora' não é assim.

You didn't see me I was falling apart
I was a television version of a person with a broken heart
(...) 
I'm so surprised you want to dance with me now
I was just getting used to living life without you around
(...)

Quatro regras da comunicação (há outras)

1. A comunicação tem horror ao vazio.
2. A comunicação é insaciável.
3. A comunicação é auto-fágica.
4. As regras da comunicação interligam-se entre si através de adversativas.

é possível tornar as tardes de domingo ainda mais quentes?

Por artes de magia, o FB tornou-me amigo das Mulheres Sociais Democratas. Nada tenho contra mulheres. Sociais-democratas, socialistas, comunistas. Não gosto é delas em grupos (e elas também não deveriam gostar, mas isso é lá com elas).

peter pan e tal

a verdade é que cresço imenso com as contrariedades.
chego-me ao balcão do hotel.
- boa tarde, tenho uma reserva.
- é para fazer check-in?
ponho cara de meio surpreendido, meio sem paciência.
e insiste ele:
- é para fazer check-in?
- tenho uma reserva...

please be patient with me

quase mil quilómetros da noite para o dia ao som de dois discos. as auto-estradas portuguesas foram feitas para que se possam ouvir os wilco em condições.

brazil

eu até deveria estar do lado dos manifestantes brasileiros. eles, afinal, estão contra a indústria da futebolização. coisa muito saudável, parece-me.
mas, que querem?, não consigo simpatizar com esta arruaça global. talvez por ainda acreditar na política e achar que estas manifs de terra queimada estão a reduzir drasticamente uma saída política.

10


















vivêssemos num mundo menos conturbado, e este seria o Verão das camisas Soprano.