Isto, talvez

Nascemos sozinhos, morremos sozinhos, dizem-te. Como quem diz, do que estavas à espera, so what?


Canções para o resto da vida | Redux edit. 13

É talvez a única canção em que gosto de ouvir o piano eléctrico, um instrumento pobre. E é claramente uma canção de identidade geracional, tal como o autor, aliás. Mas é difícil ouvi-la sem que me assalte um registo autobiográfico, porque o que as canções têm de maravilhoso é essa faculdade de apropriação, através da qual as integramos nas nossas vidas. Esta, em particular, foi-me dizendo ao longo dos anos muito sobre mim, nem sempre o mesmo. Muitas vezes, confundindo a realidade com o desejo, tal e qual como na vida.

 
Paul Simon  
Still Crazy After All These Years
(há várias versões ao vivo no Youtube, nenhuma de que goste tanto como a versão em estúdio, de 1975)

We

Num tempo em que muitos declaram o fim da política, que é tudo igual, que não há formas de lidar com o problema, isto.

Os mais sentidos sentimentos

Do texto promocional de um disco português:
(...) é o resultado de uma constante evolução, é fruto de um caminho bem traçado e anuncia o caminho a percorrer, onde encontramos canções sentidas, que apelam aos mais simples sentimentos, e não nos deixam indiferentes.  

Canções para o resto da vida | Redux edit. 12

Música de dança, with a twist.
Obviamente (it's plain to see...), pelo twist.

 
Fine Young Cannibals
I'm Not The Man I Used To Be (1988)

Canções para o resto da vida | Redux edit. 11

Em 1964, ao quarto disco e apenas dois anos (!) após o início da carreira, Bob Dylan percebeu que não queria ser aquilo que todo o mundo imaginava - líder, fosse do que fosse. My Back Pages é sobre isso mesmo, o jovem que recusa um fato à medida. E estava criado um dos refrões mais poderosos da cultura pop, talvez uma excelente divisa de vida:

Ah, but I was so much older then
I’m younger than that now

A versão dos Byrds, amputada de parte substancial da canção, é ainda assim poderosa.

 
The Byrds 
My Back Pages

Vertigem

Há uma contiguidade desconfortável entre a prática do jornalismo pé de microfone sempre em busca do sound bite e a pretensão de que tudo é mediatizável (e depois há os casos concretos e aí os pormenores são o diabo).

wildest dreams. wouldn't you?

Na Suécia, a rapariga que limpava o comboio acelerou até não haver mais carris.


linhas, luzes, volumes

Canções para o resto da vida | Redux edit. 10

Traveling Wilburys foi um dos momentos mais peculiares da história da pop. Histórico, pelos nomes que juntou por breves instantes (George Harrison, Roy Orbison, Jeff Lynne, Tom Petty, Bob Dylan), divertido, pelo ambiente de pura curtição, de puro prazer de fazer música. Só num disco assim poderíamos ouvir uma canção ligeirinha ligeirinha de Dylan, uma coisa quase pimba, ácida porém, sobre o amor.


 
The Traveling Wilburys  
Congratulations

Queremos! Conseguimos! Obrigado!

Chanel

Há dias, encontrei um vídeo que achei divertido. Simplesmente divertido. Presumo que de forma involuntária, aquilo era Gato Fedorento.
Mas só isso, era um vídeo divertido.
Nas horas que se seguiram, as chamadas redes sociais, e os media depois, entraram em turbilhão. Hordas contra, nem tanto a favor. Mas radicais, quase todos.  Divertidos, sobretudo indignados.
E a empresa que tinha lançado o vídeo, presumo que após algumas horas de discussão, reuniões, briefings e coisas do género, retirou-o. Um erro, penso.
Ora tudo isto me parece do reino da demência. E nem sequer é caso isolado, já tínhamos tido o episódio Jonet e, mesmo agora, o caso do "direito à vida", o prós e contras, à volta do famoso cão do "bairro Texas" de Beja (o local do crime é todo um programa...).
Demente porque desproporcional. Nada disto merece tanto barulho, por muito tédio que atravesse uma sociedade claramente desorientada, castigada, despida de objectivos e valores.
Reivindico para mim o direito a não ser incluído em campanhas, arruaças, mais propriamente. A achar divertido o vídeo só porque o acho divertido, sem daí retirar consequências morais, estéticas, políticas ou comerciais. Eu e o vídeo fazemos parte de mundos diferentes, gosto dessa diferença.
Achar normal o que se passou nestes dias com este caso é meio caminho andado para aceitar um totalitarismo do gosto. Exactamente o contrário do que defendo,

Quanto à menina do vídeo, talvez tenha pela frente um futuro agora mais risonho, se souber aproveitar (episódio do Futre e do chinês, lembram-se?). Para já, foi à televisão, onde lhe fizeram perguntas mais censuráveis que o vídeo ("aceitaria dar conselhos de moda a um desempregado que vai a uma entrevista de emprego?").

Como num desalinho de nudez

A sua maior beleza estava nos cabelos, magnificamente negros, ondeados, muito pesados, rebeldes aos ganchos, e que ela deixava habilmente cair numa massa meio solta sobre as costas, como num desalinho de nudez.
Eça de Queiroz, Os Maias

Canções para o resto da vida | Redux edit. 9

Por exemplo, esta canção. Tem solos swingantes de guitarra, langorosos de metais. Em fundo de órgão, acordeão, castanholas e piano. Lindo! As canções dos Camera Obscura são do mais perfeito e feliz que se faz. À superfície, claro, como se quer a felicidade contemporânea.


Camera Obscura
Tears For Affairs

Este vídeo é delicioso, na simulação de actuações televisivas dos anos 60. A canção é de 2006.