nyc, 2015

Lambchop - Never My Love [2012]

2015-04-30 > 2015-06-28

My only deep sorrow is the unrelenting insistence of recording and motion picture companies upon purveying the most brutal, ugly, degenerate, vicious form of expression it has been my displeasure to hear – naturally I refer to the bulk of rock ‘n’ roll. It manages to be the martial music of every sideburned delinquent on the face of the earth.
Frank Sinatra, 1957
berlim, 1945
 
Nuts to you, Führer! I am naked in your bath with my Jewish lover, we are taking your picture’s picture, we are stealing your life-force.


big sur, 1965

Tindersticks - Medicine [2011]

[uma espécie de registo autobiográfico]

to dare is to lose one’s footing momentarily.
to not dare is to lose oneself.

não me ensines a voar.
voa comigo.

Angus & Julia Stone - Heart Beats Slow [2014]



You said I move so fast
That you can hardly see
You said I move so fast
How could you be with me?

But my heart beats slow


It's not going to stop
It's not going to stop
So just give up

Canções para o resto da vida [16]

A essência pop: canções de menos de três minutos, sem outra ambição que não seja encontrar rimas para love you, baby, kiss...
Wall of sound: uma invenção do maluco (literal) do Phil Spector. Intriga-me por que não sobreviveu aos anos 60. Não é tão fácil de fazer como parece - há um vídeo que explica tudo. Tem quase sempre castanholas e eu gosto muito de músicas com castanholas. Foi criada para o mono e, apesar de haver por aí umas muito agradáveis versões estéreo, é mesmo para ouvir em mono.
O vídeo: aquela espécie de moonwalking lateral das bailarinas distrai-me totalmente das Ronettes. Quantas são, afinal?


The Ronettes - Be My Baby (1963-65)

Há 52 coisas boas para fazer em Sintra. Uma delas é ouvir Van Morrison.

Scott Matthew - Annie's Song

naufrágios (2)


o dia começou com uma onda de elogios à primeira página do dia.
e acaba com a descoberta de que, afinal, a foto é de 2002 e até já tinha sido utilizada do mesmo modo.
o Mediterrâneo é um charco, de facto.

Canções para o resto da vida [15]

Escondidas na aparente leveza pós-country dos Rilo Kiley, há coisas terríveis, fantasmas, 'bad news', como canta Jenny Lewis.
Se calhar, o melhor é não ouvir muitas vezes.



Rilo Kiley - Portions for Foxes (2004)

And the talking leads to touching
And the touching leads to sex
And then there is no mystery left.
algum dia teria de acontecer.
enviei um mail para mim próprio e o gmail esclareceu-me: essa pessoa não existe.
confesso que esperava a condescendência do costume: esquece o gajo, tem a caixa cheia.

scott mathew, são jorge, 20 abr 15
em frente à porta há outra porta. para lá da outra porta, alguém sentado na mesmo posição.
só pode ser pelo alinhamento das portas. talvez também pela luz filtrada.
um daqueles momentos, não chega ao segundo sequer.
a memória.
já estive neste sítio. num sonho, numa outra vida, numa daquelas fracções em que nos desmaterializamos mas logo regressamos à Terra, e temos a sensação de que tudo está igual, apesar de algo ter acontecido na nossa milionésima ausência.
(lembras-te? quando conduzes na recta da auto-estrada e tens a sensação de que te ausentaste por um breve instante, tudo poderia ter acontecido, mas nada aconteceu, porque talvez nada possa acontecer em tão breve tempo...)
tento identificar um rosto, um som, um odor. nada. só o alinhamento das portas, como uma imagem impressa na memória. resisto a consultar o telefone, com receio de a fotografia lá estar.
já aqui estive, sem que alguma vez aqui tenha estado.

Canções para o resto da vida [14]

Há discos em que tropeçamos por acaso e nos ficam para a vida.
'Invariable Heartache' surgiu com a assinatura de Kort, que mais não é que a colaboração de Kurt Wagner (dos Lambchop) com Cortney Tidwell.
No disco, recriam uma série de canções de uma obscura editora de country, propriedade do avô de Cortney e para a qual cantava a mãe.
Há canções muito boas (incluindo uma chamada 'Penetration'...), mas a de que gosto mais é esta divertida memória da adolescência, ainda por cima servida por um vídeo que capta em cheio o espírito da coisa.



Kort - Picking Wild Mountain Berries (2011)

We've been busy makin' merries
and pickin' wild mountain berries

naufrágios

a propósito do possível naufrágio de mais 700 pessoas no Mediterrâneo, às portas da Europa, escrevem-se alguns lugares-comuns sobre os quais conviria reflectir.
desde logo, a crítica ao facto de a UE se ter tornado uma fortaleza. poderia ser de outra forma? dito de outra maneira: teria a Europa capacidade de acolher todos os que a ela pretenderiam aceder, caso houvesse regime de fronteiras abertas?
por outro lado, aponta-se a instabilidade política gerada pela 'primavera árabe' como causa do êxodo em direcção ao norte. a primavera árabe teve mais consequências negativas que positivas, para os países envolvidos e para a macro região, em que podemos incluir a Europa. mas os famintos que aqui tentam chegar acorrem de uma realidade mais distante e preocupante: a África sub saariana, em especial uma vasta cintura de países que, há décadas, são palco de fome, doença e guerras tribais. nesse palco, sim, a Europa poderia estar a fazer mais.
e há quem registe a 'hipocrisia' - fossem eles brancos, ou europeus, e haveria lágrimas, manifs, etc. este argumento é, aliás, muito repetido. esquece, porém, um factor fundamental, seja nas notícias, seja nas emoções - a proximidade e a identificação com.

mas, é claro, o frenesim da indústria das indignações instantâneas não deixa muito tempo para pensar.

[hoje de manhã, na tsf, fernando alves concluía que, com este Mediterrâneo transformado em cemitério, "morre também uma certa ideia de Europa". não sei que ideia (ou ideal) terá fernando alves da Europa. a que tenho, dos livros de História, é a de um continente que gosta de fronteiras, de guerras territoriais, de criar pequenos estados, ou seja mais fronteiras, e que, antes de receber pacíficos cidadãos de outros continentes, teve de ir lá primeiro colonizá-los. o século XX da Europa, só para dar um exemplo, é talvez o período/espaço mais sanguinário da Humanidade, com xenofobia e outras violências a rodos. quanto ao Mediterrâneo, basta voltar aos livros de História para perceber que se trata do mais constante palco de guerra do planeta. todo o cruzamento de civilizações, seja na cultura ou no comércio, foi construído sobre/sob mares de sangue.]

Canções para o resto da vida [13]

Ouvi esta canção pela primeira vez na voz encantatória de Elizabeth Fraser, dos This Mortal Coil (1983), versão que, aliás, tirou Tim Buckley do esquecimento em que tinha caído desde a sua morte, em 1975, e que deu origem a uma catadupa de versões.
Buckley foi um dos mais criativos e torturados compositores da viragem da década de 60 para a de 70. O apelido tornou-se símbolo de tragédia, com o filho, Jeff, a optar pelo destino do pai. A completar o quadro, a intensa relação que Jeff manteve com a mesma Elizabeth que interpretou daquela forma a canção do pai...
Tragédias e coincidências à parte, esta é uma das mais extraordinárias canções da música anglo-saxónica.
A versão de Tim Buckley é a de 1968 (acústica, num programa de TV). A de estúdio (1970) tem arranjos mais psicadélicos e a letra é ligeiramente diferente.



Tim Buckley - Song to The Siren (1968)


This Mortal Coil - Song to The Siren (1983)

Did I dream you dreamed about me?
Were you hare when I was fox?

Canções para o resto da vida [12]

Há canções, às vezes só fragmentos, outras vezes discos inteiros, os objectos até, que nos remetem sem apelo para momentos precisos das nossas vidas. Locais, tempos, pessoas. Fotografias, na verdade.
É assim com o vinil, que nem sequer tenho actualmente, de LC, o segundo disco dos Durutti Column, que as enciclopédias gostam de catalogar como pós-punk, o que não quer dizer rigorosamente nada, nem consegue transmitir a enorme influência que esta música teve naquela altura (apesar de nunca ninguém ter feito nada exactamente assim).



The Durutti Column - Never Know (1981)

Never known
I cry in my sleep
Sometimes you stay
e o que pretendes fazer com isso? 
parece-me que é isso.

The Magnetic Fields - Let's Pretend We're Bunny Rabbits [1999]

miúda gira 2


publico.pt 15.04.15: Trabalhadores do Metro suspendem greve de sexta-feira

miúda gira...

/ it's strange, it never feels the same
a lover estranged from a lover
by now i should know how to recover
is time the enemy a stranger

here we go again
i believe your truth in that i'm useless
but what you think be not my business
now you're the enemy, just a friend
here we go again /


http://timeoutjmf.blogspot.pt/2015/04/scott-matthew-this-here-defeat.html


faz-me bem e nunca vos fez mal

a time out (declaração de interesses: sou amigo dos gajos) criou um paradigma. uma lisboa onde tudo está a acontecer. não foi a time out que transformou lisboa, mas a time out ajuda a mudar a imagem de lisboa.
a capa desta semana é sobre tudo 'o que está a ferver' na cidade. ou seja, é um guia de fuga para os lisboetas que gostam de lisboa, mas também gostam de sossego. sinceramente, começa a não haver paciência para passeios em rebanho à beira tejo, restaurantes caríssimos em que só se consegue jantar por turnos, esplanadas sem lugares para sentar, espaços verdes e jardins tipo metro em hora de ponta...
a edição desta semana da time out é, pois, um desafio a todos os que gostam mesmo de lisboa: descubram, ou inventem, a vossa própria cidade. na vossa rua, no bairro do vizinho, ou numa lisboa sempre por descobrir que ainda há.
(isto nada tem a ver com o debate sobre o alegado excesso de turistas em lisboa. gosto de turistas.)

Canções para o resto da vida [11]

Certo. O amor que não está dá sempre boas canções. E quando está?

Algumas das melhores canções dos Beach Boys não são tão Beach Boys quanto esta.


REM - At Your Most Beautiful (1998)

I've found a way to make it
I've found a way
A way to make you smile

I read bad poetry
Into your machine
I save your messages
Just to hear your voice
You always listen carefully
To awkwards rhymes
You always say your name
Like I wouldn't know it's you
At your most beautiful.

At my most beautiful
I count your eyelashes secretly
With every one, whisper I love you
I let you sleep
I know you're closed eye watching me
Listening
I thought I saw a smile.

what are you looking at?


Esta, e não aquelas ideias profundas sobre política e media, é a minha frase preferida de House of Cards. Sim, para onde estamos a olhar? não era suposto vermos tudo aquilo.

Canções para o resto da vida [10]

Paulinho da Viola é autor de algumas das mais belas canções brasileiras. Algumas delas pensamos, aliás, que são de Chico Buarque e de outros cantores que as tornaram famosas.
Este samba, muito popularizado por Marisa Monte, é uma dessas. Por mais que se ouça, não se entende se é uma canção de alegria ou tristeza. E depois há aqueles segundos de suspensão antes do verso da "pausa de mil compassos"... Fabuloso.


Paulinho da Viola e Marisa Monte - Para Ver as Meninas (1971-2000)

Silêncio por favor
Enquanto esqueço um pouco
a dor no peito
Não diga nada
sobre meus defeitos
Eu não me lembro mais
quem me deixou assim

uma série de tv que gosta de livros. uma biblioteca pública que gosta de séries de tv.


uma série de tv que gosta de música: A (Nearly) Comprehensive Guide To The Music Of 'Mad Men'

Villagers - Hot Scary Summer [2015]

(audio fabuloso)

Canções para o resto da vida [9]

'69 Love Songs' é um empreendimento avassalador, criado por um pequeno génio chamado Stephin Merritt, que umas vezes se esconde atrás dos Magnetic Fields e outras vezes não.
O disco não tenta sistematizar o tema, muito menos esgotá-lo. Talvez por ser tão despretensioso, ouve-se e reouve-se sem cansar.

um site, não oficial (como este vídeo), que funciona como um guia de audição. E quem quiser interpretar as canções (são relativamente simples, de raiz folk) as letras e as cifras estão aqui.



The Magnetic Fields
 - All My Little Words (1999)

Now that you've made me want to die
you tell me that you're unboyfriendable
and I could make you pay and pay
but I could never make you stay
It's like we want to imagine that our minds are just these perfectly translucent windows and we just gaze out of them and describe the world as it unfolds. And we want everybody else to gaze out of the same window and see the exact same thing. That is not true, and if it were, life would be incredibly boring. The miracle of your mind isn't that you can see the world as it is. It's that you can see the world as it isn't. We can remember the past, and we can think about the future, and we can imagine what it's like to be some other person in some other place. And we all do this a little differently, which is why we can all look up at the same night sky and see this and also this and also this. 

Canções para o resto da vida [8]

Apesar do desconcerto do mundo e de todas as agruras da vida, a vida, sim, é doce. E isso nem sempre é assim tão evidente.
Esta espécie de carta de uma mãe a uma filha traz-me à lembrança os diálogos emocionados de pai e filho n'A Estrada, de Cormac McCarthy.

Quanto a Natalie Merchant tenho a certeza de que, se algum dia decidir cantar a lista telefónica de uma ponta à outra, vou gostar muito.


Natalie Merchant - Life Is Sweet (1998)

They told you life is hard
it's misery from the start
it's dull and slow and painful

I tell you life is sweet
in spite of the misery
there's so much more
be grateful.

Belle & Sebastian - Paper Boat [2015]

I may know the word
but not say it
I may love the fruit
but not taste it

I may know the word
but not say it
this may be the time
but I might waste it.

notícias da periferia: Espanha 6 - Portugal 0

June 20, Nord Mole Open Air, Mainz, Germany
June 21, Sparkassen – Carré, Tübingen, Germany
June 23, Brose Arena, Bamberg, Germany
June 25, Arena Stožice, Ljubljana, Slovenia
June 26, Ottakringer Arena Wiesen, Wiesen, Austria
June 27, Aria di Friuli Venezia Giulia, Udine, Italy
June 29, Terme di Caracalla, Rome, Italy
July 1, Lucca Summer Festival, Lucca, Italy
July 2, Pala Alpitour, Torino, Italy
July 4, Festival Jardins de Pedralbes, Barcelona, Spain
July 5, Pabellón Principe Felipe, Zaragoza, Spain
July 6, Barclaycard Center, Madrid, Spain
July 8, Palacio Municipal De Los Deportes, Granada, Spain
July 9, Teatro de la Axerquia, Córdoba, Spain
July 11, Velodromo Anoeta, San Sebastian, Spain
July 12, Festival Pause Guitare, Albi, France
July 13, Festival De Poupet, Saint-Malô-du-Bois, France
July 15, Moon & Stars Festival, Locarno, Switzerland
July 16, Stimmen Festival, Lörrach, Germany

[*]

[american epic] executive produced by T Bone Burnett, Robert Redford and Jack White

[all or nothing at all]

What will astonish you is - there’s no other phrase - the purity of Sinatra’s artistry. Nothing is thrown in for effect; there are no second-rate songs; he revives what was then a dated repertoire of classic material and brings it to life. It’s essential to hear what all that Gershwin and Porter and even Rodgers & Hart stuff sounds like in the original Broadway recordings to grasp what Sinatra did to them. Sinatra did not merely interpret the American songbook. In many respects he invented it.

eh pá, não estarás a complicar um bocado a coisa?

Canções para o resto da vida [7]

A primeira vez que ouvi falar dos National foi num curto mail: "For 29 years I dreamed about you". Os 29 anos eram verdade, o resto nem por isso.
Os National são os preferidos de 3 em cada 2 jovens adultos por duas razões: as letras desconcertantes, retrato fiel das relações contemporâneas; a tensão erótica da música; o vocalista giro.
Esta é uma das minhas 30 canções preferidas deles. Das outras 20 também gosto.



The National - Slow Show (2007)

I wanna hurry home to you
put on a slow, dumb, show for you
and crack you up.
What does love sound like when it is not there? Singing about it is never easy because love is, in every respect, greater than any word ever meant to describe it – or any sound for that matter. A person who is happily in love has no real need for song, let alone a reason for writing one. Praising love, well, that is usually not very successful either. The songs that truly mean something are apparently those about its absence. They are about longing for love, it dying away and, ultimately, losing it – until nothing more is left of love but a memory. A memory, however, that never fully fades; just as little as the pain that never subsides.

Scott Matthew - Effigy [2105]

like a child i will learn how to walk
this fire could lead me through the dark
but the difference is a child knows how to love