peter pan e tal

a verdade é que cresço imenso com as contrariedades.
chego-me ao balcão do hotel.
- boa tarde, tenho uma reserva.
- é para fazer check-in?
ponho cara de meio surpreendido, meio sem paciência.
e insiste ele:
- é para fazer check-in?
- tenho uma reserva...

please be patient with me

quase mil quilómetros da noite para o dia ao som de dois discos. as auto-estradas portuguesas foram feitas para que se possam ouvir os wilco em condições.

brazil

eu até deveria estar do lado dos manifestantes brasileiros. eles, afinal, estão contra a indústria da futebolização. coisa muito saudável, parece-me.
mas, que querem?, não consigo simpatizar com esta arruaça global. talvez por ainda acreditar na política e achar que estas manifs de terra queimada estão a reduzir drasticamente uma saída política.

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vivêssemos num mundo menos conturbado, e este seria o Verão das camisas Soprano.
http://timeoutjmf.blogspot.pt/

Istambul

Agora, é na Turquia.
Uma das coisas que sempre me espanta é facilidade com que os jornalistas transformam qualquer acontecimento internacional numa causa, em que tem de se escolher um dos lados. E ai de quem não escolha o lado certo...
É assim, parece-me, desde sempre.
Convivi durante muitos anos com "enviados especiais" que se distinguiam do noticiário das agências de notícias simplesmente pelo facto de... terem escolhido um dos lados.
Agora, que não há dinheiro para enviados especiais, acontece exactamente o mesmo com os textos escritos no conforto das redacções. Não interessa relatar ou tentar compreender. Não, os acontecimentos têm uma narrativa pré-concebida, com o mundo organizado em "bons" e "maus", e depois é só ir contando a história, com euforia ou tristeza, conforme quem está "a ganhar".
Um exercício tão infantil como as fábulas em que se inspira.

ikea time

João Pinto e Castro, entre muitas outras coisas, escreveu alguns dos melhores textos sobre os tempos sombrios que atravessamos. Vai fazer-nos falta.

moby dick

há largas semanas que, intermitentemente, me entretenho com Moby Dick, um calhamaço razoável. ler (nalguns casos, reler) os clássicos faz(me) bem à alma, por motivos que não sei explicar.
há dias, no seu blogue, Rentes de Carvalho, a nova coqueluche literária dos conservadores, escrevia assim:
(...) Um livro com que (quase) toda a gente se embasbaca, compreende, e com ele se voa para  regiões superiores do espírito, mas não consigo ler até ao fim: Moby Dick. O que prova que a culpa não é do livro, mas do leitor: não posso ter razão contra os milhões de anónimos e os grandes espíritos que o reverenciam.
Moby Dick é, de facto, um livro de escrita magistral. 
ao contrário de outros clássicos, a escrita não é sequer elitista, complicada. pelo contrário - e talvez daí o seu papel de referência na literatura americana - tudo ali é simples. simplesmente, está bem escrito.
pela parte que me toca, o tema - a caça à baleia, em todo o seu pormenor - tem sido o principal travão à leitura. mas talvez também a boa escrita - é fantástica a erosão na nossa capacidade de apreensão que advém do verdadeiro cerco de escrita fácil/rápida, seja na literatura propriamente dita, seja especialmente nos media. 
parte do gozo de ler Moby Dick, hoje, está em encontrar, um dia por outro, um tempo, um lugar, para a slow reading. melhor ainda quando essa fruição lenta contamina o normal dos dias.
confirmei agora mesmo no google street view que, em agosto de 2009, não estava em casa.

ever feel like you belong / to a story you ain't heard


o novo anúncio do cartão visa é espectacular, mas tem umas letras pequeninas a dizer que daquilo não há em portugal. a mac donalds faz agora publicidade à comida saudável. a apple anunciou um novo sistema operativo para os dispositivos portáteis em que pela primeira vez copia a microsoft. no facebook, umas pessoas estão, tadinhas, a queixar-se do cheiro a farturas na feira do livro. a maior estranheza do fim-de-semana foi o novo e radical corte nas iluminações de natal. sacanas.

Canções para o resto da vida | Redux Edit. 25

Uma canção extraordinária, um intérprete fora de série. Coisas simples.

 
Louis Armstrong 
La Vie en Rose