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Canções para o resto da vida [desert island selection .21]

Long afloat on shipless oceans
I did all my best to smile
'Til your singing eyes and fingers
Drew me loving to your isle
And you sang "sail to me, sail to me, let me enfold you.
Here I am, here I am, waiting to hold you"

Did I dream you dreamed about me?
Were you hare when I was fox?
Now my foolish boat is leaning
Broken lovelorn on your rocks
For you sing "touch me not, touch me not, come back tomorrow.
Oh my heart, oh my heart shies from the sorrow"

I'm as puzzled as the newborn child
I'm as ridled as the tide
Should I stand amid the breakers?
Or should I lie with Death my bride?
Hear me sing "swim to me, swim to me, let me enfold you.
Here I am, here I am, waiting to hold you"


Robert Plant 
Song To The Siren [Tim Buckley]

Canções para o resto da vida [desert island selection .20]

vieste do fim do mundo
num barco vagabundo
vieste como quem
tinha que vir para contar
histórias e verdades
vontades e carinhos
promessas e mentiras de quem
 de porto em porto amar se faz

vieste de repente
de olhar tão meigo e quente
bebeste a celebrar
a volta tua
tomaste-me em teus braços
em marinheiros laços
tocaste no meu corpo uma canção
que em vil magia me fez tua

subiste para o quarto
de andar tão mole e farto
de beijos e de rum
a noite ardeu
cobri-me em tatuagens
dissolvi-me em viagens
com pólvora e perdões tomaste
o meu navio que agora é teu.

Gisela João 
Vieste do Fim do Mundo

Canções para o resto da vida [desert island selection .19]

long awaited darkness falls
casting shadows on the walls
in the twilight hour i am alone
sitting near the fireplace,
dying embers warm my face

in this peaceful solitude
all the outside world subdued
everything comes back to me again
in the gloom
like an angel passing through my room

half awake and half in dreams
seeing long forgotten scenes
so the present runs into the past
now and then become entwined,
playing games within my mind

like the embers as they die
love was one prolonged goodbye
and it all comes back to me tonight
in the gloom
like an angel passing through my room

i close my eyes
and my twilight images go by
all too soon
like an angel passing through my room.


ABBA
Like An Angel Passing Through My Room

Madonna
Like An Angel Passing Through My Room

Anne Sophie Von Otter / Elvis Costello
Like An Angel Passing Through My Room

Canções para o resto da vida [desert island selection .17]

I practice every day to find some clever lines to say 
To make the meaning come true

Esta canção é chantilly. Superficial, dispensável, irresistível.
Robbie Williams e Nicole Kidman pegaram no chantilly e fizeram um éclair. Não faço ideia do que quero dizer com isto, mas soa-me bem e o éclair é um dos meus pecados favoritos.
A graça desta versão está no vídeo e nas alusões sado-maso que põem a um canto o incesto da versão Sinatra.

Robbie Williams + Nicole Kidman 
Somethin' Stupid

Canções para o resto da vida [desert island selection .16]

Oh I don't think that we can really be friends 
But i'll try again

[Nota: o conteúdo deste post apenas será integralmente compreendido se a canção que dele consta for ouvida em formato digital original em dispositivo apropriado, com a amplificação elevada. Não se compreende, de resto, que a União Europeia legisle sobre o espaço vital das galinhas nos aviários e seja incapaz de determinar condições mínimas obrigatórias para a audição de música, o que excluiria, por exemplo, o manhoso do Youtube, computadores made in Korea e mesmo alguns automóveis de construção duvidosa. Obrigado pela atenção.]

É possível não gostar de música? É possível não se emocionar com a música? Tudo é possível e os tempos que vivemos têm-se encarregado de mostrar que o mundo, além de composto de mudança, adora a diversidade.
Gosto de dar o exemplo desta canção dos Camera Obscura quando se fala de emoções relacionadas com a música. É possível ouvir as pontes desta canção [min: 02:05-02:50 e 03:30-final, especialmente a primeira] sem ser atravessado por uma, nem que ligeira, comoção?


Camera Obscura 
Careless Love

Canções para o resto da vida [desert island selection .15]

I would promise you all of my life 
But to lose you would cut like a knife

Homem não chora, pelo menos em público. Homem que é homem não admite que gosta (das canções) de George Michael.
Eis então uma canção de que não gosto.
Esta versão ao vivo, quase unplugged, é mais interessante que a original, gravada a solo na fase final dos Wham (anos 80), especialmente pela introdução do coro feminino.
O George Michael tem outras grandes canções, o que, convenhamos, pode ser um problema.


George Michael
A Different Corner

Canções para o resto da vida [desert island selection .14]

Moi je t'offrirai 
Des perles de pluie 
Venues de pays 
Où il ne pleut pas

Serão umas dezenas - não exagero - as canções de Brel de que gostaria de nunca me separar. Uma espécie de caixa de primeiros socorros para o coração... e a cabeça. Brel tem a justa medida de ternura e ironia de que tento construir os meus dias [conferir, por exemplo, aqui].
Ne Me Quitte Pas assume nessa lista o papel de cânone.

[Nota: esta interpretação, assombrosa, foi colocada no Youtube pelo instituto do audiovisual francês, um exemplo de como se protege a cultura.]


Jacques Brel
Ne Me Quitte Pas

Canções para o resto da vida [desert island selection .13]

Não, não fuja não 
Finja que agora eu era o seu brinquedo 

Escolher uma canção de Chico... Hum... isto não vai correr bem. Chico Buarque é um dos nomes maiores das canções em língua portuguesa de todos os tempos. Não lhe conheço canção que não seja perfeita e não há canção dele que não me toque.
Nas canções políticas, por exemplo, comparo-o muito a Dylan, pela forma interventiva como, não apenas descreve as situações, mas aponta linhas de acção, sem no entanto se comprometer em excesso. O modo como se compromete de forma não alinhada.
E depois há as canções de amor, de uma sensibilidade e emotividade únicas, significativamente muitas delas escritas para serem cantadas por mulheres.
Escolho uma canção que, de certa forma, até pode ser considerada menor. Aliás, apenas a letra é de Chico, a música, uma simples valsa, é de Sivuca. Esta é a versão original, com Nara Leão.
Gosto do amor descrito, assim, como brincadeira de crianças. Mesmo que, como de costume, os adultos estraguem a estória.


Chico Buarque e Nara Leão 
João e Maria

Canções para o resto da vida [desert island selection .12]

I need excitement, oh i need it bad
And it's the best, i've ever had

A música é quase sempre bem mais simples do que parece. As canções pop (pop no sentido mais genérico, entenda-se) são isso, dois ou três minutos destinados a criar uma emoção, pouco profunda se possível.
Foi isso que o punk ressuscitou, numa altura em que se temia pela saúde mental da pop, ainda na mega ressaca da explosão dos anos 60 e a sucumbir aos apelos intelectualóides da primeira metade da década que se lhe seguiu.
Esta é a canção perfeita do punk. Pouco mais de dois minutos que fazem a ponte entre as origens (Elvis, Spector, Beach Boys...) e muitas das bandas actuais de que mais gosto (Walkmen, National...).

 The Undertones 
Teenage Kicks

Canções para o resto da vida [desert island selection .11]

I just want to make you smile
Maybe stay with you awhile

Richard Hawley, rezam sempre as biografias, é um músico de estúdio. Com uma voz de ouro. Mantendo o registo de lugar-comum, poder-se-ia dizer que é o último dos românticos, o que obviamente não é verdade.
O homem está farto de passar por Portugal - romântico, helas! - e, nada estranhamente, nunca o vi ao vivo. É sempre bom ter em carteira coisas agradáveis para fazer...
Esta canção junta tudo o que é bom: guitarras lindas, uma orquestra à maneira e em crescendo, a voz de ouro e amor às carradas. Who could ask for more?


Richard Hawley 
Open Up Your Door

Canções para o resto da vida [desert island selection. 10]

Tinha suspirado, tinha beijado o papel devotamente! Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades, e o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas, como um corpo ressequido que se estira num banho tépido. Sentia um acréscimo de estima por si mesma, e parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante, onde cada hora tinha o seu encanto diferente, cada passo conduzia a um êxtase, e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações!
O Primo Basílio, Eça de Queirós

É uma das canções mais felizes em língua portuguesa. Feliz em todos os sentidos.
Marisa Monte, compositora e intérprete absolutamente genial, há muitos anos que pontua a minha vida. Às vezes, fico só com ela.
O clip oficial é de uma ironia extraordinária; o excerto ao vivo é Marisa no seu melhor.

Marisa Monte 
Amor I Love You

Canções para o resto da vida [desert island selection .9]

Des cheveux qui tombent comme le soir 
Et d' la musique en bas des reins 
Ce jazz qui jazze dans le noir 
Et ce mal qui nous fait du bien

Léo Ferré é o anarca, mesmo o revolucionário, que nunca fui. Preenche na perfeição essa faceta imperfeita da minha vida.
Conheci-o já ele era velho, mas sempre que o oiço é como se tomasse o elixir da eterna juventude.
Faz parte de uma outra santíssima trindade da minha discoteca afectiva - Brel, Ferré, Brassens, por esta ordem -, e foi com ele que conheci alguns poetas franceses e aprendi a gostar de algumas abordagens sinfónicas.
'C'est Extra' (1969) é das canções mais belas que conheço. Infelizmente, a wikipedia francesa retira-lhe algum mistério, ao tratá-la por "chanson érotique"... Eu ia dizer que é uma canção sobre a música.


Léo Ferré 
C'est Extra

Canções para o resto da vida [desert island selection .8]

I'll make you happy, baby, 
just wait and see
For every kiss you give me 
I'll give you three

Ponham umas castanholas e eu rendo-me. A sério...
Mas nesta canção não são apenas as castanholas. É tudo. Não há aqui uma fracção de segundo que não seja perfeita. Para a história da música haveria de ficar o termo "wall of sound", o que é altamente redutor para definir a magia de Phil Spector.
Este clip junta uma versão estéreo obtida digitalmente (o original, mono, é de 1963) a imagens de várias apresentações das Ronettes em programas de televisão.


The Ronettes 
Be My Baby

Canções para o resto da vida [desert island selection. 7]

O resto é mar
é tudo o que eu não sei contar

A felicidade é uma canção brasileira. Há, aliás e a prová-lo, uma canção brasileira que se chama felicidade (curiosamente, do mesmo autor da canção deste post). Só nas canções brasileiras, bossa nova especialmente, há aquela leveza com um traço de melancolia que nos faz felizes sem sabermos porquê. Como as mulheres, diz outra canção brasileira (curiosamente, do outro autor da canção da felicidade que não o autor da canção deste post), "que têm que ter qualquer coisa além da beleza, qualquer coisa de triste".
'Wave' é uma das minhas canções brasileiras preferidas de sempre. Linda, melancólica. Feliz.
Mas acontece qualquer coisa de estranho com esta canção de Tom Jobim - não conheço versão que a mereça. As que mais se aproximam são as instrumentais, a de Oscar Peterson especialmente. Gostaria de uma versão extraordinariamente lenta e luminosa, cheia de respiração, mas muitas das que já ouvi são um tanto apressadas, desleixadas. A de João Gilberto é obviamente boa, mas não é ainda aquilo que.


Wave
João Gilberto

Canções para o resto da vida [desert island selection .6]

I've heard your voice so sweet 
Strangers until we meet

Há pessoas que, aparentemente, apenas vieram a este mundo para fazerem as outras felizes. Brian Wilson é uma delas.
Esta canção, de que apenas existe esta gravação (ao vivo, em 2000), é um excelente exemplo do génio.


Brian Wilson
The First Time

Canções para o resto da vida [desert island selection .5]

Then you reached the part where the heartaches come
The hero would be me
But heroes often fail

O que torna esta canção diferente de tantas outras sobre o fim do amor é a constatação de que o amor... pode mesmo acabar. Normalmente, as canções sobre o fim de uma relação, real ou imaginária, não são mais que um prolongamento, obviamente doloroso, de algo que na realidade já não existe. Há, nos versos ou na forma como são cantados, algo que ainda remete para a possibilidade de. E é esse o encanto, no sentido de feitiço, dessa canções.
Nesta, embora de início ainda sejam referidos os fantasmas que teimam em permanecer, o final é explícito acerca da impossibilidade que cresceu.
O original é de um nomes maiores do folk canadiano (again!), Gordon Lightfoot, mas a versão de Johnny Cash, nos famosos discos que gravou com Rick Rubin nos últimos anos de vida é, de facto, insuperável.



Johnny Cash
If You Could Read My Mind

Canções para o resto da vida [desert island selection .4]

I envy the rain
That falls on your face
That wets your eyelashes
And dampens your skin
And touches your tongue
And soaks through your shirt
And drips down your back
I envy the rain

Com Lucinda Williams não há amor à primeira vista. São canções das quais se aprende a gostar, ou não. Com raízes na country, Lucinda move-se num universo de grande intimismo, com frequentes referências eróticas, acentuadas por uma voz francamente sensual.
Esta canção é disso um exemplo. Faz parte do disco Essence (2001).

Lucinda Williams 
I Envy The Wind [vídeo de autor]

Canções para o resto da vida [desert island selection .3]

if my hair is a drippin' wet and my clothes are soakin' wet 
and we didn't go skinny dippin' in a cement pond 

O que eu gosto disto....  Uma canção sobre adolescência, namorar e... apanhar amoras. Para mais, com um vídeo fabuloso, que agarra completamente o conceito.
Um velho tema country de uma obscura e pouco canónica editora especializada, recuperado em 2011 por Kurt Wagner (Lambchop) e Cortney Lidwell (ambos das áreas do neo-pos-alt country), num disco ('Invariable Heartache') que assinaram sob o nome de Kort.



Kort 
Pickin' Wild Montain Berries

Canções para o resto da vida [desert island selection .2]

I can hear the grass grow 
I can hear the melting snow 
I can feel your breath against my ear 

Há pelo menos uma dezena de canções de Nick Cave que poderiam fazer parte desta lista. São canções difíceis, quase sempre e em simultâneo belas e tristes. De alguma forma, assustadoras, como tudo o que nos ata um nó na garganta. Excessivas, porque nos levam para territórios que incomodam. Doem, mas sabem (tão) bem.
'Shoot me Down' é uma dessas canções. Fala, como quase sempre, do amor e dos seus limites. Do amor como um duelo, obviamente sem inimigos mas com corpos em chamas. A morte na fronteira do amor. Como sempre, a canção é encenada de uma forma extremamente visual, como se os corpos ardessem à nossa frente, num jogo erótico de sexo e morte. E é difícil perceber o que mais emociona, se a voz densa de Nick Cave, se a beleza da linha melódica do piano, a subtileza dançante das cordas.

Trata-se de um lado B (2003) e integra a caixa tripla de raridades, um dos mais espantosos documentos da genialidade de Cave.


Nick Cave
Shoot Me Down