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Chanel

Há dias, encontrei um vídeo que achei divertido. Simplesmente divertido. Presumo que de forma involuntária, aquilo era Gato Fedorento.
Mas só isso, era um vídeo divertido.
Nas horas que se seguiram, as chamadas redes sociais, e os media depois, entraram em turbilhão. Hordas contra, nem tanto a favor. Mas radicais, quase todos.  Divertidos, sobretudo indignados.
E a empresa que tinha lançado o vídeo, presumo que após algumas horas de discussão, reuniões, briefings e coisas do género, retirou-o. Um erro, penso.
Ora tudo isto me parece do reino da demência. E nem sequer é caso isolado, já tínhamos tido o episódio Jonet e, mesmo agora, o caso do "direito à vida", o prós e contras, à volta do famoso cão do "bairro Texas" de Beja (o local do crime é todo um programa...).
Demente porque desproporcional. Nada disto merece tanto barulho, por muito tédio que atravesse uma sociedade claramente desorientada, castigada, despida de objectivos e valores.
Reivindico para mim o direito a não ser incluído em campanhas, arruaças, mais propriamente. A achar divertido o vídeo só porque o acho divertido, sem daí retirar consequências morais, estéticas, políticas ou comerciais. Eu e o vídeo fazemos parte de mundos diferentes, gosto dessa diferença.
Achar normal o que se passou nestes dias com este caso é meio caminho andado para aceitar um totalitarismo do gosto. Exactamente o contrário do que defendo,

Quanto à menina do vídeo, talvez tenha pela frente um futuro agora mais risonho, se souber aproveitar (episódio do Futre e do chinês, lembram-se?). Para já, foi à televisão, onde lhe fizeram perguntas mais censuráveis que o vídeo ("aceitaria dar conselhos de moda a um desempregado que vai a uma entrevista de emprego?").

Como num desalinho de nudez

A sua maior beleza estava nos cabelos, magnificamente negros, ondeados, muito pesados, rebeldes aos ganchos, e que ela deixava habilmente cair numa massa meio solta sobre as costas, como num desalinho de nudez.
Eça de Queiroz, Os Maias

Canções para o resto da vida | Redux edit. 9

Por exemplo, esta canção. Tem solos swingantes de guitarra, langorosos de metais. Em fundo de órgão, acordeão, castanholas e piano. Lindo! As canções dos Camera Obscura são do mais perfeito e feliz que se faz. À superfície, claro, como se quer a felicidade contemporânea.


Camera Obscura
Tears For Affairs

Este vídeo é delicioso, na simulação de actuações televisivas dos anos 60. A canção é de 2006.

LOL também pra si, Flipá!


Este vídeo foi removido pelo utilizador. Ooooohhhh...

Under the moon

A última vez que a vi hoje eram umas dez e meia da manhã.
Neste início de ano, a Lua tem esperado pelo Sol sobre os céus de Lisboa.

Canções para o resto da vida | Redux edit. 8

'Nixon' (2000) nem é o melhor disco dos Lambchop, mas foi por aí que comecei. Por um título estranho de uma banda com um nome ainda mais estranho. Às vezes, chego a pensar que tudo obedece a uma qualquer estratégia para dificultar o acesso aos ímpios. Porque as canções de Kurt Wagner vão directas à alma, mesmo quando se duvida que tal coisa exista. De 'Nixon', ficou-me esta pérola de emoção e elegância, escrita por Wagner e pelo enorme Curtis Mayfield. Um título fabuloso - The Book I Haven't Read - para uma canção de amor comovente. As cordas, o coro, a guitarra, ah a guitarra. We could be, we should be in love.


Lambchop
The Book I Haven't Read

Online, ou seja, tudo em linha

E pronto. Os sites dos jornais portugueses estão todos iguais. O que é excelente para quem lê: está tudo arrumadinho nos mesmos sítios. Para quem lê o Guardian online há vários anos, então, é canja!

A verdade, nua (!) e crua

What does the wife of a public relations expert do when she has insomnia?
- She rolls over and says, “Tell me again, darling, just what is it that you do for a living?”

[de um site americano]

Melhor que os pastéis de nata do Álvaro

Vida, enfim

Lisboa, ontem
















A história foi contada pelo Fernando Alves, na TSF - em Rennes, as pessoas estão a ser convidadas a observar o nascer e o pôr-do-sol.
Sentir o mundo - mais que ver, ouvir, cheirar ou mesmo observar -, e quando digo mundo não quero dizer apenas natureza, o pôr-do-sol, os passarinhos, os riachos..., é das actividades, digamos assim,  mais gratificantes, reconfortantes, energizantes que existem.
As rotinas, o dia-a-dia, roubam-nos essa capacidade de confrontar o que nos rodeia, afinal de contas o espelho em que observamos a nossa dimensão, em que nos situamos, diferenciamos, tomamos consciência de nós e da nossa circunstância.
Não perder essa capacidade de perceber o mundo - de nos ouvirmos e revermos no que nos rodeia - é um pequeno segredo de vida.

Hélas!


[hoje, amanhã]

Y ya que sabemos además
que tampoco existen paraísos futuros,
no hay más remedio, entonces,
que ser el paraíso

Roberto Juarroz
citado por Eduardo Prado Coelho, Tudo O Que Não Escrevi

Canções para o resto da vida | Redux edit. 7

A nossa dimensão explica muito - não temos público suficiente para que certas indústrias culturais ganhem expressão. E nem vale a pena falar nessa miragem do espaço lusófono.
Mas sempre me pareceu que a dimensão não explica tudo. Há no nosso carácter, na nossa maneira de ser, algo que limita, censura, corta as asas. Que não deixa crescer.
Lembrei-me disto quando hoje revia um filme com banda sonora de Ludovico Einaudi. Interroguei-me se Rodrigo Leão ou António Pinho Vargas não poderiam ter escrito aquela banda sonora, se não poderiam actuar regularmente nas grandes salas de todo o mundo, se não poderiam ser distribuídos e promovidos internacionalmente por uma das majors.
Pelos vistos, não.
E é uma pena que a música de António Pinho Vargas não tenha o lugar que merece à escala planetária.


António Pinho Vargas
Dança dos Pássaros