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Canções para o resto da vida [15]

Escondidas na aparente leveza pós-country dos Rilo Kiley, há coisas terríveis, fantasmas, 'bad news', como canta Jenny Lewis.
Se calhar, o melhor é não ouvir muitas vezes.



Rilo Kiley - Portions for Foxes (2004)

And the talking leads to touching
And the touching leads to sex
And then there is no mystery left.

Canções para o resto da vida [14]

Há discos em que tropeçamos por acaso e nos ficam para a vida.
'Invariable Heartache' surgiu com a assinatura de Kort, que mais não é que a colaboração de Kurt Wagner (dos Lambchop) com Cortney Tidwell.
No disco, recriam uma série de canções de uma obscura editora de country, propriedade do avô de Cortney e para a qual cantava a mãe.
Há canções muito boas (incluindo uma chamada 'Penetration'...), mas a de que gosto mais é esta divertida memória da adolescência, ainda por cima servida por um vídeo que capta em cheio o espírito da coisa.



Kort - Picking Wild Mountain Berries (2011)

We've been busy makin' merries
and pickin' wild mountain berries

Canções para o resto da vida [13]

Ouvi esta canção pela primeira vez na voz encantatória de Elizabeth Fraser, dos This Mortal Coil (1983), versão que, aliás, tirou Tim Buckley do esquecimento em que tinha caído desde a sua morte, em 1975, e que deu origem a uma catadupa de versões.
Buckley foi um dos mais criativos e torturados compositores da viragem da década de 60 para a de 70. O apelido tornou-se símbolo de tragédia, com o filho, Jeff, a optar pelo destino do pai. A completar o quadro, a intensa relação que Jeff manteve com a mesma Elizabeth que interpretou daquela forma a canção do pai...
Tragédias e coincidências à parte, esta é uma das mais extraordinárias canções da música anglo-saxónica.
A versão de Tim Buckley é a de 1968 (acústica, num programa de TV). A de estúdio (1970) tem arranjos mais psicadélicos e a letra é ligeiramente diferente.



Tim Buckley - Song to The Siren (1968)


This Mortal Coil - Song to The Siren (1983)

Did I dream you dreamed about me?
Were you hare when I was fox?

Canções para o resto da vida [12]

Há canções, às vezes só fragmentos, outras vezes discos inteiros, os objectos até, que nos remetem sem apelo para momentos precisos das nossas vidas. Locais, tempos, pessoas. Fotografias, na verdade.
É assim com o vinil, que nem sequer tenho actualmente, de LC, o segundo disco dos Durutti Column, que as enciclopédias gostam de catalogar como pós-punk, o que não quer dizer rigorosamente nada, nem consegue transmitir a enorme influência que esta música teve naquela altura (apesar de nunca ninguém ter feito nada exactamente assim).



The Durutti Column - Never Know (1981)

Never known
I cry in my sleep
Sometimes you stay

Canções para o resto da vida [11]

Certo. O amor que não está dá sempre boas canções. E quando está?

Algumas das melhores canções dos Beach Boys não são tão Beach Boys quanto esta.


REM - At Your Most Beautiful (1998)

I've found a way to make it
I've found a way
A way to make you smile

I read bad poetry
Into your machine
I save your messages
Just to hear your voice
You always listen carefully
To awkwards rhymes
You always say your name
Like I wouldn't know it's you
At your most beautiful.

At my most beautiful
I count your eyelashes secretly
With every one, whisper I love you
I let you sleep
I know you're closed eye watching me
Listening
I thought I saw a smile.

Canções para o resto da vida [10]

Paulinho da Viola é autor de algumas das mais belas canções brasileiras. Algumas delas pensamos, aliás, que são de Chico Buarque e de outros cantores que as tornaram famosas.
Este samba, muito popularizado por Marisa Monte, é uma dessas. Por mais que se ouça, não se entende se é uma canção de alegria ou tristeza. E depois há aqueles segundos de suspensão antes do verso da "pausa de mil compassos"... Fabuloso.


Paulinho da Viola e Marisa Monte - Para Ver as Meninas (1971-2000)

Silêncio por favor
Enquanto esqueço um pouco
a dor no peito
Não diga nada
sobre meus defeitos
Eu não me lembro mais
quem me deixou assim

Canções para o resto da vida [9]

'69 Love Songs' é um empreendimento avassalador, criado por um pequeno génio chamado Stephin Merritt, que umas vezes se esconde atrás dos Magnetic Fields e outras vezes não.
O disco não tenta sistematizar o tema, muito menos esgotá-lo. Talvez por ser tão despretensioso, ouve-se e reouve-se sem cansar.

um site, não oficial (como este vídeo), que funciona como um guia de audição. E quem quiser interpretar as canções (são relativamente simples, de raiz folk) as letras e as cifras estão aqui.



The Magnetic Fields
 - All My Little Words (1999)

Now that you've made me want to die
you tell me that you're unboyfriendable
and I could make you pay and pay
but I could never make you stay

Canções para o resto da vida [8]

Apesar do desconcerto do mundo e de todas as agruras da vida, a vida, sim, é doce. E isso nem sempre é assim tão evidente.
Esta espécie de carta de uma mãe a uma filha traz-me à lembrança os diálogos emocionados de pai e filho n'A Estrada, de Cormac McCarthy.

Quanto a Natalie Merchant tenho a certeza de que, se algum dia decidir cantar a lista telefónica de uma ponta à outra, vou gostar muito.


Natalie Merchant - Life Is Sweet (1998)

They told you life is hard
it's misery from the start
it's dull and slow and painful

I tell you life is sweet
in spite of the misery
there's so much more
be grateful.

Canções para o resto da vida [7]

A primeira vez que ouvi falar dos National foi num curto mail: "For 29 years I dreamed about you". Os 29 anos eram verdade, o resto nem por isso.
Os National são os preferidos de 3 em cada 2 jovens adultos por duas razões: as letras desconcertantes, retrato fiel das relações contemporâneas; a tensão erótica da música; o vocalista giro.
Esta é uma das minhas 30 canções preferidas deles. Das outras 20 também gosto.



The National - Slow Show (2007)

I wanna hurry home to you
put on a slow, dumb, show for you
and crack you up.

Canções para o resto da vida [6]

Paixões adolescentes servidas em fatias urgentes de 2 minutos. Esta é a essência da música pop-rock.
John Peel, o Papa da pop britânica, exultou com este tema e terá pedido que na sua sepultura ficasse gravado "teenage dreams, so hard to beat". Parece que lhe fizeram a vontade...

O punk foi uma injecção de adrenalina numa música que estava a ficar moribunda à pala de intelectualices e outras tolices. A coisa funcionou tão bem que a zona pop-rock não voltou a adormecer.



The Undertones - Teenage Kicks (1978)

Are teenage dreams so hard to beat?

Canções para o resto da vida [5]

Claro que Lou Reed foi o mais legítimo herdeiro dos Velvet Underground. E claro que John Cale tem uma carreira desequilibrada, na qual são muitos os registos simplesmente desinteressantes. Nos intervalos, fez alguns discos muito bons e uma mão cheia de canções geniais, como esta.

Estamos naquela zona em que a vitalidade da pop esbarra no conceptualismo e na frieza da intelectualidade. Esta malta tem estudos, de música e outros, isso nota-se e nem sempre é bom. Não é o caso, porém.

Esta canção é sobre... sobre o que é mesmo? Ah, a vida e tal, o costume. O jogo das aparências e coiso.

[Duas versões: uma electrónica e outra com quarteto de cordas.]




John Cale, Dying on the Vine (1985)

I've been chasing ghosts and I don't like it
I wish someone would show me where to draw the line
I'd lay down my sword if you would take it
And tell everyone back home I'm doing fine

Canções para o resto da vida [4]

Ouvir Léo Ferré pode ser um caminho sem regresso, porque, se há música que enlouquece, é esta. Uma doce loucura, feita de amor e anarquia, o título do disco a que esta canção pertence, mas também o verdadeiro programa de vida do nome mais original da música francesa do século XX.

Esta é uma das suas mais belas canções, como de costume inspirada na grande música clássica. O poema, do próprio Ferré (ele, que cantou os maiores poetas franceses), toma o mar como metáfora da vida, através de uma sucessão de versos de forte carga simbólica, de significado nem sempre perceptível, como se a pura musicalidade fosse o seu fim último.




Léo Ferré, La Memoire et La Mer (1970)

Quand j'allais géométrisant
Mon âme au creux de ta blessure
Dans le désordre de ton cul
Poissé dans les draps d'aube fine
Je voyais un vitrail de plus

Canções para o resto da vida [3]

Instalei no tecto do quarto um disco voador, daqueles que se vendem nas lojas de brinquedos, para povoar de discos voadores todos os meus sonhos.
Gosto de ter esse sonho impossível, chamemos-lhe disco voador, que me dá forças para ir alcançando os outros sonhos mais próximos na minha pequena via láctea, os sonhos que verdadeiramente importam.

Penso que esta canção é sobre isso mesmo. Sobre o sonho impossível que nos faz viver e ganhar todos os dias dias à morte.

Sobre Raul Seixas, um genial OVNI da música brasileira, há um excelente artigo na Wikipedia.



Raul Seixas
, Ouro de Tolo (1973)

Eu é que não me sento
No trono de um apartamento
Com a boca escancarada
Cheia de dentes
Esperando a morte chegar

Porque longe das cercas
Embandeiradas
Que separam quintais
No cume calmo
Do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora
De um disco voador.

Canções para o resto da vida [2]

Às vezes, quando perdemos a fé na Humanidade, as canções podem ser a única salvação. Aconteceu-me, outra vez, faz agora quase um ano e esta foi a canção.

Trata-se de um original dos Suicide, uma banda de punk electrónico meio depressivo, e a magia de Springsteen foi transformá-lo em algo que fica algures entre uma canção de embalar (dream baby dream) e um hino motivacional (gotta keep the fire burning). Essa metamorfose é, ela própria, a melhor prova do poder da música.

O registo encantatório é reforçado por um vídeo, no qual são utilizados todos os recursos em que a equipa de BS se tem especializado: a multiplicação de rostos da assistência, o slow motion, a celebração do espaço. As imagens (e os instrumentos...) dos músicos e da assistência não correspondem ao que estamos a ouvir, mas essa ausência de verossimilhança é apenas mais um contributo para o efeito encantatório que se pretende. 



Bruce Springsteen - Dream, Baby Dream (2013)

Canções para o resto da vida [1]

De George Harrison interessa-me aquela maneira tranquila de estar, o "be here now", que transformou em música. Mas também o modo como procurou respostas espirituais para esta coisa da vida. Da espiritualidade interessa-me, aliás, apenas a procura e nunca a resposta, mesmo que a resposta encontrada por Harrison se aproxime mais da serenidade e da beleza que essa resposta deve ter.

Esta canção foi escrita precisamente em reacção às críticas e à incompreensão pela via espiritual escolhida pelo ex-Beatle. A letra acaba por ser uma bela lição de vida.



George Harrison
, The Light That Has Lighted The World (1973)

It's funny how people just won't accept change
As if nature itself. They'd prefer re-arranged
So hard to move on when you're down in a hole
Where there's so little chance to experience soul

I'm greatful to anyone,
that is happy or 'free'
for giving me hope
while I'm looking to see

The light that has lighted the world.