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Canções para o resto da vida [55]

Chama-se 'With My Eyes Wide Open I'm Dreaming' e volta a ser o toque de despertar no meu telemóvel.
Já esteve lá, por um ano, há uns anos.
Foi quando comprei o CD, talvez o mais valioso que tenho, literalmente. Na altura, estava esgotadíssimo e a Amazon fez-me o favor de encontrar uma edição rara. Presumo que hoje já seja mais fácil de comprar.

O tema é o terceiro do disco 'From Gardens Where We Feel Secure", que Virgina Astley lançou em 1983. E a Virgina Astley é uma coisa que só ouvindo.

[by the way, o LP original deste ainda roda cá em casa...]


Virgina Astley - With My Eyes Wide Open I'm Dreaming (1983)

Canções para o resto da vida [54]

A canção é de uma peça de teatro, de 1929. Não conheço nenhuma versão cantada de que goste e, sinceramente, não tenho muita paciência para os cantores de 78 rpm.
A versão de Monk é de 1964.
Monk a solo é muito bom, mas também não fica nada mal com um ensemble assim, muito discreto, quase imperceptível.


Thelonius Monk - I Love You (Sweetheart of All My Dreams) (1964)

Canções para o resto da vida [53]

Os grandes amores acontecem assim. Não faço a mínima ideia das circunstâncias em que ouvi pela primeira vez o Horácio Silva, mas foi coisa para toda a vida, já lá vão umas décadas valentes.
Horace, filho do senhor Silva, de Cabo Verde, nunca haveria de esquecer as origens, mas é nos discos que gravou nos anos 60 que mais referências surgem ao pai et al.


The Horace Silver Quintet - The Cape Verdean Blues (1966)

Canções para o resto da vida [52]

Primeiro o disco: 'The Melody at Night with You' foi gravado, em casa, durante um período de convalescença de Jarrett, e dedicado à mulher. Esse conjunto de circunstâncias fez com que, ao contrário do que é habitual, não haja aqui ponta de virtuosismo, mas apenas melodia que se espraia languidamente.
Deste conjunto de standards, gosto especialmente desta versão de Gershwin. Quem não quer?


Keith Jarrett - Someone To Watch Over Me (1999)

Canções para o resto da vida [51]

A versão de que gosto mais deste tema é em dueto, com Steve Swallow.
Em big band é ainda mais divertido.
Carla Bley é uma fulana extraordinária.


Carla Bley Band - Reactionary Tango (1981)

Canções para o resto da vida [50]

As canções de Robert Wyatt relacionam, como poucas, a razão e a emoção. Pensar o belo não é para todos e, talvez por isso, a dele é uma música muito pouco popular, simplesmente porque as pessoas não estão para isso. Uma opção tão legítima quanto outra qualquer.
Esta canção é disso um excelente exemplo. A versão é das belíssimas Unthanks, porque a voz de Wyatt não é propriamente o melhor cartão de apresentação para as suas canções.



The Unthanks - Free Will and Testament (1997-2013)

So when I say that I know me, how can I know that?
What kind of spider understands arachnophobia?
I have my senses and my sense of having senses.
Do I guide them? Or they me?

The weight of dust exceeds the weight of settled objects
What can it mean, such gravity without a centre?
Is there freedom to un-be?
Is there freedom from will-to-be?

Canções para o resto da vida [49]

Os Blondie são assim a modos que uns Velvet Underground de pechisbeque, o que certamente até agradaria a Andy Warhol. A mesma Nova Iorque, a mesma loira, os mesmos músicos apalermados e musicalmente ignorantes. Uma ligeira diferença: a seguir aos Beatles, os VU são a banda mais influente das últimas 5 décadas, os Blondie são... eh, como dizer?, isso.
Os primeiros segundos desta canção são puro disco (este vídeo é um playback, e vale a pena precisamente pelo som original dos sintetizadores cósmicos e trepidantes). Aliás, na verdade, toda a canção é disco, o punk só lhes surge na atitude e, às vezes, nas guitarras.



Blondie - Heart of Glass (1979)

Canções para o resto da vida [48]

Quando se fala de pop sofisticada, os Prefab Sprout costumam aparecer na conversa.
Quando se fala de outras coisas, também.
Esta canção sempre me pareceu interessante para ouvir ao luar num tempo destes. Pena não ter happy end, mas disso podemos tratar nós.



Prefab Sprout - We Let The Stars Go (1990)

Canções para o resto da vida [47]

Arnaldo Jabor, um dos mais inteligentes e divertidos cronistas brasileiros, decidiu um dia escrever uma crónica de jornal, quase em jeito de poema, coisa ligeira, pura brincadeira.
Rita Lee, essa ganda maluca, viu ali a oportunidade para uma canção, também ela puro prazer. Ou será paixão?


Rita Lee - Amor e Sexo (2003)

Arnaldo Jabor, numa crónica sobre a crónica que virou canção.

Canções para o resto da vida [46]

Os Everything But The Girl foram a banda sonora de um tempo extraordinário. No final da década de 80, só rivalizavam com a série Thirtysomething, no canal 2.
Claro que houve (há, haverá) outros tempos extraordinários. Mas nem sempre os astros alinham esses tempos com a banda sonora ideal.





Everything But The Girl - Come On Home (1986)

Canções para o resto da vida [45]

A canção é de 1970 - de Rita Lee, com os Mutantes.
Marisa Monte costuma cantá-la ao vivo.
Os Pato Fu (Fernanda Takai) fizeram uma versão em 2001.
Uma espécie de rock brasileiro. Boa onda!



Pato Fu - Ando Meio Desligado (1970-2001)

Canções para o resto da vida [44]

Françoise Hardy, dizem-me as notícias, despede-se da vida na pior das circunstâncias, pressentindo a morte. No seu último livro (Avis Non Autorisés..., Março 2015), o tempo vai oscilando entre a memória dos homens públicos com quem se cruzou e a amargura dos últimos anos.
Não há uma canção de Françoise Hardy de que não goste; há canções quase banais de outros de que só gosto na voz de Françoise Hardy.
Sei exactamente (coisa rara) do que gosto em Françoise Hardy: aquela tristeza alegre, a alegria sempre um pouco triste.


Françoise Hardy - Tant de Belles Choses (2004)

Même s'il me faut aller plus loin
couper les ponts, changer de train
L'amour est plus fort que le chagrin
l'amour qui fait battre nos coeurs
va sublimer cette douleur
Transformer le plomb en or
Tu as tant de belles choses à vivre encore
Tu verras au bout du tunnel
se dessiner un arc-en-ciel
et refleurir les lilas
Tu as tant de belles choses devant toi

Canções para o resto da vida [43]

O Céu é um bar onde a nossa canção preferida toca toda a noite, noite após a noite.
Acho uma delícia, esta descrição do Inferno, perdão, do Céu, feita por David Byrne.
Há poucas bandas, como os Talking Heads, em que apenas o humor é uma ameaça à inteligência.


Talking Heads - Heaven [1979]

when this kiss is over it will start again
it will not be any different, it will be exactly the same

Canções para o resto da vida [42]

Em certas alturas da vida, o difícil é mantermo-nos indiferentes ao paleio da idade para onde (quase) todos nos querem empurrar. Ninguém acredita que nunca parámos um momento a pensar nessa coisa da idade e nem sabemos precisamente do que estão a falar. A idade, como o tempo e mais meia dúzia de temas, é apenas small talk para quem não tem mais talk algum.
Agora, que parei uns segundos para escrever sobre a coisa, dou comigo a pensar que idade deve uma coisa parecida com deus. Há quem acredite, quem não acredite e quem, entre os quais me incluo, que encara a coisa como uma possibilidade teórica da qual desconhece a realidade prática. Idade? Sim, é capaz de haver. Um dia, quem sabe?, pensarei nisso.

53 anos (belo número, by the way...) separam esta duas versões. Nota-se muito?



Frank Sinatra
- Young at Heart (1953)




Tom Waits - Young at Heart (2006)

Canções para o resto da vida [41]

Elvis não é propriamente consensual. Ele encarna uma certa América deslumbrada e parola, é certo, mas, nos seus melhores momentos, regressa ao menino da mamã do seu primeiro disco e é simplesmente divertido, nos limites da ingenuidade.
Há um momento na sua carreira de que gosto especialmente - o programa de televisão que gravou, em 1968, e que ficou conhecido como Comeback Special. Tem alguns dos tais momentos grandiosos a roçar o foleiro, mas tem uns larguíssimos minutos do melhor que já vi/ouvi: a sessão acústica (talvez o primeiro unplugged da história).
One Night With You, que na versão original já é uma canção do caraças, surge aqui simplesmente fabulosa.


Elvis Presley
- One Night With You [1968)

Canções para o resto da vida [40]

Nunca se saberá se a canção é sobre Joan Baez, outra qualquer, ele próprio, ou coisa nenhuma.
Dylan estava no auge da sua criatividade e uma das suas preocupações subliminares era não se deixar fixar em qualquer instantâneo fotográfico. Ele era o perfeito herói anti-herói, as letras das canções permitiam todas as interpretações, o lirismo de um verso dobrava a esquina e já era cinismo no verso seguinte. Em meia dúzia de anos, Dylan fazia de si próprio um mito.
Esta é uma das suas canções que melhores versões gerou. Gosto particularmente das dos Animals (Eric Burdon), Bryan Ferry e Gal Costa.
E tem um dos meus versos preferidos de Dylan: 'crying like a fire in the sun'.



Bob Dylan - It's All Over Now, Baby Blue (1965)

Canções para o resto da vida [39]

Há acidez da primeira à última palavra e a canção chega a ser pornográfica na forma como expõe a relação da cantora com Bob Dylan.



Joan Baez - Diamonds and Rust (1975)

now you're telling me
you're not nostalgic
then give me another word for it
you who are so good with words
and at keeping things vague
because I need some of that vagueness now
it's all come back too clearly
yes I loved you dearly
and if you're offering me diamonds and rust
I've already paid.

Canções para o resto da vida [38]

Apaixonei-me por esta canção há muito tempo, na versão de Neil Young [sobre a canção, ler aqui].
É uma canção para todas as estações, para a estação das despedidas, para a estação dos reencontros, para a estação dos encontros, e para a estação do 'movin' on'.
Às vezes, cheguei a pensar que tinha sido escrita a pensar em mim, o melhor que se pode pensar de uma canção.


Neil Young - Four Strong Winds

Canções para o resto da vida [37]

Gosto muito de Joni Mitchell, coisa muito menos consensual do que imaginava há uns anos [cf. aqui].
E, claro, gosto mesmo muito de A Case of You. A ideia de beber uma caixa de ti...
E gosto muito de River, uma canção de Natal para quem não gosta de Natal, ou para os casos em que não temos no sapatinho (na árvore, whatever) a prenda que julgávamos merecer. Ou, pior, quando a prenda já lá esteve e, subitamente, is gone.
É uma excelente canção para ouvir em Junho, o mês em que foi lançada, há 49 anos.



Joni Mitchell - River (1966)

Canções para o resto da vida [36]

Há uns anos, uma jovem escritora espanhola que agora não vem ao caso tornou um dos personagens centrais de um seu livro num fã dos Kinks. A banda presta-se a esse tipo de referências - fez algum sucesso no seu tempo, em Inglaterra, e pouco mais. Ideal, portanto, para alguém que quer dar nas vistas como conhecedor: ah, os kinks, e tal.
A música que faziam derivava directamente do som Beatle e frequentemente abusava do humor. Não é bem o caso desta Waterloo Sunset, uma pequena pérola de composição e interpretação



The Kinks - Waterloo Sunset (1967)