moby dick

há largas semanas que, intermitentemente, me entretenho com Moby Dick, um calhamaço razoável. ler (nalguns casos, reler) os clássicos faz(me) bem à alma, por motivos que não sei explicar.
há dias, no seu blogue, Rentes de Carvalho, a nova coqueluche literária dos conservadores, escrevia assim:
(...) Um livro com que (quase) toda a gente se embasbaca, compreende, e com ele se voa para  regiões superiores do espírito, mas não consigo ler até ao fim: Moby Dick. O que prova que a culpa não é do livro, mas do leitor: não posso ter razão contra os milhões de anónimos e os grandes espíritos que o reverenciam.
Moby Dick é, de facto, um livro de escrita magistral. 
ao contrário de outros clássicos, a escrita não é sequer elitista, complicada. pelo contrário - e talvez daí o seu papel de referência na literatura americana - tudo ali é simples. simplesmente, está bem escrito.
pela parte que me toca, o tema - a caça à baleia, em todo o seu pormenor - tem sido o principal travão à leitura. mas talvez também a boa escrita - é fantástica a erosão na nossa capacidade de apreensão que advém do verdadeiro cerco de escrita fácil/rápida, seja na literatura propriamente dita, seja especialmente nos media. 
parte do gozo de ler Moby Dick, hoje, está em encontrar, um dia por outro, um tempo, um lugar, para a slow reading. melhor ainda quando essa fruição lenta contamina o normal dos dias.
confirmei agora mesmo no google street view que, em agosto de 2009, não estava em casa.

ever feel like you belong / to a story you ain't heard


o novo anúncio do cartão visa é espectacular, mas tem umas letras pequeninas a dizer que daquilo não há em portugal. a mac donalds faz agora publicidade à comida saudável. a apple anunciou um novo sistema operativo para os dispositivos portáteis em que pela primeira vez copia a microsoft. no facebook, umas pessoas estão, tadinhas, a queixar-se do cheiro a farturas na feira do livro. a maior estranheza do fim-de-semana foi o novo e radical corte nas iluminações de natal. sacanas.

Canções para o resto da vida | Redux Edit. 25

Uma canção extraordinária, um intérprete fora de série. Coisas simples.

 
Louis Armstrong 
La Vie en Rose

Notícias

Hoje de manhã, a TSF anunciou (e deu a ouvir...) que o Sting tem disco novo. O trânsito estava fluído e não havia desastres para noticiar.

Da beleza dos glaciares

This pain –
It is a glacier moving through you
And carving out deep valleys
And creating spectacular landscapes
And nourishing the ground
With precious minerals and other stuff
So don't you become paralyzed with fear
When things seem particularly rough

wtf

durante dez minutos, em pleno telejornal, jornalista e convidado falaram da falta dos medicamentos life saving.

carla


A língua francesa está a morrer e só os franceses ainda não o perceberam. Por isso, deveriam estar agradecidos a Carla, uma italiana no BI, pelo meritório trabalho que tem feito, não apenas de divulgação da língua, nas especialmente pela recuperação e reformulação de uma das marcas gaulesas por excelência – a chanson. [à suivre]

O estado das coisas

Na semana em que Mário Soares leu uma mensagem do "camarada Pacheco Pereira" num comício do Bloco de Esquerda, os reformados de Lisboa trocaram a enésima manif dos satélites do PC pelos bancos do Jardim da Estrela. Junho vai ser ruídoso, depois vamos a banhos.

partir sem tomar o gosto

Nem me fales nisso! Escuta, rapaz - suaves entrelaçamentos de membros - um ligeiro balançar - hesitações!, palpitações!, lábios!, corações!, coxas!, tudo palpável: palpar incessantemente e depois partir!, partir sem tomar o gosto, pois de outro modo vem a saciedade.
Herman Melville, Moby Dick
And so you see I have come to doubt
All that I once held as true
I stand alone without beliefs
The only truth I know is you.

[ouvido ainda agora numa nova canção portuguesa]

eu vou dar a volta ao mundo
para roubar mais um segundo
quero beijos teus!

Canções para o resto da vida | Redux Edit. 24

Há canções que parecem ter existido desde sempre, que juramos ter ouvido mesmo antes de. Esta, por exemplo, é de 2011, e juro que é autobiográfica. Pelo menos no que a mim diz respeito.

Iron & Wine
Tree By Rhe River

da indisponibilidade

Num destes últimos dias, pude assistir a duas conferências únicas. Uma, à hora de almoço, em Lisboa, outra, ao fim da tarde, no Porto. Oradores brilhantes, embora tão diferentes na exposição. O que me ficou desse dia - independentemente dos temas específicos e dissonantes das conferências -, foi uma reflexão sobre a nossa crescente indisponibilidade para ouvir. Nesse dia, ouvi, como outros, eventualmente. Mas, destes últimos tempos, anos talvez, o que me fica mais claro é essa indisponibilidade - que nada tem a ver com tempo - para o outro. Seja nas questões profissionais, seja em relacionamentos de outra ordem, parece que já poucos de nós estão disponíveis para receber, ouvir, entender, sentir. De alguma forma, estamos a perder-nos uns dos outros, nessa superficialidade de conhecimentos, aproximações, sentimentos.